Política

'Dark Horse': Delator relata fraude em pagamento a fundo ligado a Eduardo Bolsonaro nos EUA

Empresário diz que recursos destinados ao filme foram enviados sem seu conhecimento.

Estadao Conteudo 16/10/2026
'Dark Horse': Delator relata fraude em pagamento a fundo ligado a Eduardo Bolsonaro nos EUA
Antônio Carlos Freixo - Foto: Reprodução

No primeiro depoimento de sua delação premiada, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior indicou à Polícia Federal que houve uma fraude na operação financeira para pagamento de 12,3 milhões de dólares a um fundo aberto nos Estados Unidos por um advogado de Eduardo Bolsonaro. Ele acreditava estar comprando cotas de um investimento em empreendimentos imobiliários nos EUA. Dono da Entre Investimentos, Freixo foi o responsável por transferir recursos ao fundo depois que o banqueiro Daniel Vorcaro acertou com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) repasses sob a justificativa de financiar o filme Dark Horse, mas revelou que só depois tomou conhecimento disso.

Flávio e Eduardo estão sendo investigados nesse inquérito. A PF enviou documentação ao Supremo Tribunal Federal (STF) com as diligências realizadas nas últimas semanas e pediu autorização para obter novos documentos e aprofundar o caso. Também foi feito pedido ao ministro André Mendonça para prorrogar o inquérito por 90 dias.

Este é o primeiro depoimento de Antônio Carlos Freixo Júnior após fechar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Como antecipou o Estadão, ele entregou documentos afirmando que os recursos usados para pagamentos ao fundo ligado a Eduardo Bolsonaro no exterior tiveram como origem, no Brasil, o Banco Master. Logo após os pagamentos ao exterior, ele recebia repasses no Brasil para cobrir as remessas.

Foi apenas posteriormente que Freixo afirmou ter tomado conhecimento de que a justificativa para o envio dos valores seria financiar o filme Dark Horse, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele explicou que fez os repasses a pedido do dono do Banco Master, devido a um problema em uma conta no exterior de seu cunhado, Fabiano Zettel, e que pretendia transferir as cotas do empreendimento imobiliário para Vorcaro após a regularização dessa conta.

"Em momento algum fui informado que os recursos se destinavam ao financiamento de um filme ou cinebiografia, ressaltando que jamais aceitaria participar de uma operação com esse viés em razão do elevado risco reputacional para meu portfólio de empresas", afirmou no termo de depoimento. "A subscrição ocorreu em nome da Entre Investimentos com base na confiança mantida com Daniel Vorcaro, com a perspectiva informal de que, após a regularização cadastral, a titularidade das cotas seria transferida para a pessoa física de Daniel ou para o Banco Master, sem a formalização de um side letter", complementou.

Os documentos entregues por Freixo confirmam o pagamento de 12,3 milhões de dólares ao fundo Havengate entre fevereiro e setembro de 2025. A PF afirma que foram remetidos ao exterior R$ 72 milhões, enquanto Freixo recebeu R$ 90 milhões no Brasil.

Freixo apresentou documentos mostrando que fez os aportes por meio de subscrição a um fundo imobiliário.

Ele relatou que tomou conhecimento por reportagens na imprensa de que o fundo serviria para outro propósito que não o mercado imobiliário, e, por isso, solicitou a devolução dos valores, mas não obteve resposta.

"Tomou conhecimento do verdadeiro propósito do fundo e da destinação dos recursos para a produção audiovisual apenas após a veiculação de matérias pela imprensa. Diante dos fatos expostos, adotou os procedimentos formais de investidor ao encaminhar e-mails de notificação solicitando o resgate integral dos valores e a apresentação do balancete demonstrativo dos investimentos do fundo, não obtendo resposta dos gestores", relatou.