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Coral oficial do Vaticano se apresenta para o público carioca na Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema

Emoção marca a apresentação do grupo Capela Musical Pontifícia 'Sistina', coro do Papa

Agência O Globo - 10/07/2026
Coral oficial do Vaticano se apresenta para o público carioca na Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema
- Foto: ANSA

Em um palco montado diante do altar da Igreja de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, na Zona Sul, a celebração religiosa deu lugar à música sacra. A paróquia, que está completando 105 anos, recebeu na noite desta sexta-feira o grupo de canto coral Capela Musical Pontifícia 'Sistina' (nome em português), também conhecido como Coro do Papa, por se apresentar nas principais celebrações litúrgicas do Vaticano, presididas pelo Sumo Pontífice. O evento serve ainda para comemorar os 200 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. Foi uma oportunidade rara para os cariocas ouvirem ao vivo uma das mais antigas e prestigiadas instituições musicais do mundo, já que o grupo, que está em turnê pelo Brasil, nunca havia se apresentado na América Latina.

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A Bônus Track, empresa responsável pela vinda dos cantores ao Brasil, distribuiu cerca de 800 convites gratuitos pela internet. Ainda assim, uma fila se formou desde cedo na porta do templo. Os que não conseguiram garantir a entrada puderam assistir à apresentação por um telão montado no salão paroquial. A Web TV Redentor fez a transmissão para os que preferiram acompanhar de casa. Padre Jorjão, pároco auxiliar, definiu o evento como histórico:

— Foi uma feliz coincidência o Coral do Papa estar vindo ao Brasil, para apresentações em algumas capitais, entre as quais o Rio de Janeiro, e escolher a nossa igreja para fazer esse concerto, porque a paróquia está fazendo 105 anos, e é uma referência de canto coral na cidade.

O religioso lembrou outra coincidência: a igreja, contou, nasceu do apelo do Bento XV, quando a 1ª Guerra Mundial estava num momento mais dramático. Na ocasião, ele fez tratativas para acabar com o conflito, cujo desfecho parecia longe do fim. Então, ele pediu a todos que invocassem Nossa Senhora pela paz do mundo.

— E naquela mesma época então, aqui em Ipanema, que era uma vila, em 1917, com pessoas muito humildes, o padre da época, Monsenhor Joaquim Alvin, fez uma votação para decidir qual seria a padroeira do bairro e o povo escolheu a Nossa Senhora da Paz, pedindo pela paz do mundo. E coincidência ou não, logo depois da guerra acabou— disse padre Jorjão.

A apresentação prevista para começar às 19h acabou iniciando com quase uma hora de atraso. O grupo, formado por adultos e adolescentes, é regido pelo monsenhor Marcos Pavan. Natural de São Paulo, o maestro é o primeiro não italiano responsável pela direção musical do coral em mais de seis séculos. O programa começou com canto gregoriano e prosseguiu com outras peças sacras, como a Ave Maria, de Tomás Luis de Victoria (1548-1611). Com a igreja lotada, parte do público acompanhou a apresentação de pé.

— Para nós é uma alegria muito grande poder receber essa distinção do coral, que tem muito pouco tempo para apresentações fora do Vaticano, se servir da nossa igreja para também fazer uma apresentação —afirmou o pároco da igreja, Manoel Vieira.

Devoção à Nossa Senhora da Paz

As celebrações prosseguem neste domingo, com a tradicional Procissão de Nossa Senhora da Paz, realizada ininterruptamente há 105 anos. Às 16h30, a imagem da padroeira percorrerá as ruas de Ipanema acompanhada por crianças vestidas de anjos, coroinhas, jovens, famílias e fiéis, numa manifestação de fé que reúne gerações de moradores do bairro. As festividades serão concluídas com uma missa solene às 18h, presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom José Maria Pereira.

A devoção à Nossa Senhora da Paz tem raízes na própria história de Ipanema. Em 1917, os moradores escolheram santa, por meio de uma votação popular, como padroeira não apenas da igreja recém-construída, mas de todo o bairro, tradição que permanece viva até os dias atuais.

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Regente brasileiro e nomeado pelo Papa

A Cappella Musicale Pontificia Sistina é o chamado de 'Coro do Papa', por ser o grupo que canta nas principais celebrações litúrgicas do Vaticano, presididas pelo Sumo Pontífice. Formada por adultos e crianças, é também considerada a instituição musical mais antiga do mundo. Suas origens remontam ao século VI.

Monsenhor Marcos Pavan é o primeiro maestro não italiano responsável pela direção musical do coral em mais de 600 anos de história. Natural de São Paulo, Pavan estudou música na capital paulista, especializando-se em técnica vocal e canto gregoriano.

Cristo Redentor 'flutuando':

O regente também obteve o Fellowship Diploma em Regência Coral pelo National College of Music and Arts, em Londres. Em 1998, foi nomeado maestro dos Pueri Cantores (“Meninos Cantores”) da Capela Musical Pontifícia.

Mobilidade:

Em 2020, foi nomeado pelo então Papa Francisco maestro-diretor do Coro do Papa. Outro brasileiro presente na turnê é Alessio D’Aniello, natural de Araxá (MG), que faz parte do grupo dos 23 cantores adultos que viajam junto aos 29 Pueri Cantores, 6 acompanhantes, organista e maestro.

Com apresentações em diversos países, como Japão, Coreia do Sul, Hungria, Alemanha, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Canadá, o coral executa as mais importantes obras da tradição musical sacra ocidental, com mais de 1400 anos. O repertório abrange desde o canto gregoriano até a polifonia do Renascimento.

Os cantores executam ainda composições criadas especialmente para o coral ao longo dos séculos. São peças calibradas para a acústica da Capela Sistina, que se tornaram a referência técnica e estética da polifonia coral para toda a Europa. Na turnê no Brasil, também está sendo apresentada a obra em português “Alegrai-vos”, do Padre José Weber, grande expoente da música litúrgica brasileira.

O grupo que está no Brasil desde o começo do mês já se apresentou em São Paulo, Curitiba e Brasília. Cariocas que perderam a apresentação de Ipanema terão nova oportunidade neste sábado, quando o coral se apresentará, às 9h, na Igreja Nossa Senhora Mãe da Divina Providência, no Colégio Santo Antônio Maria Zaccaria, no Catete. Depois, segue de volta para São Paulo, onde tem mais duas agendas a cumprir.