Política
Haddad avalia que campanha de Lula deve dialogar com futuro na reta final
Ex-ministro comenta sobre estratégias e expectativas para o segundo turno.
O candidato derrotado ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse, ao avaliar possíveis erros de estratégia da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é fundamental dialogar com o futuro ao invés de apenas prestar contas do que foi feito. Em entrevista à GloboNews, o ex-ministro da Fazenda comentou sobre o caso do Banco Master e avaliou o cenário do segundo turno.
Ao ser questionado sobre onde a campanha teria errado para Lula ter terminado em segundo lugar no primeiro turno, Haddad afirmou que é necessário sair da ideia de que, comparando resultados, o eleitorado vai tomar uma decisão. Ele vê como importante a comparação e que, nesse ponto, Lula tem uma vantagem tremenda sobre qualquer antecessor, mas avalia que isso não é garantia de êxito em uma eleição e que o diálogo com o futuro - que está sendo feito desde o final do primeiro turno - é algo que pode encantar mais.
"Prestar contas é importante, mas é fundamental você dialogar com o futuro em torno de um projeto que baixe a angústia da pessoa e a pessoa acredite que a vida dela vai continuar melhorando, apesar das enormes dificuldades que o hemisfério ocidental está vivendo", disse. "Não é uma situação simples de ser enfrentada e nós temos que escolher a melhor pessoa para enfrentar essa situação. É isso que está em jogo hoje", afirmou.
Haddad avaliou que é impossível saber o desfecho do segundo turno. "Eu penso que, nesses 15 dias, nós vamos ver a sociedade se mobilizar em torno desses dois projetos (bolsonarismo e lulismo) e hoje é impossível dizer qual vai ser o desfecho, embora eu tenha acompanhado a atuação da militância nas redes e nas ruas, com esperança de reverter o quadro do primeiro turno", disse.
Ele afirmou, ainda, que Lula "conseguiu uma proeza em passar nesse fio tão estreito, chegar competitivo e, na minha opinião, na reta final, com grandes chances de reverter essa situação, que está muito apertada para os dois lados", avaliou.
Banco Master
Ao ser questionado sobre o Banco Master e sua atuação como ministro da Fazenda, Haddad afirmou que se debruçou sobre a fraude do banco "muito precocemente". "Eu sabia que se tratava de uma fraude; a autoridade reguladora era o Banco Central, e envidei todos os esforços para que aquilo terminasse com a prisão, inclusive, do Vorcaro, que comprovadamente estava fraudando o sistema financeiro brasileiro", disse. "O que não se imaginava é que isso pudesse envolver o poder judiciário, como a gente está notando", concluiu.
Ele afirmou que há magistrados envolvidos no caso do Master e que, como cidadão, disse desejar "ardentemente" que o País seja "passado a limpo". "Temo que, a depender do resultado da eleição, nós tenhamos um grande retrocesso no combate à corrupção, em virtude das pessoas envolvidas", concluiu.
Resiliência da extrema direita
Em relação ao contexto da extrema direita no mundo, Haddad avalia que há uma ascendência do grupo no mundo. "O que está acontecendo é que essa força no Ocidente, está demonstrando uma resiliência muito grande, tanto na Europa quanto nas Américas", disse.
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