RJ em Foco
Lua crescente nasce atrás do Cristo Redentor e fotógrafo registra cena em timelapse com mais de 400 fotos
Carioca Bruno Gargaglione usa aplicativo para prever alinhamentos entre astros e monumentos e fez 435 fotos em sequência para registrar passagem da Lua pelo cartão-postal do Rio
A lua crescente surgiu lentamente atrás do Cristo Redentor, na Zona Sul do Rio, na madrugada desta segunda-feira, e rendeu um registro raro feito pelo fotógrafo carioca Bruno Gargaglione. Da Praia de Icaraí, em Niterói, às 4h40, ele captou o momento exato em um timelapse — técnica que acelera eventos lentos — produzido a partir de 435 fotografias, cada uma feita em intervalos de dois segundos. Segundo o calendário lunar com base em dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a fase crescente começou na terça-feira e deve ir até amanhã. A próxima mudança ocorre na quarta-feira, quando a lua entra na fase cheia, às 11h37.
Clima:
Golpe da maquininha:
Bruno Gargaglione conta que toda a operação começou ainda na noite anterior, quando calculou o horário exato em que a Lua, com 96% de iluminação, surgiria alinhada ao Cristo Redentor. Para registrar o fenômeno, ele chegou cerca de meia hora antes à Praia de Icaraí, em Niterói, encontrou o local completamente deserto e preparou a câmera para disparar uma foto a cada dois segundos, usando foco manual para garantir a qualidade da sequência de 435 imagens.
— Foi uma daquelas experiências que fazem todo o planejamento valer a pena. Já fotografei esse alinhamento outras vezes, mas continua sendo emocionante ver a Lua tocar a silhueta do Cristo depois de dias de preparação. O que mais me encanta na fotografia é transformar um instante tão breve em uma memória que pode ser revivida sempre, junto com todas as lembranças daquela madrugada — disse Gargaglione.
Para conseguir o enquadramento, Gargaglione utiliza o aplicativo “Planit Pro” que permite simular a posição da Lua, do Sol e de outros astros em diferentes datas e horários. A partir dessas informações, ele define o momento e o local exatos para a captura.
— O aplicativo permite simular com muita precisão a posição da Lua, do Sol e da Via Láctea em qualquer data e horário local. Primeiro eu escolho o elemento que quero fotografar, no caso o Cristo Redentor, depois faço simulações para descobrir exatamente em que dia e horário a Lua vai passar na posição desejada — explica.
O ponto escolhido para fotografar nem sempre fica próximo ao monumento. Segundo o fotógrafo, a distância faz parte da composição, já que a lente usada ajuda a criar o efeito de aproximação entre a Lua e o cartão-postal.
— O aplicativo indica qual é o ponto ideal de captura, que muitas vezes fica a vários quilômetros de distância. A perspectiva combinada com uma lente teleobjetiva, de grande alcance, faz com que a Lua aparente um tamanho muito maior e fique perfeitamente alinhada com o monumento. Esse efeito maior é um fenômeno ótico da lente — diz.
Antes do registro, ele ainda visita o local para verificar possíveis obstáculos e acompanhar as condições de acesso. No dia da fotografia, o clima é um dos fatores decisivos.
— Qualquer nuvem ou mudança na atmosfera pode comprometer completamente o resultado. Às vezes está o dia limpo e eu consigo, às vezes está com nuvem e eu consigo na fresta que eu preciso — afirma.
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