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Vídeo: veja como quadrilha organizava roubos de remédios para câncer no Rio

Cinco acusados foram presos pelo roubo de mais de 50 cargas de medicação em operação da Civil nesta terça-feira

Agência O Globo - 22/07/2026
Vídeo: veja como quadrilha organizava roubos de remédios para câncer no Rio
- Foto: Nano Banana (Google Imagen)

As imagens registradas pela câmera de segurança de um caminhão, que flagraram o roubo de uma carga de medicamentos oncológicos na Linha Vermelha, em 31 de janeiro deste ano, levaram a Polícia Civil a identificar a atuação de uma quadrilha especializada nesse tipo de crime. Segundo o processo ao qual O EXTRA teve acesso, o motorista foi interceptado por criminosos armados e obrigado a seguir até o Complexo da Maré, na Zona Norte, onde a carga foi descarregada por mais de 15 homens armados, indicados como membros da organização criminosa.

DURANTE A OPERAÇÃO METÁSTASE, deflagrada nesta terça-feira, três suspeitos foram presos e condenados a prisão em flagrante convertida em preventiva pelo Tribunal de Justiça do Rio. Ao explicar a manutenção das prisões, a Justiça destacou não apenas a violência empregada nas ações, mas também a suspeita de que medicamentos oncológicos de alto custo tenham sido adulterados e recolocados ilegalmente no mercado — acontece que passou a ser um dos principais focos da investigação.

Caipirinha de R$ 8 mil, massagem à força e golpes:

Alerta:

De acordo com o depoimento da vítima na época, durante o roubo, os criminosos chegaram a oferecer participação no esquema em troca de informações privilegiadas sobre futuras cargas de medicamentos, numa tentativa de ampliar a atuação da quadrilha.

Ação de crimes durou três minutos

Toda a ação durou cerca de três minutos. Como imagens mostram que, às 11h59, dois carros — um branco e outro azul-marinho — e uma motocicleta passaram a cercar o caminhão na Linha Vermelha. O veículo branco faz manobras bruscas, corta outros automóveis e força o motorista a encostar no acostamento. Sob ameaça, a vítima é obrigada a seguir direção até a entrada de uma comunidade no Complexo da Maré. No local, pelo menos 15 homens encapuzados e armados com fuzis e pistolas aguardavam a chegada do caminhão e ordenavam que o motorista posicionasse o veículo para o desembarque da carga. Em seguida, outros quatro criminosos descem do carro branco, também armados, e fazem sinais para que a vítima abra o compartimento de carga.

Entenda o caso

De acordo com a investigação, a organização criminosa já praticou pelo menos 20 roubos semelhantes nos últimos seis meses. Durante a purificação, os policiais reconstruíram a estrutura da quadrilha e identificaram diferentes núcleos responsáveis ​​por cada etapa da operação criminosa: o núcleo dos roubadores, o núcleo logístico-financeiro intermediário, o núcleo logístico-financeiro final e o núcleo de suporte territorial.

Segundo a Polícia Civil, após os roubos — praticados por crimes fortemente armados —, os medicamentos foram levados para áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP) , no Complexo da Maré, onde foram armazenados, redistribuídos e preparados para a revenda. A facção seria responsável pelo suporte territorial, oferecendo proteção armada aos assaltantes.

As investigações apontam que um segundo núcleo fazia o armazenamento, o fracionamento e o envio dos medicamentos para receptadores em diferentes estados. Para ocultar a origem da carga, o grupo utilizou pelo menos 25 empresas de fachada distribuídas entre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, transportadores, entregadores e "laranjas". Os agentes também identificaram membros responsáveis ​​por aliciar funcionários de transportadoras para obter informações privilegiadas sobre rotas e cargas.

Carga abastecia hospitalar, incluindo unidade infantil

Conforme a investigação, os medicamentos oncológicos e imunossupressores roubados foram revendidos para hospitais privados e, em alguns casos, também para instituições públicas de saúde por meio de licitações na modalidade de tomada de preços. Ao oferecer valores abaixo dos praticados pelo mercado, o grupo conseguiu inserir produtos de origem criminosa na cadeia formal de adequada.

— Encontramos uma licitação onde uma das empresas foi vencedora para fornecer medicamentos para um hospital de crianças — explica Luiz Eduardo Moura, delegado da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas do Rio.

Os agentes cumprem, nesta terça-feira, cinco mandatos de prisão preventiva e 97 mandatos de busca e apreensão contra integrantes e líderes do grupo. As ações ocorreram simultaneamente no Complexo da Maré, na Baixada Fluminense, além de endereços em São Paulo, Goiás e Pará, com apoio das polícias locais. A Justiça também autorizou o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias e o sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens utilizados para ocultar o patrimônio da organização.