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Ex-companheiras de Jairinho veem condenação como reconhecimento de denúncias: ‘Vai ter justiça ainda’
Testemunhas ouvidas durante o julgamento da morte de Henry Borel relatam alívio após sentença e dizem que decisão representa resposta a relatos de violência que permaneceram silenciados por anos
A condenação de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, a mais de 43 anos de prisão pela morte de Henry Borel foi recebida com "alívio" por mulheres que relataram ao júri episódios de violência e agressões envolvendo o ex-vereador. Ao GLOBO, duas testemunhas levadas pela acusação ao julgamento — entre elas a mãe de uma jovem que também prestou depoimento no caso — disseram que o veredito representa não apenas justiça para o menino morto aos 4 anos, em março de 2021, mas também um reconhecimento tardio de denúncias que, segundo elas, permaneceram sem resposta por anos.
Jairinho é condenado a 43 anos
Réus interrogados:
Uma delas é Débora Saraiva, ex-namorada de Jairinho e mãe de Enzo, que, de acordo com seu depoimento ao II Tribunal do Júri, também teria sofrido agressões quando criança. Durante o julgamento, Débora contou que o filho fez um desenho retratando o padrasto o torturando e sorrindo. Ela também relatou episódios de violência doméstica durante o relacionamento, que durou de 2014 a 2020, e afirmou ter sido pressionada pelo ex-vereador e por familiares dele a depor em sua defesa.
Débora disse que, ao saber da condenação de Jairinho ainda na manhã de quinta-feira, sentiu um misto de "justiça e alívio".
— Acordei com a notícia de que a pena dele foi de 43 anos. Na hora agradeci a Deus, porque é um sentimento de justiça e de alívio. A justiça está começando por meio do Henry. Justiça para o Henry e justiça para os próximos casos também. E essa condenação mostra todas as atrocidades que ele fez não só com outras crianças, incluindo o meu filho, mas também com outras mulheres — afirmou.
‘Uma mãe não mata seu filho’,
A ex-companheira disse acreditar que a condenação no caso Henry não será a última envolvendo o ex-vereador.
— Ele há de ser condenado em outros processos, como o meu e o do meu filho. Vai ter justiça ainda.
Segundo Débora, as consequências dos episódios vividos pela família permanecem até hoje. Ela contou que Enzo precisou de acompanhamento psiquiátrico e faz uso de medicação controlada. "A gente está reconstruindo a nossa vida. Principalmente depois que tudo isso voltou para a mídia, ele ficou muito nervoso", contou. Hoje, ela comanda o Instituto Florescer Mulher, voltado ao acolhimento de mulheres vítimas de violência e seus filhos.
'Hoje creio que quem matou meu filho foi o Jairo':
Outra testemunha que acompanhou o desfecho do julgamento foi Natasha Oliveira, ex-namorada de Jairinho e mãe de Kaylane Oliveira. Durante o julgamento, Natasha relatou ter sofrido manipulação psicológica ao longo do relacionamento com o ex-vereador. Já Kaylane prestou depoimento afirmando ter sido agredida pelo então padrasto quando era criança. Ao comentar a sentença, Natasha afirmou ter experimentado sentimentos contraditórios.
— Foi uma sensação estranha de alívio e medo. Medo do que pode acontecer porque falamos da nossa história, e alívio por saber que ele não vai mais fazer isso com ninguém. Tudo o que aconteceu comigo, com minha filha e as consequências disso estão encerradas. Não vão mais acontecer.
'Mamãe, o Jairo me empurrou e eu caí da cama',
Apesar disso, Natasha admite que o receio permanece:
— Eu não posso negar que tenho medo, que ele ainda pode fazer alguma coisa com a gente. Mas, ao mesmo tempo, saber que ele não vai mais fazer isso com ninguém gera um grande alívio. Dessa vez eu pude ajudar minha filha a ter a justiça dela, algo que não consegui fazer anos atrás por medo dele.
Monique nega relato da babá sobre agressões a Henry:
Kaylane preferiu não comentar diretamente a condenação. Segundo a mãe, a jovem evita falar sobre o assunto desde que revelou as agressões que diz ter sofrido quando criança.
— Todos esses anos nós prometemos nunca mais falar, relembrar ou tocar nesse assunto. Ela não conseguiu falar mais sobre isso comigo nem com ninguém. Nenhuma amiga dela sabe.
Julgamento do caso Henry:
Para Natasha, o que levou a filha a prestar depoimento foi a sensação de que, se tivesse denunciado os fatos anos antes, a morte de Henry talvez pudesse ter sido evitada. A mãe afirmou que acompanhar o sofrimento da filha ao longo dos anos foi uma das experiências mais difíceis de sua vida.
— Foi uma das coisas mais difíceis da minha vida ver como ela ficou durante todos esses anos, remoendo tudo. Principalmente nos dias de audiência. Uma impotência terrível estar na frente dele e não poder tirar ela correndo daquele lugar. Sei o quanto ela sofre por dentro com isso — lamentou.
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