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Do calor extremo às chuvas intensas: o que o Super-El Niño pode provocar no estado do Rio

Características distintas farão com que cada região sinta os efeitos de uma forma

Agência O Globo - 21/07/2026
Do calor extremo às chuvas intensas: o que o Super-El Niño pode provocar no estado do Rio
Do calor extremo às chuvas intensas: o que o Super-El Niño pode provocar no estado do Rio - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Com características distintas, nem todas as regiões do estado do Rio de Janeiro enfrentam da mesma maneira os efeitos climáticos do chamado Super-El Niño . Algumas serão mais castigadas pelo calor extremo , enquanto outras serão sujeitas às chuvas intensas esperadas para o período.

Calorão e chuva intensa:

Super-El Niño:

— Cada região tem sua condição e característica específica e natural , tanto em relação à geografia quanto à topografia — explica o meteorologista Fabio Hochleitner , pesquisador do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (LAMCE) da Coppe UFRJ.

No Norte e Noroeste , por serem regiões mais secundárias, o cenário mais provável, o pesquisador, é o agravamento dos problemas de aridez, fruto das temperaturas elevadas. Também estão sujeitos a ondas de calor, déficit hídrico e risco de queimadas.

Linha 4 do Rio:

Em Campos dos Goytacazes , no Norte Fluminense, a prefeitura afirma que os efeitos das características climáticas são menos previsíveis, já que o município está numa área de transição climática, mas acompanha com atenção a evolução das condições oceânicas e econômicas para traçar o planejamento das medidas preventivas.

Por meio de nota, a prefeitura explicou que “historicamente, não há um padrão definido de aumento ou redução de chuvas, mas sim maior variabilidade das condições prejudiciais”. Diante desse cenário, informou que o governo municipal acompanha continuamente a evolução das condições oceânicas e atmosféricas por meio da Defesa Civil e dos órgãos de monitoramento, utilizando essas informações para fortalecer o planejamento, a prevenção e a gestão de riscos, permitindo respostas mais rápidas diante de possíveis eventos climáticos extremos.

Saiba como se inscrever:

Na Costa Verde e Região Serrana , o maior risco são as chuvas, que podem trazer inundações e enxarradas. A prefeitura de Angra dos Reis , que em fevereiro recebeu em apenas seis horas mais de 200 milímetros de chuva—quase a média esperada para o mês inteiro—investe em prevenção. Somente as obras de contenção deverão consumir R$ 300 milhões.

O secretário municipal de Defesa Civil, Fábio Júnior , elenca ainda medidas como um plano de contingência comunitário, que conta com a ajuda da população, sistema de sirenes composto de blocos fixos (26) e itinerantes, montados em viaturas com tração 4x4 para facilitar o acesso a localidades mais remotas, além de pontos de apoio e abrigos. O município tem 169 mil habitantes, sendo que 60 mil vivem em áreas vulneráveis ​​em encostas e à beira dos rios. O secretário destacou que o principal foco de gestão está no monitoramento e na antecipação das informações.

Concessão de estrada na Serra:

— Trabalhamos com todos os institutos de meteorologia , do governo do estado e federal. Temos acesso direto aos meteorologistas dessas plataformas e qualquer informação pertinente a chuvas mais intensas ou ventos mais fortes é filtrada e repassada à população. Criamos também o Sistema Municipal de Proteção e Defesa Civil conforme determina a lei federal 12.608; dentro dele, temos uma comissão permanente de prevenção de riscos, onde a Defesa Civil coordena as ações em parceria com a infraestrutura da prefeitura.

Na Região Serrana , Petrópolis informou que adquiriu um radar meteorológico, utilizado pela Defesa Civil. Em relação aos investimentos em obras, desde o ano passado, 45 intervenções de contenção e orientação estão em execução ou com projetos elaborados, representando um investimento de quase R$ 62,5 milhões.

Veja o vídeo:

Em Nova Friburgo , o município garante que, desde 2011, não há registro de mortes por eventos climáticos. Em janeiro, lançou a pedra fundamental das obras da chamada “Barreira Sabo”, com tecnologia japonesa para retenção de fluxo de detritos, financiada com recursos do PAC.

Teresópolis afirma que a Defesa Civil “mantém uma política permanente de prevenção, monitoramento e preparação para eventos climáticos extremos”. Entre as principais iniciativas está a elaboração e implementação do Plano Municipal de Redução de Riscos.

Parado no tempo:

No Leste Fluminense e na Região dos Lagos , as chuvas também são preocupantes. Ocorrem ainda ilhas de calor. Já na Baixada Fluminense terá que suportar índices de calor intenso, baixa umidade e piora da qualidade do ar, podendo também enfrentar inundações.

O governo do estado informou, por meio da assessoria de imprensa, que criou um Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño para coordenar ações de monitoramento, prevenção, preparação e resposta aos impactos provocados pelas chuvas. A nova estrutura, que não implica aumento de despesas e utiliza a estrutura administrativa já existente, reúne 18 órgãos que atuam sob a coordenação da Defesa Civil.

Tolerância Zero:

O meteorologista do Inmet , Itamara Parente , afirma que são ondas de calor esperadas, com dias mais quentes em algumas regiões do estado. Em relação às chuvas, segundo ela, o que já se pode afirmar é que elas serão irregulares. A intensidade, explicada, dependerá da conjugação das Zonas de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) com os sistemas frontais, que são a movimentação de nuvens e massas de ar com temperaturas e densidades diferentes.

O professor Leandro Torres Di Gregorio , do Departamento de Construção Civil da Escola Politécnica da UFRJ, ressalta que é ideal que as cidades sejam preparadas para os piores cenários.

Indenização:

— Cada município deve trabalhar com os cenários mais agressivos que já enfrentaram , rever seus planos de contingência e preparar respostas para emergências em função de diferentes cenários, além de articular-se com a Defesa Civil estadual e dialogar com municípios vizinhos, pois muitos enfrentam problemas comuns, como inundações provocadas por uma mesma bacia que, por vezes, corta várias cidades — aconselhe o especialista.