RJ em Foco
Bate-bolas já planejam desfiles de 2027; mostra no Centro revela tradição dos mascarados
'Clóvis: o rosto detrás da máscara' fica até 21 de agosto na Biblioteca Parque, na Avenida Presidente Vargas
O carnaval de 2027 só começa oficialmente em 6 de fevereiro do ano que vem, mas para quem faz da folia o principal acontecimento do calendário, a preparação já está em curso. Os bate-bolas, grupos de foliões conhecidos pelas fantasias coloridas, máscaras e adereços temáticos, já vieram a escolher os temas que irão inspirar seus desfiles. O tema da Turma Empoderadas , que só tem mulheres, será "Rainha da Savana". A Turma Complexo da Leocádia , de Realengo, também aposta em africanidades: abordará o Reino de Wakanda e o filme "Pantera Negra".
Carnaval:
Cultura dos bate-bolas no Rio:
— Escolhemos esse tema porque ele representa força, ancestralidade, resistência e união. Queremos levar para o carnaval de rua toda a riqueza da cultura africana. Nosso objetivo é transformar esse desfile de bate-bolas em algo marcante, com tudo o que merece a cultura africana. Queremos transmitir a grandiosidade de Wakanda e uma mensagem de coragem — diz Igor Nogueira , um dos representantes da turma. — Vamos dar o nosso melhor para fazermos um ótimo carnaval em 2027.
Além dos preparativos, eles fazem a esquenta com a nova exposição da Biblioteca Parque Estadual, no Centro, "Clóvis: o rosto detrás da máscara". A visitação é de segunda a sexta, das 10h às 17h, até 21 de agosto, e gratuita.
Também fazem parte do projeto a Turma Bem Feito , tricampeã do concurso da Riotur, a Bem Feitas , a Mercenários de Realengo , a Turma Animação da Ilha do Governador , a Velha Guarda de Paciência , a Tropa do Senegal , a Turma Empoderadas , a Turma do Funil , a Turma Playboyzada e a Que Turma É Essa . Os visitantes poderão ver indumentárias completas e originais, adereços e registros audiovisuais dos mascarados. Haverá visita mediada no encerramento.
Folha organizada
No Rio, algumas turmas existem há mais de 30 ou 40 anos. A longevidade é fruto de dedicação quase religiosa: mensalidades pagas pelos integrantes financiam fantasias (que podem custar de R$ 1,5 mil a R$ 3 mil), aluguel de ônibus para os desfiles e as tradicionais “resenhas” pós-folia.
Treze anos após o reconhecimento de Clóvis ou bate-bolas como Patrimônio Cultural da Cidade, algumas regiões se consolidaram como pontos de disputa. A Cinelândia abriga o concurso da Riotur, enquanto o Parque Oeste recebe encontros organizados pela Associação Estadual Folclórica do Rio de Janeiro , com apoio da prefeitura.
Marcus Faustini , estudioso dos bate-bolas há mais de 20 anos, explica que a cena evolui e tem potencial de expansão.
— Pessoas que eram bate-bolas entradas para a academia. Hoje, há líderes de turma formados em belas artes, moda e produção cultural. O bate-bola é um ícone do Rio que pode ser exportado e incluído em circuitos turísticos. O que falta é pensarmos nele como ativo pop.
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