RJ em Foco
Greve dos ônibus é suspensa até segunda-feira enquanto negociações continuam
Categoria segue em estado de greve, mas circulação deve ser normalizada já na quinta-feira
Após assembleia realizada na tarde desta quarta-feira, o Sindicato dos Rodoviários do Rio (Sintrucad-Rio) decidiu suspender temporariamente a greve até a próxima segunda-feira. A categoria permanece em estado de greve. Na terça-feira, os rodoviários já haviam realizado uma assembleia em que rejeitaram a proposta de acordo. Na reunião dos trabalhadores — desta vez realizada na sede social do sindicato, em Rocha Miranda — os rodoviários decidiram atender a um pedido feito mais cedo pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ) para interromper o movimento, mantendo o estado de greve até a próxima segunda-feira, quando será realizada uma nova audiência de conciliação para apresentação de propostas entre as partes. A paralisação, no entanto, poderá ser retomada na semana que vem caso não haja avanço nas negociações com o Rio Ônibus, entidade que representa as empresas do setor.
Paralisação:
Disputa de poder:
O impasse ocorre porque, do lado dos rodoviários, a reivindicação é de aumento de 17% para funções gerais e fixação dos pisos salariais em R$ 5 mil para motoristas do BRT e R$ 4 mil para os condutores das demais linhas, além de reajuste no vale-alimentação. O Sindicato das Empresas de Ônibus (Rio Ônibus), no entanto, manteve a proposta de reajuste inicial de 4,39%.
— Terminamos agora a assembleia aqui em Rocha Miranda, uma assembleia muito tensa, muito difícil. Os trabalhadores rodoviários estão realmente muito mobilizados e revoltados com as condições de trabalho e com esse salário muito ruim, e ticket alimentação insatisfatório. Eles não abrem mão das nossas reivindicações, mas conseguimos mostrar para o trabalhador que a proposta do Ministério Público e do tribunal, para que fizéssemos uma trégua até segunda-feira para se instalar uma mesa de negociação com a mediação do tribunal, pode trazer avanços. No entanto, o estado de greve está mantenido. Se não vier uma proposta decente, certamente poderá haver uma nova greve na semana que vem — afirmou Sebastião, presidente do Sindicato dos Rodoviários, em vídeo gravado após a assembleia.
A mesma proposta já havia sido apresentada pelo tribunal na terça-feira, mas os rodoviários rejeitaram a medida e decidiram manter a paralisação. Na primeira assembleia, realizada na rua, logo após a reunião, houve confusão, bate-boca e ânimos exaltados, com ovos atirados contra carros do sindicato. Os grevistas ainda abordaram ônibus que estavam circulando, e passageiros chegaram a ser retirados dos coletivos. Segundo o Rio Ônibus, 15 veículos foram vandalizados e rodoviários que estavam trabalhando, hostilizados.
Crimes em 1996 e 2006:
O terceiro dia de greve dos rodoviários voltou a registrar transtornos para quem depende dos ônibus municipais do Rio. No terminal rodoviário de Deodoro, na Zona Oeste, houve grande movimento de passageiros nas primeiras horas desta quarta-feira. O vigia Carlos Augusto da Costa, de 64 anos, era uma das pessoas que aguardava na fila de embarque da linha 754 (Deodoro X Santa Cruz via Palmares) para conseguir ir para casa. Após 35 minutos de espera, ele decidiu embarcar em outro coletivo.
— Pego o ônibus das 5h todos os dias. Fiquei 40 minutos aqui esperando e nada de ele aparecer. Vou no 388 (Deodoro x Casarão). Vou descer na Avenida Brasil e tento a sorte lá com outra condução — contou.
Vans superlotadas
Uma fila de aproximadamente 30 metros, com dezenas de passageiros, aguardava ônibus em um terminal ao lado do Shopping Taquara, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio, por onde passam ou saem sete linhas. A maioria aguardava os coletivos da linha 954 (Taquara X Recreio). Por volta das 7h, o zelador Ademir Zerpa, de 42 anos, relatou que estava há 40 minutos no ponto.
— Trabalho no Recreio e pego às 8h. Estou aqui desde as 6h. Já avisei que vou chegar atrasado — disse.
50% da frota circulando
Na noite de terça-feira, a pedido da prefeitura, o Tribunal Superior do Trabalho determinou que as empresas de ônibus coloquem nas ruas, no mínimo, 80% da frota por linha e itinerário durante toda a greve.
O Rio Ônibus informou que, por volta das 9h desta quarta-feira, 1.700 ônibus — cerca de 50% da frota — estavam rodando nas ruas. De acordo com o sindicato, "o cumprimento da determinação da Justiça do Trabalho de colocar um percentual mínimo em operação tem sido dificultado pelo Sindicato dos Rodoviários, que não encaminhou para os motoristas as escalas com a indicação de quais profissionais deveriam trabalhar para atender a frota mínima exigida".
"Os consórcios fazem um apelo a todos os motoristas e rodoviários para que compareçam imediatamente às suas garagens e iniciem o trabalho. Lembramos a importância de atender a determinação da Justiça, que exige pelo menos 80% da frota nas ruas. A população carioca não pode ficar mais um dia a pé", afirmou a entidade em nota.
A Polícia Militar informou que, de acordo com o Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE), na manhã desta quarta-feira, agentes da unidade reforçam o policiamento nas vias expressas, visando à segurança dos usuários nas estações de BRT, em garagens de empresas e em pontos de ônibus específicos.
Trens, metrô e BRT
Como consequência da manutenção da greve, a Trens RJ afirmou, na noite de ontem, que disponibilizará hoje “30 viagens além da grade convencional, com redução dos intervalos nos horários de maior demanda”. Já o MetrôRio avisou que irá reforçar a oferta de composições no sistema “em caso de aumento no número de passageiros”.
A Mobi-Rio informou que dos 541 veículos projetados para operar na hora pico nesta quarta-feira — entre 6h e 7h —, um total de 502 estavam em circulação. Esse número representa 92% da operação programada, afirmou a empresa.
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