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Leques, sombrinhas e protetor solar: cariocas enfrentam mais um dia de calor intenso

Com Protocolo de Calor em nível 3, cidade pode registrar máxima de 39°C nesta terça-feira, sem previsão de alívio imediato

Agência O Globo - 13/01/2026
Leques, sombrinhas e protetor solar: cariocas enfrentam mais um dia de calor intenso
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Às 11h desta terça-feira, o termômetro já marcava 33°C e a fila do restaurante popular na Rua 24 de Maio, no Méier, Zona Norte do Rio, dobrava a esquina. Mais de 60 pessoas se aglomeravam do lado de fora, tentando se proteger como podiam do calor intenso. Sem marquise ou sombra, leques circulavam entre os presentes e sombrinhas coloridas eram compartilhadas entre desconhecidos.

Com um multímetro digital, a reportagem mediu a temperatura sob a roupa da aposentada Conceição Dias, de 77 anos, uma das moradoras que aguardavam o almoço. O resultado era ainda mais alto: 35°C.

Esse cenário se repete em vários pontos do Rio neste janeiro de calor extremo. Desde as 11h30 do último sábado, a capital está sob o terceiro nível do Protocolo de Calor (Calor 3), acionado quando as temperaturas oscilam entre 36°C e 40°C por, pelo menos, três dias consecutivos. Na segunda-feira, a máxima chegou a 41,4°C, a maior do verão até agora, segundo o sistema Alerta Rio. Para esta terça, há previsão de pancadas isoladas de chuva, mas o calor permanece: mínima de 21°C e máxima de até 39°C.

Na fila do restaurante popular do Méier, a sensação térmica era agravada pelo calor que subia do asfalto. Idosos e pessoas com pressão alta esperavam em pé, sob o sol forte. Dona Conceição, que chegou por volta das 10h30 de ônibus — muitas vezes sem ar-condicionado —, levou seus itens indispensáveis: leque, toalhinha e garrafa d'água.

"Nesses dias nem vento tem. Por isso trouxe meu leque", contou Conceição.

Pouco adiante, sete pessoas dividiam uma sombra improvisada. O alívio era o guarda-sol que a técnica de enfermagem Luciana Moraes, de 44 anos, equilibrava sobre a própria cabeça, a da mãe, Adalgisa, de 78 anos, e de outras cinco pessoas.

"Não tem marquise aqui fora e não tem ventilador na fila. Lá dentro tem ar, pelo menos", relatou Luciana, moradora do Engenho Novo, enquanto ajustava o chapéu e mantinha o guarda-sol firme.

Na Avenida Amaro Cavalcanti, também na Zona Norte, três técnicos em saneamento trabalhavam sob o sol, em meio ao concreto. Boné e óculos eram equipamentos pessoais, enquanto a empresa fornecia apenas a camisa térmica. Para reforçar a proteção, os rostos estavam cobertos por camadas visíveis de protetor solar.

O técnico Nilson Sales teve a temperatura sob a roupa medida: 32°C, mesmo com a camisa térmica.

"Ontem estava pior. Hoje, está ventando. Aqui, a gente já vem equipado para o sol quente, mas está demais", afirmou Nilson, sem interromper o serviço.