Política

Entidades dizem que decisões judiciais sobre debate são agressão à liberdade de imprensa

Associações de mídia se posicionam contra intervenções judiciais em debates presidenciais.

Estadao Conteudo 01/10/2026
Entidades dizem que decisões judiciais sobre debate são agressão à liberdade de imprensa
TV Globo cancela debate com os candidatos à Presidência - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Três associações que reúnem emissoras de rádio e televisão, jornais e revistas se solidarizaram com a TV Globo na noite desta quinta-feira, 1º, e afirmaram que as decisões judiciais que interferiram no debate presidencial a ser realizado pela emissora representam uma agressão à liberdade de imprensa. O encontro foi cancelado pela Globo.

Em nota, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) expressaram sua indignação com a intervenção judicial nas regras previamente acordadas.

As entidades afirmaram que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada, mas é, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito às regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos.

“Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito dos cidadãos de terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate”, concluíram as associações.

A Globo cancelou o debate após a ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Estela Aranha, proibir a exibição do púlpito vazio com o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a realização de perguntas a ele, mesmo diante da ausência do candidato, o que estava previsto no regulamento assinado pelas campanhas.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, também determinou a presença do candidato Renan Santos (Missão). No início da semana, o presidente do TSE, Nunes Marques, já havia ordenado que a emissora convidasse Romeu Zema (Novo).

Pelo regulamento e pela legislação eleitoral, a Globo só seria obrigada a chamar os candidatos cujos partidos tenham no mínimo cinco parlamentares no Congresso Nacional. O Missão não tem nenhum parlamentar.

Até esta semana, eram contabilizadas as bancadas eleitas de cada partido. Em 2022, o Novo elegeu três deputados federais e nenhum senador, portanto, não cumpriria a exigência.

O partido, no entanto, acionou o TSE para que valesse a bancada atual da legenda, que tem cinco deputados e um senador. Nunes Marques concordou com a tese e a Globo foi obrigada a convidar os candidatos do Novo para os debates aos governos estaduais na terça-feira, 29, e para o debate presidencial que seria realizado nesta quinta.