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Greve de rodoviários no Rio segue sem acordo; nova mediação será na segunda-feira

Rio Ônibus informou que 1.400 coletivos estão em circulação, abaixo do mínimo de 50% da frota determinado pela Justiça

Agência O Globo - 30/06/2026
Greve de rodoviários no Rio segue sem acordo; nova mediação será na segunda-feira
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Após audiência de conciliação terminar sem acordo, rodoviários e empresas de ônibus do Rio de Janeiro seguem sem entendimento, e a greve da categoria foi mantida nesta terça-feira, segundo dia de paralisação. De acordo com o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), uma nova audiência de mediação foi marcada para a próxima segunda-feira (6).

Os trabalhadores rejeitaram o fim da paralisação após uma assembleia marcada por confusão. Passageiros chegaram a ser retirados de ônibus depredados no Centro do Rio. Pela manhã, os usuários do transporte público enfrentaram dificuldades ao se deslocar em diferentes regiões da cidade.

Greve continua

Greve de ônibus no RJ

O Centro de Operações de Resiliência (COR), da Prefeitura do Rio, orienta a população a dar preferência ao deslocamento por metrô, trens e barcas, serviços que operam normalmente. O Rio Ônibus informou que havia 1.400 ônibus em circulação, número ainda abaixo do mínimo de 50% da frota determinada pela Justiça. Segundo a entidade, o total representa mais que o dobro do registado no mesmo horário de segunda-feira. Durante a madrugada, não houve novos registros de vandalismo.

Ainda conforme o Rio Ônibus, os consórcios reforçaram o apelo para que motoristas e demais rodoviários compareçam às garagens e cumpram a decisão judicial que determina a operação de pelo menos metade da frota.

Queixas continuam

Enquanto isso, os passageiros seguem relatando transtornos. Em uma publicação nas redes sociais, um usuário afirmou que não encontrou nenhum veículo da linha que eu precisava.

"Nunca passei pela greve de ônibus e, de fato, não tem uma unidade do ônibus que eu preciso. Detalhe: só posso pegar um", escreveu. Outro usuário relatou falta de coletivos em Realengo: "Mais um dia de greve de ônibus e literalmente não passa uma linha. Aqui em Realengo, os pontos estão lotados".

Imagens compartilhadas nas redes sociais também mostram pontos de ônibus cheios em diferentes regiões da cidade.

Às 5h22, um usuário causou confusão entre os rodoviários: “Pau quebrando dentro do ônibus, uma rapaziada de greve, outros querendo trabalhar, e eu aqui igual uma sardinha dentro da lata”.

Na Avenida Brasil, os pontos de ônibus no sentido Centro já estavam lotados antes das 6h. Na passarela 9, na altura de Bonsucesso, na Zona Norte, bolsas de pessoas aguardavam transporte. No ponto em frente à Fiocruz, na passarela 6 da via expressa, os passageiros esperavam há mais de 50 minutos pelo ônibus da linha 483. Segundo quem estava no local, o coletivo costuma passar a cada 20 minutos.

"Só passei dois ônibus lotados, que não deu nem para entrar. Hoje é complicado", disse uma passageira.

No Terminal Gentileza, as filas se multiplicavam, e os passageiros cogitavam desistir de ir ao trabalho.

“Está mais fácil desistir de ir para o trabalho, pois não sei se vou chegar a tempo de bater o ponto”, afirmou uma passageira que estava na terceira fila formada para os ônibus das linhas 606 e SV606. "Eu não vou conseguir chegar no trabalho. E até o BRT é difícil, só está tendo o rápido", contou ela, que preferiu não se identificar.

Eduardo Cavaliere orientou a população a optar por trens, metrô ou barcas sempre que possível.

“Quem mora próximo ao metrô, ao trem e às barcas, eles são uma alternativa ao sistema de ônibus comum, que está com funcionamento irregular. Então, quem pode optar por esses modais certamente não vai ter qualquer intercorrência. No caso dos BRTs, a mensagem aos cariocas é que eles estão funcionando com 70% da frota. Isso está dando vazão, claro que não é o ideal, não é o tempo de intervalo ideal. A gente não tem o mesmo serviço expresso funcionando com a mesma frequência de um dia comum, mas, para um dia como hoje, que é atípico, os BRTs estão funcionando dentro do aceitável”, afirmou, em entrevista ao “Bom Dia Rio”, da TV Globo.

Ele também criticou o descumprimento da determinação judicial por parte de empresas e rodoviários.

"Infelizmente, os ônibus comuns, mais uma vez, não cumprem a decisão judicial. O que a gente defende sempre é que as decisões judiciais sejam cumpridas. E a gente espera que não só a decisão seja cumprida, como o descumprimento também tenha consequências", declarou.

Reforço nos trens e no metrô

O TrensRJ informou que preparou uma operação especial, com reforço na oferta de viagens em todo o sistema nesta terça-feira, em função da greve. Segundo a transportadora, ao longo do dia serão disponibilizadas 30 viagens extras além do nível convencional, com redução dos intervalos entre trens nos horários de maior demanda, especialmente pela manhã e à tarde.

A operação também contará com reforço das equipes de estações, segurança, manutenção e monitoramento operacional, com atuação voltada à orientação e ao suporte aos passageiros durante o período de maior fluxo. O TrensRJ informou ainda que monitorará a movimentação nas estações em tempo real e poderá realizar ajustes operacionais adicionais, se necessário, para garantir mais fluidez e segurança.

Veja como está a circulação nos ramos:

Ramal Japeri: intervalo médio de 8 minutos.

Ramal Santa Cruz: intervalo médio de 9 minutos.

Ramal Deodoro: intervalo médio de 8 minutos.

Ramal Saracuruna: Gramacho x Central do Brasil com intervalo médio de 12 minutos; Saracuruna x Gramacho com intervalo médio de 30 minutos.

Ramal Belford Roxo: intervalo médio de 15 minutos.

O MetrôRio informou que segue com a operação reforçada nesta terça-feira.

BRT

A MOBI-Rio informou que, às 6h desta terça-feira, o sistema BRT registrou aumento de 26% da frota em operação na comparação com segunda-feira. Segundo a companhia, nos horários de pico de segunda-feira a frota atingiu 68% do plano operacional previsto.

De acordo com a MOBI-Rio, dos 541 articulados que costumam circular nesse horário, 361 estavam nas ruas, o que representa 67% da operação programada.

Paralisação

Os rodoviários reivindicam piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus rodoviários, R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados, aumento no vale-alimentação e ampliação da jornada de trabalho em escala 5x2.

No sábado, o TRT-1 cumpriu a legalidade da greve e negou o pedido do Rio Ônibus para declarar a paralisação ilegal. A desembargadora Maria Helena Motta determinou que pelo menos 50% da frota de cada linha permaneça em circulação e fixe uma multa de R$ 50 mil para ambos os sindicatos em caso de descumprimento.

A magistrada também proibiu as empresas de contratar motoristas temporários para enfraquecer o movimento e demitir funcionários que aderirem à greve. O pedido para impedir descontos salariais será analisado posteriormente.

"O direito de greve é ​​garantia constitucional de extrema relevância, contudo deve coexistir harmoniosamente com a continuidade das atividades essenciais indispensáveis ​​ao atendimento das necessidades da comunidade. O transporte público urbano funciona como um serviço de suporte básico e sua interrupção integral inviabilizaria a mobilidade dos cidadãos e comprometeria o funcionamento de outros setores específicos, tais como hospitais, escolas e serviços de segurança pública. A extensão geográfica e a densidade demográfica do Município do Rio de Janeiro exigia um patamar de contingência superior para evitar o colapso completo da mobilidade urbana", afirmou a desembargadora.