Política

Flávio relata que decidiu deixar o Brasil depois de receber ordem que o proibia de sair

Em live, senador diz que tomou a decisão com a esposa após ser intimado; Polícia Federal investiga o descumprimento das determinações judiciais

Redação 31/10/2026
Flávio relata que decidiu deixar o Brasil depois de receber ordem que o proibia de sair
Flávio relata que decidiu deixar o Brasil depois de receber ordem que o proibia de sair

Flávio Bolsonaro afirmou que decidiu deixar o Brasil depois de tomar conhecimento da determinação judicial que ordenava a apreensão de seus passaportes e o proibia de sair do país. O relato foi apresentado em uma transmissão realizada dos Estados Unidos na sexta-feira (30).

Segundo o senador, a intimação ocorreu quando deixava uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, na segunda-feira (26). Ao descrever a leitura do documento, afirmou que a decisão incluía “a apreensão dos meus passaportes e a vedação de eu sair do Brasil”.

Na sequência, contou que voltou para casa, conversou com a esposa e decidiu viajar com a família. Disse ainda que manteve a decisão em segredo porque, em sua avaliação, o conhecimento de outras pessoas aumentaria a possibilidade de o plano não dar certo.

“A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse, até porque se soubesse a chance de dar errado seria maior”, declarou.

A Polícia Federal informou, em nota publicada em 28 de outubro, que os passaportes brasileiros comum e diplomático do senador foram cancelados e que foi inserido um alerta migratório. Segundo a corporação, Flávio foi intimado na manhã do dia 26 a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades em 24 horas, mas não cumpriu a determinação.

A PF também informou que não há registro oficial de saída do parlamentar pelos postos brasileiros de controle migratório e que investiga as circunstâncias do descumprimento das ordens judiciais.

Durante a live, Flávio alegou perseguição e afirmou que permanecer no exterior permitiria manter sua atuação política. Disse que seus advogados tomariam as providências jurídicas e procurou apresentar a viagem como uma decisão para preservar sua capacidade de falar aos apoiadores.

“Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil”, repetiu.

A alegação de perseguição é a justificativa apresentada pelo senador, não uma conclusão da investigação.

Na mesma nota, a Polícia Federal esclareceu que restrições a documentos de viagem, isoladamente, não caracterizam a condição de foragido nem autorizam prisão ou vigilância permanente. A corporação afirmou que atua nos limites da legislação e das determinações judiciais.

O ponto central do pronunciamento é a sequência narrada pelo próprio Flávio: primeiro, tomou conhecimento da proibição; depois, segundo afirmou, decidiu deixar o país com a família.

Seu relato esclarece a motivação que apresenta aos apoiadores, mas não substitui a apuração sobre como ocorreu a saída e sobre o descumprimento das medidas determinadas pela Justiça.