Política
“Não votaria em JHC. Não queria e não quero estar na chapa”: Jurandir Bóia anuncia renúncia e rompe composição de Marina Cândia
Médico diz que vai deixar segunda suplência ao Senado, afirma que entrou na chapa por insistência de Ronaldo Lessa e declara: “Não devo nada a ninguém. Vou respeitar a decisão do partido”
A jornalista Bleine Oliveira, do BNews Alagoas, revelou nesta sexta-feira (25) um novo capítulo da crise envolvendo o PDT e a chapa majoritária liderada pelo PSDB em Alagoas: o médico Jurandir Bóia, inscrito como segundo suplente de Marina Cândia na disputa pelo Senado, decidiu renunciar à candidatura.
E Bóia não deixou dúvidas sobre sua posição.
“Não conheço JHC, mas não votaria nele. Não queria e não quero estar na chapa.”
A declaração é uma das mais fortes já feitas publicamente por um integrante da própria composição eleitoral encabeçada por Marina Cândia e ligada politicamente ao candidato ao Governo de Alagoas João Henrique Caldas, o JHC.
Presidente de honra do PDT alagoano, Jurandir Bóia informou que comunicou sua decisão ao presidente estadual da legenda, o vice-governador Ronaldo Lessa.
“Tomei uma decisão em respeito a meu partido. Vou renunciar.”
Segundo relatou Bóia à jornalista Bleine Oliveira, Ronaldo Lessa recebeu a notícia com resistência. O médico afirmou que Lessa ficou “indócil” diante de sua decisão de abandonar a chapa.
“Não devo nada a ninguém”
Jurandir Bóia também revelou que nunca teve interesse em disputar a eleição na condição de suplente e que aceitou colocar seu nome à disposição por insistência de Ronaldo Lessa, a quem definiu como “um amigo da juventude”.
Agora, diante da posição da direção estadual do PDT de se afastar do grupo político liderado pelo PSDB, o médico afirma que seguirá a orientação partidária.
E resumiu sua decisão em outra frase contundente:
“Não devo nada a ninguém. Vou respeitar a decisão do partido.”
Bóia havia sido indicado para ocupar a segunda suplência de Marina Cândia depois da renúncia do próprio Ronaldo Lessa. A substituição foi formalizada em setembro, mantendo Dra. Eudócia Caldas na primeira suplência e colocando o médico na segunda.
Lessa havia formalizado sua saída da segunda suplência anteriormente. Em documento encaminhado à Justiça Eleitoral, justificou a renúncia por um “remanejamento da chapa majoritária”.
Posteriormente, Lessa declarou ao Metrópoles que havia expectativa de assumir a primeira suplência de Marina Cândia, hoje ocupada por Eudócia Caldas, mas que a alteração não ocorreu. Segundo o vice-governador, JHC alegou insegurança jurídica para não efetivar a troca.
PDT decide se afastar do grupo de JHC
De acordo com a reportagem de Bleine Oliveira, uma nova reunião da Executiva Estadual do PDT reafirmou a decisão do partido de não permanecer politicamente alinhado ao PSDB e às demais legendas do grupo de JHC.
É nesse contexto que Jurandir Bóia afirma ter decidido deixar a chapa.
Para o médico, permanecer na composição também entraria em choque com sua própria trajetória política.
Bóia, hoje com 84 anos, é um histórico militante de esquerda. Participou da resistência à ditadura militar e, ainda estudante de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, sofreu os efeitos da repressão instaurada após o golpe de 1964.
Na entrevista, ele relacionou essa história pessoal à decisão de não permanecer numa aliança que reúne forças políticas de direita.
“Não conheço JHC, mas não votaria nele.”
E acrescentou:
“Não queria e não quero estar na chapa.”
De Lessa a Bóia: crise atravessa composição
A saída anunciada de Jurandir Bóia acrescenta mais um episódio à turbulenta relação entre o PDT e a composição eleitoral do PSDB.
Inicialmente, Ronaldo Lessa apareceu como candidato à segunda suplência de Marina Cândia. Ele renunciou, e a vaga acabou sendo destinada a Jurandir Bóia. A ata da coligação manteve Eudócia Caldas como primeira suplente.
Antes disso, houve ainda discussão política sobre a possibilidade de Lessa integrar a chapa de JHC como candidato a vice-governador. A vaga acabou ficando com Célia Rocha. Posteriormente, Lessa confirmou que também não conseguiu concretizar a mudança pretendida para a primeira suplência de Marina.
Agora, o substituto escolhido para ocupar a segunda suplência também afirma que não pretende permanecer.
A decisão de Bóia ganha peso político especialmente pela forma como foi anunciada: ele não alegou apenas questões pessoais ou burocráticas.
Expôs claramente sua divergência.
“Não votaria em JHC.”
“Não queria e não quero estar na chapa.”
“Não devo nada a ninguém.”
E anunciou que seguirá a posição de seu partido, deixando a composição de Marina Cândia às vésperas da eleição de 4 de outubro.
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