RJ em Foco
Uso de carro blindado na transferência de Bacellar provoca queda de coordenador e levanta suspeitas de interferência
Fontes da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) afirmam que ação contrariou ordem expressa de que o ex-presidente da Alerj fosse transferido em uma Ranger caracterizada.
A exoneração do coordenador regional de presídios João Henrique Marques da Silva, após a transferência do ex-deputado Rodrigo Bacellar em um carro blindado particular, expôs uma disputa de versões dentro da Secretaria de Polícia Penal do Rio (Seppen) e levantou suspeitas sobre possíveis interferências externas no caso.
TCU investiga participação de servidores públicos
Oficialmente, a secretaria afirma que houve descumprimento de uma ordem direta. Bacellar deveria ter sido transferido da Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, o Bangu 8, em uma viatura oficial — uma caminhonete Ranger caracterizada, com identificação da pasta e escolta. No entanto, ele foi transportado em um Corolla blindado, veículo de uso administrativo e pessoal do coordenador, padrão semelhante ao utilizado por integrantes da cúpula da secretaria.
A decisão resultou na exoneração de Marques ainda na terça-feira, após a pasta considerar o procedimento irregular.
Nos bastidores, entretanto, o caso está longe de ser consensual. Fontes ligadas à cúpula da secretaria, sob condição de anonimato, afirmam que o coordenador agiu “à revelia” da orientação institucional. Segundo relatos, a determinação expressa era pelo uso de viatura oficial identificada, reforçada inclusive em comunicação direta ao servidor.
De acordo com interlocutores, há registro de um áudio em que a orientação é clara: Bacellar deveria ser tratado com correção, mas transportado dentro do protocolo, em veículo da Seppen e com escolta.
Ainda assim, a avaliação interna é de que Marques não teria tomado a decisão sozinho. Outra linha de apuração aponta que o coordenador pode ter recebido orientações externas de um político influente, próximo a Bacellar, para realizar o transporte de forma diferente do previsto.
Também pesa no pano de fundo a posição da própria secretária da pasta, Maria Rosa Lo Duca Nebel, que, segundo relatos, não teria sido informada previamente da mudança no protocolo e reagiu com irritação ao tomar conhecimento do caso. A exoneração de Marques teria partido dela.
Prisão de Bacellar
Bacellar deu entrada no sistema prisional no dia 27 de março, permanecendo inicialmente no setor de classificação da unidade de Benfica, sem ser encaminhado a uma cela comum. No dia seguinte, após audiência de custódia, voltou a uma sala administrativa da cadeia, antes de ser transferido.
Segundo a Seppen, o ex-deputado foi recebido pelo próprio Marques, responsável pela coordenação das unidades prisionais do Grande Rio, que conduziu pessoalmente o deslocamento até Bangu 8.
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