Política

“Eu seria um homem praticamente morto com Flávio eleito”, afirma Julian Lemos

Ex-deputado federal e antigo aliado de Jair Bolsonaro acusa o senador de corrupção e ligações com negócios de apostas; declarações não vieram acompanhadas de provas e são contestadas por Flávio

Redação 30/10/2026
“Eu seria um homem praticamente morto com Flávio eleito”, afirma Julian Lemos
Ex-deputado federal Julian Lemos, antigo aliado da família Bolsonaro, fez novas acusações contra Flávio Bolsonaro em vídeo divulgado nas redes sociais.

O ex-deputado federal paraibano Julian Lemos (PP), antigo aliado de Jair Bolsonaro e um dos coordenadores da campanha presidencial de 2018 no Nordeste, fez novas e graves acusações contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial.

Em vídeo que circula nas redes sociais, Lemos afirmou que temia ser morto caso Flávio chegasse à Presidência da República. O ex-parlamentar classificou o senador como “perigosíssimo” e o acusou diretamente de corrupção.

“Eu nunca tive medo, nunca temi pela minha vida, mas tinha certeza de que seria um homem praticamente morto com a eleição de Flávio Bolsonaro”, declarou.

Na sequência, Julian afirmou, sem apresentar documentos que comprovem a acusação, que Flávio teria se apropriado de recursos relacionados à produção de uma obra biográfica sobre Jair Bolsonaro.

“Flávio é ladrão. Flávio roubou até o pai”, disse o ex-deputado, sustentando ter participado de uma reunião realizada no apartamento do senador para a assinatura de documentos relacionados ao projeto.

Bets e escritórios de advocacia

Julian Lemos também afirmou que Flávio Bolsonaro teria participação oculta em empresas de apostas e utilizaria escritórios de advocacia para movimentar valores. O ex-deputado citou cifras entre R$ 600 milhões e R$ 2 bilhões, mas não apresentou, no vídeo, contratos, extratos, registros societários ou decisões judiciais que confirmem esses montantes.

“Quando começar a aparecer o envolvimento dele com donos de bets, vocês vão entender. Ele é sócio oculto de várias bets”, afirmou Lemos.

As declarações surgem no momento em que Flávio é citado em investigações que apuram sua relação com o advogado Willer Tomaz e uma possível sociedade oculta envolvendo uma empresa de apostas. A existência da investigação, contudo, não representa condenação nem comprova as afirmações feitas por Julian Lemos.

A defesa de Willer Tomaz nega irregularidades. Em manifestação anterior, a campanha de Flávio afirmou que a relação entre os dois seria exclusivamente de amizade e classificou como “ilações sem fundamento” as tentativas de associá-la a atividades criminosas.

Patrimônio contestado

Não é a primeira vez que Julian Lemos atribui a Flávio Bolsonaro um patrimônio milionário. Em julho, o ex-deputado declarou que o senador possuiria cerca de R$ 600 milhões.

Flávio respondeu classificando a acusação como “fake news” e afirmou que seu patrimônio declarado pode ser consultado na Justiça Eleitoral. Disse ainda que investigações anteriores não teriam encontrado valores irregulares em suas contas ou nas de seus familiares.

No novo vídeo, Julian elevou a estimativa e afirmou que os valores supostamente relacionados ao senador poderiam superar R$ 1,5 bilhão. A cifra permanece sem comprovação pública.

Saída do Brasil

Lemos afirmou ainda que havia previsto a derrota eleitoral de Flávio e sua posterior saída do Brasil. O senador viajou para os Estados Unidos após o segundo turno e, de território norte-americano, divulgou uma carta contestando o resultado da eleição.

“Eu disse que ele perderia a eleição e que, quando perdesse, iria para os Estados Unidos”, declarou Julian.

O ex-deputado também acusou Flávio de tentar reproduzir, em escala nacional, um modelo de articulação política e econômica formado no Rio de Janeiro, com influência de organizações criminosas. Novamente, nenhuma prova específica dessa acusação foi apresentada durante a declaração.

Acusação sobre a morte de Bebianno

Em um dos momentos mais graves do vídeo, Julian Lemos colocou em dúvida as circunstâncias da morte do ex-ministro Gustavo Bebianno, ocorrida em março de 2020. Lemos afirmou que Bebianno teria sido “morto” e mencionou a existência de uma suposta reunião realizada antes do falecimento.

O ex-deputado, entretanto, não apresentou provas de homicídio nem indicou a existência de laudo ou investigação oficial que sustente sua acusação. A morte de Bebianno foi registrada como decorrente de um infarto.

Julian já havia feito declarações semelhantes anteriormente, em algumas ocasiões atribuindo a morte ao sofrimento provocado pelo rompimento de Bebianno com Jair Bolsonaro. No novo vídeo, porém, adotou uma formulação mais direta e grave.

Ex-aliado rompeu com a família

Julian Lemos exerceu mandato de deputado federal pela Paraíba entre 2019 e 2023. Ele participou da construção da candidatura de Jair Bolsonaro em 2018, mas rompeu com a família durante o governo e passou a fazer acusações públicas contra o ex-presidente e seus filhos.

No vídeo, Lemos sustenta que sua proximidade com a família lhe daria conhecimento dos bastidores do grupo político.

“Eu tenho legitimidade para falar porque tudo o que falei aconteceu”, declarou.

As afirmações de Julian Lemos devem ser tratadas como acusações de responsabilidade do ex-deputado. Parte dos fatos mencionados é objeto de investigação, mas as cifras, as supostas participações empresariais e as acusações relacionadas à morte de Gustavo Bebianno não foram comprovadas pelos elementos apresentados no vídeo.

Não foi localizada, até o fechamento desta matéria, manifestação específica de Flávio Bolsonaro sobre essa nova declaração. O espaço permanece aberto para o posicionamento do senador e de sua defesa.