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Instrutor de voo é indiciado por morte de piloto em colisão no ar no Rio

Sergio Manoel da Silva admitiu à polícia que se distraiu e causou o acidente; ele responde por homicídio culposo, sem intenção de matar.

Agência O Globo - 12/12/2025
Instrutor de voo é indiciado por morte de piloto em colisão no ar no Rio
Instrutor de voo é indiciado por morte de piloto em colisão no ar no Rio - Foto: Reprodução / Instagram

Sergio Manoel da Silva, instrutor de voo, foi indiciado pela morte do piloto e empresário Philip Haegler, ocorrida em novembro deste ano, em São Conrado, Zona Sul do Rio de Janeiro. Silva pilotava uma asa-delta e declarou ter se distraído ao olhar para baixo para retirar a perneira do aluno que acompanhava, o que provocou a colisão com o parapente conduzido por Haegler, bicampeão brasileiro de voo livre. O instrutor responde por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Imagens anexadas ao inquérito da 15ª DP (Gávea) — já encaminhado ao Ministério Público — mostram o instante exato da colisão. Silva, que afirmou ser piloto profissional de asa-delta há 20 anos, relatou que o movimento para soltar a perneira do aluno durou cerca de três segundos. Ao voltar a olhar para frente, avistou o parapente. O instrutor tentou levantar a asa-delta, mas não conseguiu evitar o choque e ressaltou que Haegler não cometeu qualquer erro durante o voo.

Segundo Silva, as normas do Código de Aviação Desportiva determinam que os pilotos que conduzem aeronaves em níveis mais baixos têm preferência — situação em que se encontrava Haegler. Em depoimento, o instrutor destacou que o bicampeão era seu ídolo e que nutria grande respeito por ele, de quem aprendeu diversas manobras. Silva afirmou ainda estar profundamente abalado com o acidente e que buscou apoio psicológico.

O acidente

A colisão ocorreu em 20 de novembro. Haegler sobrevoava a Praia de São Conrado quando a lateral direita da asa-delta, que vinha na direção oposta, colidiu com seu parapente. O piloto perdeu o controle do equipamento, atingiu a cobertura de um prédio e caiu de uma altura superior a dez andares.

O acidente foi registrado na Avenida Prefeito Mendes de Morais, próximo ao número 1.500. Equipes do Corpo de Bombeiros socorreram Haegler, que foi levado em estado gravíssimo ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas ele não resistiu aos ferimentos e morreu pouco após dar entrada na unidade.

Referência no voo livre

Philip Haegler tinha 59 anos e era um dos nomes mais respeitados do voo livre no Brasil, além de empresário. Bicampeão brasileiro de asa-delta em 1990 e 1992, ele também presidiu a Confederação Brasileira de Voo Livre (CBVL).

Ao comunicar a morte nas redes sociais, o Clube São Conrado de Voo Livre destacou Haegler como "referência incontestável na promoção da segurança e no desenvolvimento do esporte" no Rio de Janeiro.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também se manifestou sobre o ocorrido e esclareceu que não exige habilitação para a prática do voo livre, seja em parapente ou asa-delta. Na ocasião, a agência recomendou que praticantes da modalidade — "esporte radical de alto risco, praticado em todo o mundo e fortemente dependente das condições meteorológicas e geográficas locais" — busquem habilitação por meio de associações aerodesportivas.