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Prefeitura muda projeto do Praça Onze Maravilha e desiste de mergulhão na Avenida Presidente Vargas
Emendas negociadas com o governo reduzem gabarito de prédios nas imediações de Santa Teresa e prevê recursos para recuperar Vila Operária no Estácio
A Prefeitura do Rio desistiu do plano de criar um como parte de uma série de intervenções para reorganização do trânsito que serão permitidas dentro do projeto Praça Onze Maravilha, que prevê a demolição do Elevado 31 de Março, que liga a Zona Sul do Rio a outros pontos da cidade. No entanto, a ideia de substituir o elevado por um mergulhão nos acessos de entrada e saída do Túnel Santa Bárbara está mantida, mas apenas até as imediações da Rua Benedito Hipólito.
Passagens de
Após ser acusado de xenofobia,
A ideia inicial, que foi confirmada pelos técnicos da prefeitura e revelada pela GLOBO, era criar uma espécie de via expressa até o Santo Cristo sem sinais, o que exigiria rebaixar a Avenida Presidente Vargas. A decisão de viabilizar uma alternativa partiu do prefeito Eduardo Cavaliere e foi oficializada pela Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPAR), no fim da semana passada, à Construtora Cury, que faz o detalhamento do plano urbanístico.
— Jamais cheguei a aprovar a versão com dois mergulhões. Considere que a melhor solução é a integração única. Os motoristas aguardariam o sinal de trânsito para atravessar a Avenida Presidente Vargas. Podemos ter, sim, um “mergulhinho” para reorganizar os acessos ao Santo Cristo — explicou Eduardo Cavaliere.
A ideia do Praça Onze Maravilha é que, com a venda de terrenos públicos que surgirão com a demolição do 31 de Março, os recursos arrecadados sejam usados para financiar o plano urbanístico, que inclui a implantação de um boulevard que teria o Sambódromo como uma das âncoras do projeto de revitalização, ao lado da futura Biblioteca dos Saberes, projeto do arquiteto Francis Kéré, de Burkina Faso, a ser implantado na área do Terreirão do Samba.
O município trabalha com a ideia de demolir ou elevar até 2028. Para obter os recursos para o projeto, estimados em R$ 1,75 bilhão, isso vai exigir mudanças nas regras de construção não apenas no Catumbi, como também na Praça Onze e na Cruz Vermelha. Ontem, na Câmara de Vereadores do Rio, técnicos da prefeitura analisaram mais de cem emendas ao projeto de lei propondo alterações urbanísticas para a região.
Alerj exonera
Entre as principais alterações, acatadas pelo Executivo, está uma mudança sugerida pelo vereador Pedro Duarte (PSD), presidente da Comissão de Assuntos Urbanos, que será apresentado pelo próprio Executivo. Ela altera o gabarito de 92 metros (30 andares), proposta inicialmente para construções em terrenos nas imediações de Santa Teresa, para algo em torno de sete andares.
O gabarito original virou motivo de controvérsia. Os Moradores de Santa Teresa iniciaram um movimento contrário à proposta para entender que os prédios poderiam obstruir a visão do bairro, em especial do Largo das Neves, criando uma espécie de paredão de concreto. Uma consulta ao Comando da Aeronáutica (Comaer) revelou ainda que prédios tão altos naquela região não seriam possíveis porque estão no cone de proximidade do Aeroporto Santos Dumont. O limite máximo liberado para a região é de 48,7 metros.
— Outras emendas terão o aval do governo no plenário. Uma delas prevê que não haja remoção de moradores da região da operação urbana, mas que, em caso de necessidade, eles serão obrigatoriamente reassentados na própria Região Central do Rio — explicou Duarte.
Prefeitura Municipal
O governo aprovou ainda a inclusão, no texto, de uma proposta do presidente Carlo Caiado (PSD), que condiciona a venda do terreno onde hoje fica a Cidade do Samba das escolas do Grupo Especial somente depois de um novo espaço ser construído nas proximidades da Avenida Presidente Vargas, como prometeu a prefeitura, como parte da Praça Onze Maravilha.
— A mudança vai facilitar bastante a logística da Cidade do Samba. Com um novo espaço, isso abriria a possibilidade de termos atividades por tempo integral, promovendo o carnaval o ano inteiro — explicou o presidente Carlo Caiado.
Reforma da Vila Operária
Duarte acrescentou que outra emenda à qual o governo deu aval vai viabilizar a destinação de recursos para a regularização fundiária e a reforma da Vila Operária Salvador de Sá, no Estácio. A recuperação do conjunto habitacional, o primeiro de habitação popular do Brasil, vem sendo prometida há mais de 20 anos pelo município e nunca saiu do papel.
O conjunto foi construído em 1906, na gestão do então prefeito Pereira Passos, para abrigar ex-moradores de cortiços removidos do centro do Rio para a abertura da Avenida Rio Branco. O espaço, que ainda pertence à prefeitura, tem 94 casas e apartamentos, onde vivem cerca de 120 famílias em sobrados geminados.
Caiado explicou também que há outras propostas de emendas ainda sob análise do governo, de sua autoria ou como coautor. Entre elas, inclua nas diretrizes gerais — não de forma impositiva — a possibilidade de destinar recursos do projeto para ajudar a concluir a ligação Estácio-Carioca do Metrô e expandir o VLT até o Catumbi. Há em discussão ainda propostas para criação da construção de habitações populares para as faixas 1 e 2 do Minha Casa, Minha Vida.
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