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Chefe de quadrilha que roubava remédios contra o câncer é preso em SP

Medicamentos eram escondidos no Complexo da Maré, no Rio, antes de serem revendidos via empresas de fachada.

Agência O Globo - 21/07/2026
Chefe de quadrilha que roubava remédios contra o câncer é preso em SP
medicamentos remédios - Foto: Depositphotos Foto: https://depositphotos.com/

O homem apontado pela Polícia Civil como chefe da quadrilha foi preso nesta terça-feira, em Santo André, no ABC Paulista, durante a Operação Metástase. Segundo a investigação, Stefano Mantovani Fernandes comandou um esquema que roubou cargas no Rio, escondia os medicamentos em áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré, e os redistribuídos para outros estados, onde eram revendidos a hospitais privados e, em alguns casos, a instituições públicas de saúde por meio de licitações. Até uma unidade infantil chegou a receber os produtos, segundo o delegado Luiz Eduardo Moura, da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas do Rio.

Metastase:

— Encontramos uma licitação onde uma das empresas foi vencedora para fornecer medicamentos para um hospital de crianças — detalhado o delegado da especialidade.

Stefano já havia sido preso em 2009 durante a Operação Medula, da Polícia Civil de São Paulo. Na ocasião, ele, o pai e as irmãs foram apontados como membros de um esquema de distribuição de medicamentos contra o câncer roubados ou desviados da rede pública de saúde. Segundo as investigações da época, os remédios foram vendidos para lojas de cidades em 20 estados e no Distrito Federal.

Medicamentos saíram do Rio

Segundo a DRFC-CAP, as cargas foram roubadas no Rio e levadas para comunidades do Complexo da Maré dominadas pelo TCP, onde foram armazenadas e redistribuídas. A investigação aponta que a facção dava suporte territorial ao grupo, oferecendo proteção armada durante o transporte das cargas.

De acordo com a investigação, os medicamentos não permanecem no Rio. Após serem ocultados na Maré, foram enviados para diferentes estados por meio de empresas de fachada, transportadores, entregadores e “laranjas”. A Polícia Civil afirma que os produtos abastecem hospitais privados e, em alguns casos, instituições públicas de saúde por meio de processos licitatórios.

O investigador não divulgou quais estados ou unidades de saúde receberam os medicamentos para não comprometer as.

Para a Polícia Civil, o esquema representava um grave risco à saúde pública. Medicamentos oncológicos e imunossupressores desabilitam controle específico de temperatura durante todo o transporte. Quando armazenados de forma contida, podem perder a eficácia, causar danos contaminados ou até gerar substâncias nocivas, comprometendo o tratamento de pacientes com câncer, transplantados e pessoas com doenças autoimunes.

Carga avaliada em R$ 169 mil: