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'Estou com pressentimento ruim': suspeita de matar enteada de 12 anos enviou mensagens alertando sobre perigo
Na manhã do crime, Bianca Martins da Silva Oliveira enviou mensagens à mãe da vítima falando em separação e alertando que a menina era "alvo fácil nesse mundo ridículo"
A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou que, horas antes do assassinato da adolescente Myrella, Bianca Martins da Silva Oliveira, suspeita do crime e companheira da mãe da vítima, enviou mensagens em tom de alerta para a mãe da menina. Presa no último sábado, Bianca relatou um “pressentimento ruim” sobre a segurança da enteada. Segundo testemunhas ouvidas pela polícia, o relacionamento entre Bianca e Vitória, mãe de Myrella, era conturbado, com discussões frequentes.
Histórico de medo e tensão familiar
Myrella foi encontrada morta nos fundos da casa onde residia, no Morro do Pau Branco, em Vilar dos Teles, São João de Meriti, Baixada Fluminense. Apesar de ter sido socorrida ao Hospital Municipal de Meriti, ela não resistiu aos ferimentos. Em depoimento, a tia da vítima revelou que Myrella expressava medo da madrasta e desejava sair de casa.
'Alvo nesse mundo ridículo'
No dia do crime, Bianca enviou à mãe de Myrella mensagens dizendo que a menina era “avoadinha” e um “alvo fácil nesse mundo ridículo”.
“Dona 7 já falou, Nego Preto já avisou em sonhos. Só se ligar nisso. Depois o que resta vai ser chorar. Ela tem a cabeça fraca, qualquer um leva ela na conversa. Muito avoadinha, acha que sabe de tudo, mas não sabe de nada dessa vida ainda. Alvo fácil nesse mundo ridículo”, escreveu Bianca.
Mensagens de despedida e alerta
Logo após trocarem mensagens em tom de despedida, Bianca voltou a mencionar Myrella: “Espero que fique tudo bem, espero que você seja feliz. Só toma cuidado nesses intervalos em que Myrella vai para a rua, porque pode acontecer muita coisa”, alertou.
De acordo com a polícia, essas mensagens foram trocadas entre 7h e 9h da manhã. Por volta das 11h, Bianca enviou novo recado: “Falou com eles. Estou com pressentimento ruim”. Cerca de 17 minutos depois, acrescentou: “Estou no ônibus”.
Contradições no depoimento
No início das investigações, Bianca declarou à polícia que havia saído de casa cedo para uma entrevista de emprego e só retornou por volta do meio-dia. Segundo ela, ao chegar, ninguém atendeu ao chamado, e por isso pulou o muro e encontrou a casa “revirada”.
Após perceber o desaparecimento de Myrella, Bianca comunicou Vitória, que retornou ao local. Juntas, iniciaram as buscas e encontraram a adolescente já sem vida.
Investigações e laudo
Inicialmente, a hipótese era de que a casa teria sido invadida por um homem que estuprou e matou Myrella. No entanto, o laudo de necropsia, divulgado no sábado, apontou ausência de sinais de violência sexual.
Durante as diligências, uma testemunha afirmou à polícia que Bianca estava em casa às 11h26 — o mesmo horário em que Vitória falou pela última vez com a filha ao telefone. Diante das informações e das contradições nos depoimentos de Bianca, a Justiça decretou sua prisão. As investigações seguem em andamento.
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