Política

Uso de satélite em locais remotos nas Eleições 2026 segue protocolos seguros e não afeta resultado

Justiça Eleitoral utiliza conexão via satélite apenas em locais remotos, com tecnologia segura e criptografada, garantindo a integridade dos votos

29/09/2026
Uso de satélite em locais remotos nas Eleições 2026 segue protocolos seguros e não afeta resultado
Uso de satélite em locais remotos nas Eleições 2026 segue protocolos seguros e não afeta resultado

Um vídeo que circula nas redes sociais distorce o uso de terminais de comunicação via satélite pela Justiça Eleitoral nas Eleições 2026, sugerindo que uma empresa estrangeira ficaria responsável pela divulgação dos resultados da votação nas eleições brasileiras. A alegação é falsa. Os processos de votação, apuração, totalização dos votos e divulgação dos resultados permanecem sob total controle da Justiça Eleitoral brasileira.

O que é fato?

Nas eleições brasileiras, os arquivos gerados pelas urnas eletrônicas e assinados digitalmente são transmitidos à Justiça Eleitoral, após o encerramento da votação, por meio do sistema JE-Connect, utilizando conexões criptografadas para a transmissão segura dos dados à rede da Justiça Eleitoral.

Entretanto, há localidades remotas, a exemplo de determinadas aldeias indígenas, comunidades quilombolas e comunidades ribeirinhas, que não dispõem de infraestrutura convencional de comunicação de dados. Para atender a esses locais, a Justiça Eleitoral contrata temporariamente soluções móveis de comunicação via satélite, permitindo a transmissão dos resultados com segurança e celeridade.

Para as Eleições 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizou o Pregão Eletrônico nº 90026/2026, vencido pela empresa Hughes Telecomunicações do Brasil Ltda., que apresentou a proposta de menor preço contemplando terminais satelitais que utilizam a infraestrutura da Starlink. O certame foi submetido à análise do Tribunal de Contas da União (TCU), que, por meio do Acórdão nº 2.195/2026-TCU-Plenário, indeferiu pedido de medida cautelar, afastou alegações de direcionamento e manteve íntegros os efeitos da licitação.

O planejamento prevê o uso de até 1.113 terminais satelitais distribuídos em unidades federativas específicas, como Amazonas, Pará, Acre, Roraima e Maranhão, cabendo aos tribunais regionais eleitorais (TREs) definir os locais de votação contemplados.

Conteúdo analisado

O boato veiculado em vídeo nas redes sociais sustenta que a utilização de antenas que empregam a infraestrutura da Starlink representaria um risco à soberania nacional e uma interferência estrangeira no resultado das eleições. O conteúdo alega que o sistema seria usado para “compartilhar o resultado das urnas”, sugerindo desconfiança quanto à lisura do processo eleitoral.

Por que é boato?

A contratação da prestadora de serviços de telecomunicação via satélite restringe-se estritamente ao fornecimento de meio físico de conectividade (transporte de dados) para localidades isoladas que não dispõem de rede convencional de internet. A empresa não tem qualquer acesso, ingerência ou controle sobre a apuração, a totalização ou o conteúdo dos votos.

O sistema de votação brasileiro opera de forma robusta e auditável:

Criptografia de ponta: os dados que saem da urna já são criptografados e recebem outra camada de criptografia ao trafegarem pelo JE-Connect, o que torna inviável qualquer invasão, acesso não autorizado ou adulteração dos resultados.

Segurança do JE-Connect: se o programa transportador não encontrar a assinatura digital gerada na urna eletrônica, a mídia é sumariamente rejeitada. Além disso, o sistema envia dados exclusivamente para a rede privada da Justiça Eleitoral.

Fiscalização ampla: fiscais de partidos políticos, federações, coligações, Ministério Público e demais entidades fiscalizadoras podem acompanhar a execução dos procedimentos de transmissão.

Transparência e conferência: após a totalização centralizada realizada pelo TSE em Brasília, os Boletins de Urna (BUs) são publicados na internet. Qualquer cidadão pode conferir os dados por meio do aplicativo Boletim na Mão, integrado ao e-Título, realizando a leitura do Código QR impresso na seção.

A utilização de meios de transmissão via satélite em regiões de difícil acesso visa estritamente à eficiência logística e operacional, garantindo que o voto de cidadãos em áreas isoladas seja computado com a mesma segurança, rapidez e transparência que em todo o restante do país.