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Orla à deriva: camelôs ocupam calçadão e areia de Ipanema, ganhando ares de Copacabana

Comércio irregular cerca quiosques e barracas legalizadas, entre o Arpoador e a Rua Garcia D'Ávila

Agência O Globo - 06/07/2026
Orla à deriva: camelôs ocupam calçadão e areia de Ipanema, ganhando ares de Copacabana
- Foto: reprodução

Com o comércio ilegal cercando barracas e quiosques licenciados, a orla de Ipanema começa a dar sinais de “copacabanização” . Cada vez mais, camelôs se espalham, especialmente no trecho da Avenida Vieira Souto entre o Arpoador e a Rua Garcia D'Ávila, muito frequentada por turistas. Uma realidade que não se restringe a fins de semana e feriados. Em dias úteis, a desordem se estende pela noite. No calçadão recém-tombado, a maior concentração de vendedores irregulares é junto à estátua do maestro Tom Jobim, próximo ao cancelamento de entrada do Arpoador, que, aliás, ganhou um respiro no início do ano com a proibição de acesso à Pedra a partir das 21h.

Patrimônio:

Cartão postal:

Salão à beira-mar

Carrocinhas de bebidas, que têm como carro-chefe a caipirinha — vendidas de R$ 20 a R$ 50, dependendo do tamanho do copo — proliferam no calçadão de Ipanema. A elas se somam camelôs que oferecem churrasquinho, açaí, milho verde, coco, cangas, biquínis, camisetas, lembranças do Rio e artesanato. Nas redes sociais, até um barbeiro é visto cortando o cabelo de um banhista entre os postos 7 e 8. Não faltam ainda vendedores de chapéus, a preços que variam entre R$ 70 e R$ 150.

A ocupação da areia e do calçadão por atividades irregulares tem sido objeto de reclamações da Associação de Moradores e Amigos de Ipanema (Amai), segundo seu presidente, Carlos Monjardim:

— Estamos preocupados que a orla do nosso bairro seja como a de Copacabana. Temos comunicados constantes à Subprefeitura e à Secretaria de Ordem Pública (Seop), que realizam operações, mas elas não têm sido suficientes para conter o crescimento do comércio ilegal na praia.

Ao percorrer a orla quarta e quinta-feira da semana passada, O GLOBO constatou que o quiosque Alalaô de Ipanema — instalado na área onde fica a estátua de Tom Jobim — funcionava carregado por camelos, no início da noite. Cantores informativos são apresentados com violão, microfone e caixas de som. Estacionados sobre o calçadão, havia uma viatura da Guarda Municipal, na quarta-feira, e uma da PM, na quinta.

No local, na quarta-feira, por volta das 18h30, uma equipe de reportagem presencia uma cena de violência. Um jovem numa bicicleta foi derrubado e agredido com socos. Saiu pedalando após ser anunciado.

— Aqui não se permite ladrão — consulte um homem.

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Sócio do Alalaô, Marcus Wagner lamenta ter enfrentado uma concorrência de camelos irregulares que se instalam ao redor de seu quiosque, onde acontecem atividades culturais, como exposições de arte e rodas de salsa e samba:

— Eles ficam em volta e prejudicam muito nossa operação. Não respeitam regra alguma. Colocam música alta até mais tarde. Normalmente, quando vem a blitz da Guarda Municipal, fogem. Só que a fiscalização vai embora, e eles voltam. Não posso dizer que todos não têm autorização, mas 99% não são licenciados.

Ainda segundo Wagner, “alguns abusados ​​chegam a vender na fila do quiosque”:

— Uma pessoa, às vezes, está na fila para comprar uma cerveja, e eles chegam vendendo cerveja, que não se sabe a origem, por um preço que eles estabelecem. Esses camelôs não pagam imposto. Nós pagamos, cumprimos normas e somos fiscalizados.

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Mais adiante, no calçadão e na areia da Avenida Delfim Moreira, no Leblon, não são vistos tantos camelos durante dias úteis. A principal queixa de comerciantes como Andrea Tinoco, sócia do Pato com Laranja, é a falta de segurança. Ela lembra um episódio envolvendo um ambulante:

— O meu sócio estava sentado numa cadeira na areia, veio um garoto vendendo chiclete, que roubou o celular dele. Os ambulantes ilegais às vezes são assaltantes. A orla tinha que ter mais policiamento.

Balas e chicletes

Na orla de São Conrado, Barra e Recreio, também há camelos irregulares em calçadões e areia. Contudo, são os vendedores de balas e chicletes os que mais preocupam Roberto Almeida, sócio do quiosque Bells, entre os postos 9 e 10 no Recreio:

— Há os caras do açaí, do milho, da caipirinha. Mas a galera que vende bala e chiclete, que fica perambulando entre nossas mesas, é a pior. Os clientes estão tomando uma cerveja, almoçando, conversando, e esses camelos entram no quiosque e abordam as pessoas. Às vezes, coloque a balinha em cima de um celular e acabe roubando o aparelho.