Política

A Bela e a Fera”: nora Marina Cãndia disputa na urna, sogra Eudócia Caldas na suplência, espera o mandato

Jovem e bonita Marina constrói a candidatura sobretudo nas redes; primeira suplente e atual senadora Eudócia pode assumir novamente sem votos em caso de vitória

Redação 26/09/2026
A Bela e a Fera”: nora Marina Cãndia disputa na urna, sogra Eudócia Caldas na suplência, espera o mandato
Marina Cândia, candidata titular ao Senado, e Eudócia Caldas, atual senadora e primeira suplente da chapa: nos bastidores, a composição é resumida pela expressão “A Bela e a Fera”.

A saída de Jurandir Bóia da segunda suplência é, no momento, apenas a passagem mais recente de uma chapa cercada por rearranjos. O ponto que passou a dominar os bastidores da disputa ao Senado, porém, é outro: a possibilidade de Eudócia Caldas, atual senadora e primeira suplente de Marina Cândia, voltar ao centro do jogo político caso a nora seja eleita e, por qualquer razão, deixe o cargo temporária ou definitivamente.

É daí que nasce a expressão que circula nos bastidores: “A Bela e a Fera”.

A “Bela” é Marina. Jovem, de forte apelo visual e lançada como novidade eleitoral, ela teve sua imagem apresentada ao público principalmente pelas redes sociais e pelo horário eleitoral. No primeiro programa de campanha, a opção foi destacar sua trajetória pessoal, sua relação com JHC e a família, mais do que propostas concretas para o mandato. A própria cobertura da estreia observou que a campanha preferiu apresentar a candidata ao eleitor, reforçando a parceria política com o marido.

Esse perfil ainda foi pouco submetido ao confronto aberto com jornalistas e adversários. No dia 17 de setembro, Marina não compareceu à sabatina da TV Gazeta, embora sua assessoria tivesse participado, com antecedência, da reunião que definiu regras, formato e calendário das entrevistas.

Do outro lado da chapa está Eudócia - a “Fera”.
Atual senadora por Alagoas, Eudócia chegou ao cargo na condição de primeira suplente de Rodrigo Cunha e está registrada pelo Senado como “primeiro(a) suplente em exercício”, após a renúncia do titular.

Sem votos na eleição de 2018 ela amargava as últimas posições nas pesquisas antes das convenções e a retiraram da disputa. Ela saiu de cena como uma gatinha acuada.

Ela só se transfornou meses atrás, quando o Banco Master e o IPREV e a gestão de seu filho JHC, entrou no centro do debate político em Brasília, Eudócia mostrou sua face mais combativa. Foi quando, politicamente, virou uma fera.

O dado jurídico que sustenta toda a discussão é simples: na eleição para o Senado, o eleitor não escolhe apenas o titular, mas uma chapa com três nomes — o candidato principal, o primeiro suplente e o segundo suplente. O primeiro suplente pode assumir se o titular se afastar para determinados cargos, se licenciar por mais de 120 dias, renunciar, morrer ou perder o mandato.
É exatamente aí que entram os rumores.

Nos bastidores, circula a hipótese de que Marina poderia cumprir o papel eleitoral de titular da chapa e, se vitoriosa, abrir caminho para que Eudócia assumisse o mandato. Não há, até o momento, declaração pública de Marina, de Eudócia ou da campanha confirmando esse plano. Trata-se, portanto, de uma especulação política, e não de um fato consumado.

Ainda assim, o desenho da chapa ajuda a explicar por que a conversa ganhou força.

Marina é a candidatura que aparece na urna com a imagem de renovação, juventude e forte exposição visual.

Eudócia é a senadora já em exercício, experiente, conhecida pelo estilo mais duro e combativo e posicionada exatamente onde a lei lhe dá acesso imediato ao mandato: a primeira suplência.

Em outras palavras, o que os bastidores sugerem - sem prova pública até aqui - é uma composição em que a Bela pede o voto e a Fera permanece à porta do Senado.

Formalmente, o que existe é isto: Marina é a candidata titular; Eudócia é a primeira suplente. Politicamente, é essa combinação que alimenta a narrativa que corre de boca em boca na campanha alagoana.