Política

Maceió já empenhou R$ 58 milhões em comunicação somente em 2026 e mantém contrato de R$ 15 milhões que inclui monitoramento de redes sociais

Levantamento do jornalista Edivaldo Júnior mostra que a Secom já gastou mais que sete áreas municipais juntas; contrato firmado ainda na gestão JHC prevê moderação de perfis, monitoramento digital e “análise de sentimentos”

Redação 27/09/2026
Maceió já empenhou R$ 58 milhões em comunicação somente em 2026 e mantém contrato de R$ 15 milhões que inclui monitoramento de redes sociais
SECOM de Maceió; orçamento milionário

A Prefeitura de Maceió já empenhou R$ 58,28 milhões com comunicação somente em 2026. Dentro da estrutura de gastos da área, a administração municipal mantém ainda um contrato estimado em R$ 15,09 milhões para serviços de comunicação digital, que incluem monitoramento de ambientes digitais, moderação de conteúdos e perfis e a chamada “análise de sentimentos” nas redes sociais.

O volume total gasto neste ano foi revelado em levantamento publicado pelo jornalista Edivaldo Júnior neste domingo (27).

Os números mostram que a Secretaria Municipal de Comunicação, sozinha, já empenhou mais recursos em 2026 do que sete áreas da Prefeitura reunidas.

Enquanto a Secom chegou a R$ 58,28 milhões, Agricultura e Abastecimento, Esporte, Trabalho e Emprego, Turismo, Habitação, Cultura e Indústria, Comércio e Serviços somaram aproximadamente R$ 57,24 milhões.

É nesse cenário de gastos elevados que se encontra o Contrato nº 50/2026, revelado anteriormente pela Tribuna do Sertão.

O contrato, firmado pela Secom com a Mind Consultoria Ltda., conhecida como Talk Creative, tem valor global estimado em R$ 15.098.700,33, para um período inicial de 12 meses.

Monitoramento e “análise de sentimentos”


Entre as atividades expressamente previstas estão moderação de conteúdos e de perfis em redes sociais, monitoramento de ambientes digitais, análise de sentimentos e desenvolvimento de estratégias baseadas nos dados coletados.

Na prática, a chamada análise de sentimentos é empregada para interpretar manifestações publicadas na internet, classificando, por exemplo, comentários e conteúdos como positivos, negativos ou neutros.

A documentação divulgada pela Tribuna do Sertão não especificava, naquela cláusula, quais pessoas, agentes públicos, temas, palavras-chave ou assuntos seriam objeto desse acompanhamento, nem detalhava quais informações seriam extraídas das manifestações dos usuários.

O contrato foi assinado ainda no final da gestão de JHC e permanece inserido na estrutura administrativa agora comandada pelo prefeito Rodrigo Cunha.

É importante registrar que os R$ 15,09 milhões constituem o valor estimado de todo o contrato de comunicação digital. Portanto, não significam que R$ 15 milhões sejam destinados exclusivamente ao monitoramento dos usuários. O instrumento também engloba planejamento, produção de conteúdo e outras atividades digitais, e o pagamento depende dos serviços efetivamente executados e autorizados.

Comunicação supera sete áreas juntas


A dimensão do gasto da Secom em 2026 fica mais evidente na comparação feita por Edivaldo Júnior.

Comunicação — R$ 58,28 milhões
Agricultura e Abastecimento — R$ 19,87 milhões
Esporte — R$ 11,90 milhões
Trabalho e Emprego — R$ 10,40 milhões
Turismo — R$ 6,68 milhões
Habitação — R$ 3,36 milhões
Cultura — R$ 3,28 milhões
Indústria, Comércio e Serviços — R$ 1,75 milhão.

Também ficaram individualmente abaixo da Comunicação as despesas de Ciência, Tecnologia e Inovação, políticas para Mulher, Pessoa com Deficiência, Idosos e Cidadania e Juventude e Lazer.

Orçamento saltou 511%


A Secom começou 2026 com orçamento de R$ 11,73 milhões, mas, após suplementações ao longo do ano, a dotação foi elevada para R$ 71,70 milhões, aumento de 511%.

Além do contrato de comunicação digital de R$ 15 milhões, a gestão JHC havia firmado, em fevereiro, contratos de publicidade com valor global de R$ 70 milhões, posteriormente executados já no período em que Rodrigo Cunha assumiu a Prefeitura.

Os dados colocam em evidência não apenas o volume destinado à publicidade institucional e comunicação digital, mas também o peso que a comunicação pública passou a ocupar diante de outras políticas municipais.

Em 2026, enquanto áreas diretamente ligadas a habitação, cultura, turismo, esporte, emprego e agricultura operam com valores individualmente muito inferiores, a Comunicação já ultrapassou R$ 58 milhões em despesas empenhadas — e mantém, entre seus instrumentos, um contrato milionário que prevê inclusive acompanhar e interpretar manifestações produzidas nas redes sociais.