Política
Tarcísio não prometeu cargos, mas fez aceno ao Novo em reunião que selou desistência de Salles
Gestos de aproximação e estratégias eleitorais marcam reunião entre Tarcísio e Partido Novo.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez um gesto ao Partido Novo durante o café da manhã realizado nesta segunda-feira, 28, que selou a desistência de Ricardo Salles (Novo) da disputa ao Senado por São Paulo. Na conversa com o ex-ministro do Meio Ambiente e dirigentes do Novo, Tarcísio não prometeu cargos, mas afirmou que deseja a legenda mais próxima do Palácio dos Bandeirantes em um eventual segundo mandato.
A declaração de Tarcísio, segundo pessoas que estavam presentes, deixou no ar a possibilidade de que a sigla passe a integrar o secretariado do governador. Um integrante do Novo, embora cético, não descartou totalmente essa hipótese, especialmente porque a articulação foi feita diretamente pelo governador com Salles. A expectativa é que o assunto seja retomado após as eleições.
Salles e Tarcísio discutiram o tema ao longo da última semana. No último sábado, 26, combinaram o café desta segunda-feira, 28, com Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), além de integrantes do Novo paulista. A decisão foi anunciada aos jornalistas após o encontro, realizado no comitê de campanha do governador.
Quando questionado se Salles poderia se tornar secretário, Tarcísio desconversou, afirmando que a aliança selada era de "propósito" e de "projeto".
"O Novo é um repositório de excelentes quadros, é um partido que merece todo o nosso apreço. É um partido que tem se destacado, revelado talentos para a política. O Salles é um grande talento, e temos outros grandes nomes no partido. O mais importante neste momento é garantir unidade. Este é um momento crítico, de decisões, e precisamos mostrar ao povo que há uma alternativa unida em prol deste projeto", declarou.
O argumento do governador, também apoiado por Salles, é que é necessário concentrar esforços nas candidaturas de Derrite e André do Prado para evitar que a esquerda eleja Simone Tebet (PSB) ou Marina Silva (PSB) para ao menos uma das duas vagas em disputa.
A avaliação é que, se Salles continuasse na corrida, fragmentaria os votos da direita, aumentando, assim, as chances de vitória das ex-ministras de Lula (PT).
O agora ex-candidato concordou com a tese, mas deixou claro que não gravará vídeos pedindo apoio a Prado. Durante a campanha, Salles retratou o adversário como o candidato do Centrão, enquanto se promovia como o representante da "direita raiz". O deputado federal chegou a afirmar que Prado seria uma "marionete" do presidente do PL, Valdemar Costa Neto (PL).
Após a desistência, Derrite publicou um vídeo nas redes sociais onde Salles afirma que ele será um "grande senador". O ex-ministro do Meio Ambiente fez uma breve menção a uma segunda candidatura ao Senado, mas não citou André do Prado.
"Derrite, tomei esse gesto pensando no Brasil e no nosso Estado... E, se Deus quiser, com o esforço dele, meu e de todos nós, iremos derrotar o PT nessas eleições para que o Brasil possa voltar a ter grandes esperanças de crescimento. Vocês no Senado terão, sim, essa responsabilidade", afirmou Salles.
Uma parte do grupo de Tarcísio acredita que Salles aceitou desistir devido ao quadro pessimista nas pesquisas: no levantamento do Datafolha divulgado na semana passada, Salles tinha apenas 4% das intenções de voto, atrás de Marina, com 15%, Tebet, com 14%, e André do Prado e Guilherme Derrite, com 12% cada. Um aliado próximo do governador indicou, de forma reservada, que Salles sabia que não teria chances de vitória, então procurou uma saída honrosa para ajudar o campo conservador.
Independentemente de compor o governo de Tarcísio no futuro, a desistência de Salles foi vista pelos bolsonaristas como um gesto de reaproximação com o grupo. O deputado havia se distanciado após deixar o PL em 2024, quando o partido decidiu não lançá-lo como candidato a prefeito de São Paulo em apoio à reeleição de Ricardo Nunes (MDB) — uma posição também defendida por Tarcísio.
Mesmo com a reaproximação, aliados de Nunes consideram remotas as chances de que o governador apoie Salles na disputa municipal em 2028. Ainda está indefinido quem será o candidato do grupo, mas o prefeito demonstra preferência pelo nome de Sidney Cruz, ex-secretário de Habitação e candidato a deputado federal pelo MDB.
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