Política
Célia Rocha já preparava viagem para subir a rampa com Flávio Bolsonaro, mas Lula venceu e ampliou vantagem em Arapiraca; VEJA VÍDEO
Vice-governadora eleita de Alagoas revelou que havia sido convidada por Alfredo Gaspar para participar da posse presidencial em Brasília; apesar de seu empenho na campanha bolsonarista, Flávio perdeu em seu principal reduto político e viu diferença para Lula crescer de 3,7 mil para 14,7 mil votos
A ex-prefeita de Arapiraca e vice-governadora eleita de Alagoas, Célia Rocha (PSDB), já fazia planos para uma viagem a Brasília em janeiro de 2027. O objetivo não era apenas acompanhar a posse presidencial, mas participar de um momento especial: subir a rampa do Palácio do Planalto ao lado de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar.
O problema é que havia um pequeno detalhe entre o convite e a viagem: faltava combinar com os eleitores brasileiros.
Em vídeo gravado na reta final da eleição presidencial, Célia demonstrou tanta confiança na vitória do candidato do PL que revelou já ter acertado sua ida à capital federal.
Segundo a ex-prefeita, o convite havia partido do próprio Alfredo Gaspar, deputado federal alagoano escolhido para disputar a Vice-Presidência na chapa de Flávio Bolsonaro.
“E vai subir a rampa, botar a faixa no filho, e eu quero estar presente subindo essa rampa com eles. Já fui convidada pelo Alfredo Gaspar pra isso e, com fé em Deus, dia 4 estarei viajando pra Brasília.”
A previsão era acompanhar a solenidade presidencial marcada para 5 de janeiro de 2027.
A passagem poderia até estar nos planos. A posse, entretanto, tomou outro rumo.
No domingo, 25 de outubro, Lula foi reeleito presidente da República, derrotando Flávio Bolsonaro e garantindo seu quarto mandato.
A rampa estava nos planos, mas as urnas escolheram outro presidente
A declaração de Célia Rocha ganhou um significado diferente depois da confirmação do resultado eleitoral.
O que antes era um anúncio confiante de participação em uma cerimônia histórica transformou-se no registro de uma expectativa política que não se concretizou.
A ex-prefeita imaginava acompanhar a chegada de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto, ao lado do vice Alfredo Gaspar e do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mas os brasileiros decidiram reconduzir Lula à Presidência da República.
O petista conquistou 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos, contra 59.826.041 votos, ou 48,21%, de Flávio Bolsonaro.
A diferença nacional ultrapassou 4,4 milhões de votos.
A cerimônia de 5 de janeiro acontecerá, portanto, mas com Lula e Geraldo Alckmin assumindo o novo mandato.
Em Arapiraca, Flávio perdeu votos percentuais apesar do empenho de Célia
O resultado em Arapiraca acrescenta um elemento particularmente interessante à história.
Célia Rocha foi prefeita do município e mantém uma trajetória política associada à principal cidade do Agreste alagoano.
Durante o segundo turno, assumiu publicamente apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e participou de atividades ao lado de Alfredo Gaspar e de outros integrantes da campanha.
Em 6 de outubro, ao anunciar seu engajamento eleitoral, chegou a declarar:
“O que fiz pelo Jota, eu vou fazer pelo Flávio Bolsonaro.”
A referência era à campanha estadual de JHC, eleito governador de Alagoas no primeiro turno, tendo Célia como candidata a vice.
Apesar da mobilização, o resultado presidencial em Arapiraca apresentou uma evolução diferente daquela esperada pelos apoiadores de Flávio Bolsonaro.
No primeiro turno, Lula havia recebido 60.304 votos, equivalentes a 48,70% dos válidos.
Flávio Bolsonaro conquistara 56.513 votos, ou 45,64%.
A diferença era de apenas 3.791 votos.
Três semanas depois, com a participação de Célia Rocha na campanha do candidato do PL, Lula ampliou sua votação para 73.037 votos, correspondentes a 55,61% dos válidos.
Flávio Bolsonaro chegou a 58.292 votos, equivalentes a 44,39%.
A vantagem de Lula aumentou para 14.745 votos.

Lula ganhou mais de 12 mil votos; Flávio avançou menos de 2 mil
A comparação entre os dois turnos mostra que ambos os candidatos cresceram em números absolutos, mas em proporções diferentes.
Lula conquistou 12.733 votos adicionais em Arapiraca.
Flávio Bolsonaro acrescentou apenas 1.779 votos à sua votação do primeiro turno.
Em termos percentuais, Lula passou de 48,70% para 55,61%, crescimento de 6,91 pontos percentuais.
Flávio, por sua vez, caiu de 45,64% para 44,39%, redução de 1,25 ponto percentual.
A diferença entre os candidatos aumentou em 10.954 votos.
O crescimento da votação de Lula ocorreu também em um contexto de maior comparecimento eleitoral. A abstenção caiu de 28.114 para 24.056 eleitores, uma redução de 4.058 ausências.
Os números não permitem determinar individualmente como cada eleitor mudou ou manteve seu voto, mas demonstram que a mobilização da candidatura bolsonarista não foi acompanhada de crescimento percentual de Flávio no município.
De Arapiraca para Brasília: convite de Alfredo Gaspar não se concretizou
A participação de Alfredo Gaspar na chapa presidencial foi um dos principais argumentos utilizados por Célia Rocha para defender Flávio Bolsonaro.
Na véspera da eleição, durante atividade em Arapiraca, ela afirmou que Alagoas não poderia perder a oportunidade de ter um representante nas decisões nacionais.
“A gente quer Flávio Bolsonaro principalmente por conta do Alfredo Gaspar, um alagoano”, declarou.
Na ocasião, também manifestou confiança na vitória dos aliados.
O resultado das urnas, entretanto, confirmou a reeleição de Lula e impediu que Alfredo Gaspar assumisse a Vice-Presidência.
O deputado federal alagoano, que havia desistido de disputar uma vaga no Senado para integrar a chapa presidencial, encerrará seu mandato na Câmara em janeiro de 2027 sem outro cargo eletivo conquistado.
Com isso, a viagem anunciada por Célia para acompanhar a posse de Flávio e Alfredo perdeu seu propósito político original.
Entre o convite e a realidade eleitoral
A história da viagem planejada pela ex-prefeita de Arapiraca é mais um episódio dos bastidores da eleição presidencial de 2026.
Na política, a confiança faz parte das campanhas, assim como as projeções, os convites e os preparativos para uma possível vitória.
Entretanto, cerimônias de posse dependem de uma etapa que não pode ser antecipada: a decisão dos eleitores.
Célia Rocha havia anunciado sua disposição de viajar no dia 4 de janeiro para acompanhar a subida da rampa presidencial.
A data da posse estava correta. O nome do presidente, não.
E o resultado foi particularmente significativo em Arapiraca, onde a candidata eleita a vice-governadora participou da mobilização em apoio à chapa derrotada.
Lula venceu em seu reduto político, ampliou a diferença sobre Flávio Bolsonaro e conquistou quase 11 mil votos adicionais de vantagem entre o primeiro e o segundo turno.
No fim das contas, a solenidade presidencial continua marcada para Brasília. Mas a rampa do Palácio do Planalto receberá Lula e Geraldo Alckmin.
VEJA O VÍDEO: Célia Rocha revela convite de Alfredo Gaspar para acompanhar a posse de Flávio Bolsonaro em Brasília e anuncia planos de subir a rampa do Palácio do Planalto. A declaração foi feita antes da confirmação da reeleição de Lula.
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