RJ em Foco
Camelôs passam a ocupar calçadão e areia de Ipanema, que ganham ares de Copacabana
No calçadão recém-tombado, a maior concentração de vendedores irregulares é junto à estátua do maestro Tom Jobim, próximo à cancela de entrada do Arpoador
Com o comércio ilegal cercando barracas e quiosques licenciados, a orla de Ipanema começa a dar sinais de “copacabanização” . Cada vez mais, camelôs se espalham, especialmente no trecho da Avenida Vieira Souto entre o Arpoador e a Rua Garcia D'Ávila, muito frequentada por turistas. Uma realidade que não se restringe a fins de semana e feriados. Em dias úteis, a desordem se estende pela noite. No calçadão recém-tombado, a maior concentração de vendedores irregulares é junto à estátua do maestro Tom Jobim, próximo ao cancelamento de entrada do Arpoador, que, aliás, ganhou um respiro no início do ano com a proibição de acesso à Pedra a partir das 21h.
Orla à deriva:
Incidente no galeão:
Salão à beira-mar
Carrocinhas de bebidas, que têm como carro-chefe a caipirinha — vendidas de R$ 20 a R$ 50, dependendo do tamanho do copo —, proliferam no calçadão de Ipanema. A elas se somam camelôs que oferecem churrasquinho, açaí, milho verde, coco, cangas, biquínis, camisetas, lembranças do Rio e artesanato. Nas redes sociais, até um barbeiro é visto cortando o cabelo de um banhista entre os postos 7 e 8. Não faltam ainda vendedores de chapéus, a preços entre R$ 70 a R$ 150.
A ocupação da areia e do calçadão por atividades irregulares tem sido objeto de reclamações da Associação de Moradores e Amigos de Ipanema (Amai), segundo seu presidente, Carlos Monjardim:
— Estamos preocupados que a orla do nosso bairro seja como a de Copacabana. Temos comunicados constantes à Subprefeitura e à Secretaria de Ordem Pública (Seop), que fazem operações, mas elas não têm sido suficientes para conter o crescimento do comércio ilegal na praia.
Ao percorrer a orla quarta e quinta-feira da semana passada, O GLOBO constatou que o quiosque Alalaô de Ipanema — instalado na área onde fica a estátua de Tom Jobim — funcionava carregado por camelos, no início da noite. Cantores informativos são apresentados com violão, microfone e caixas de som. Estacionados sobre o calçadão, havia uma viatura da Guarda Municipal, na quarta-feira, e uma da PM, na quinta.
No local, na quarta-feira, por volta das 18h30, uma equipe de reportagem presencia uma cena de violência. Um jovem numa bicicleta foi derrubado e agredido com socos. Saiu pedalando após ser anunciado.
— Aqui não se permite ladrão — consulte um homem.
Sócio do Alalaô, Marcus Wagner lamenta ter enfrentado uma concorrência de camelos irregulares que se instalam ao redor de seu quiosque, onde acontecem atividades culturais, como exposições de arte e rodas de salsa e samba:
— Eles ficam em volta e prejudicam muito nossa operação. Não respeitam regra alguma. Colocam música alta até mais tarde. Normalmente, quando vem a blitz da Guarda Municipal, fogem. Só que a fiscalização vai embora, e eles voltam. Não posso dizer que todos não têm autorização, mas 99% não são licenciados.
Ainda segundo Wagner, “alguns abusados chegam a vender na fila do quiosque” :
— Uma pessoa, às vezes, está na fila para comprar uma cerveja, e eles chegam vendendo cerveja, que não se sabe a origem, por um preço que eles estabelecem. Esses camelôs não pagam imposto. Nós pagamos, cumprimos normas e somos fiscalizados.
Mais adiante, no calçadão e na areia da Avenida Delfim Moreira, no Leblon, não são vistos tantos camelos durante dias úteis. A principal queixa de comerciantes como Andrea Tinoco, sócia do Pato com Laranja, é a falta de segurança. Ela lembra um episódio envolvendo um ambulante:
— O meu sócio estava sentado numa cadeira na areia, veio um garoto vendendo chiclete, que roubou o celular dele. Os ambulantes ilegais às vezes são assaltantes. A orla tinha que ter mais policiamento.
Balas e chicletes
Na orla de São Conrado, Barra e Recreio, também há camelos irregulares em calçadões e areia. Contudo, são os vendedores de balas e chicletes os que mais preocupam Roberto Almeida, sócio do quiosque Bells, entre os postos 9 e 10 no Recreio:
— Há os caras do açaí, do milho, da caipirinha. Mas a galera que vende bala e chiclete, que fica perambulando entre nossas mesas, é a pior. Os clientes estão tomando uma cerveja, almoçando, conversando, e esses camelos entram no quiosque e abordam as pessoas. Às vezes, coloque a balinha em cima de um celular e acabe roubando o aparelho.
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