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Pagamento exclusivo com cartão Jaé nos ônibus do Rio divide opiniões

Mudança passa a valer a partir de 30 de maio e gera reações diversas entre passageiros

Agência O Globo - 13/05/2026
Pagamento exclusivo com cartão Jaé nos ônibus do Rio divide opiniões
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O anúncio de que, a partir de 30 de maio, o pagamento das passagens nos ônibus municipais do Rio de Janeiro será feito exclusivamente pelo cartão Jaé ou aplicativo tem gerado debates entre os usuários do transporte público. Enquanto alguns passageiros apoiam a medida, outros expressam preocupações quanto à adaptação e à exclusão de quem não tem acesso à tecnologia. O município argumenta que a decisão busca ampliar o controle e a transparência da arrecadação tarifária, reduzir o tempo de embarque, eliminar o manuseio de dinheiro pelos motoristas e aumentar a segurança nos veículos.

Opiniões divididas

Carlos Antônio da Silva, técnico em logística e morador da Rocinha, apoia a mudança. "Acho necessário desocupar o motorista dessa função (receber a passagem em dinheiro). É a tecnologia ajudando o homem. Em outras capitais já é assim. Sei que tem pessoas que enfrentarão dificuldades, mas o cidadão tem de acompanhar a evolução. O BRT e o VLT já funcionam dessa forma, e os ônibus precisam acompanhar", afirma.

Já a babá Sabrina de Souza, moradora de Guadalupe, discorda. Ela critica principalmente o prazo curto para adaptação dos passageiros, anunciado cerca de 15 dias antes da entrada em vigor. Sabrina ressalta que a medida prejudica quem utiliza o transporte municipal esporadicamente, como turistas e moradores de cidades vizinhas. "O tempo é curto. Os passageiros precisavam de um prazo maior para se adaptarem. Os mais prejudicados serão as pessoas de mais idade e com pouca intimidade com a tecnologia, que terão dificuldade, por exemplo, para baixar o aplicativo que substituirá o cartão Jaé. Esse é também o caso de quem é de outra cidade", avalia.

Isabelly Lucas Alves, jovem aprendiz de Belford Roxo, também considera o período de adaptação insuficiente: "Soube da medida hoje pela manhã, através da minha mãe. O tempo de adaptação é muito curto. Praticamente 15 dias apenas".

Herick Enzo Andrade Alves, morador do Complexo do Alemão, concorda com a prefeitura e acredita que o pagamento digital já faz parte da rotina da maioria. "Eu mesmo não uso mais dinheiro. As pessoas mais velhas podem ter dificuldade, mas há a opção do cartão de gratuidade. Pego ônibus todos os dias e vejo poucas pessoas pagando com dinheiro", relata.

Preocupações com a operação do sistema

Marinalva Batista, do Complexo da Maré, não sabia da mudança e teme prejuízos para quem perder o cartão: "E se eu perder o cartão, como fica? Vai ser prejudicial".

O vendedor Alessandro Augusto Cardoso, de Ramos, vê vantagens e desvantagens. Para ele, o embarque tende a ser mais rápido, mas alerta que o sistema não pode falhar. "Já houve reclamações de casos em que, mesmo com o cartão com crédito, o passageiro era recusado na catraca. Havia mais queixas no início do Jaé. Só acho que, para dar certo, o sistema tem que funcionar direito", sugere. Para Alessandro, a medida traz mais praticidade ao motorista, que deixa de se preocupar com troco e pode focar na direção.

O pedreiro Marcos Santana, do Engenho da Rainha, defende a liberdade de escolha no pagamento: "O passageiro tem de ter todas as opções. Uma vez fui usar o BRT e, como não tinha o cartão e não valia a pena comprar um, precisei recorrer à boa vontade de outra passageira. Depois fiz um Pix para ela".

Por outro lado, o camelô Fabiano Braun, de Realengo, considera a mudança uma evolução inevitável: "É aceitar e torcer para dar certo".