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Polícia Civil aponta que vereador preso por suspeita de negociar campanha com facção recebeu 11 depósitos acima de R$ 100 mil

Defesa do parlamentar entrou com pedido de habeas corpus; solicitação ainda está sob análise da Justiça

Agência O Globo - 13/03/2026
Polícia Civil aponta que vereador preso por suspeita de negociar campanha com facção recebeu 11 depósitos acima de R$ 100 mil
Salvino Oliveira (PSD) - Foto: Reprodução / Instagram

A defesa do vereador Salvino Oliveira (PSD), presa no último dia 11 durante a Operação Contenção Red Legacy — ação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro para investigar a estrutura nacional do Comando Vermelho (CV) — ingressou com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). O pedido tramita, em segunda instância, na 7ª Câmara Criminal do TJRJ. A solicitação foi feita após um juiz confirmar a legalidade da prisão de Salvino durante audiência de custódia realizada nesta quinta-feira, na Central de Custódia de Benfica, Zona Norte do Rio.

Preso permanece em triagem :

Salvino segue detido no presídio José Frederico Marques, no Benfica, considerado porta de entrada do sistema penitenciário fluminense. A unidade funciona como triagem, abrigando o preso até sua designação para outra unidade penitenciária, onde ficará à disposição da Justiça. Segundo o investigador da Polícia Civil, o parlamentar é suspeito de ter solicitado solicitação à facção para realizar campanha eleitoral na Gardênia Azul, comunidade da Zona Oeste sob domínio do grupo criminoso.

Nesta sexta-feira, em resposta às críticas do prefeito do Rio, Eduardo Paes, pré-candidato ao governo estadual, que alegou uso político da Polícia Civil na prisão de Salvino, a corporação divulgou nota informando que a investigação se baseou, entre outros elementos, na análise das movimentações financeiras do vereador.

Movimentos financeiros sob suspeitas :

De acordo com a Polícia Civil, foram identificadas transações atípicas ou suspeitas no segundo semestre de 2024, nas quais Salvino foi beneficiário de valores provenientes de uma empresa de informática sediada no Complexo da Maré, área controlada pelo Comando Vermelho. Em apenas quatro meses, o parlamentar teria recebido créditos e 11 depósitos em dinheiro vivo, todos acima de R$ 100 mil. A nota, entretanto, não informa o nome da empresa investigada.

As informações sobre a movimentação financeira do vereador não foram divulgadas anteriormente e vieram à tona somente nesta sexta-feira.

Desdobramentos políticos e judiciais :

O jornal O Globo tentou contato com a defesa de Salvino Oliveira, mas até o momento não obteve retorno às ligações e mensagens.

Nesta quinta-feira, o diretório do PSD decidiu acionar o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), alegando suposto uso do aparato policial do estado para perseguição de adversários políticos. No pedido, o partido solicita também o afastamento do secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, e do governador Cláudio Castro (PL). A informação foi antecipada pela coluna de Lauro Jardim.

O partido confirmou ainda que acionará o Ministério Público do Rio para apurar possível ato de improbidade administrativa. Conforme divulgado pela coluna, o PSD acusa a decisão de prisão de Salvino de ter sido motivada por acusações de abuso de poder, prevaricação e crimes eleitorais. Além disso, a legenda pede o afastamento cautelar do governador e do secretário, se necessário, para evitar interferências indevidas no processo eleitoral.