Política
Referência em gestão fiscal, Alagoas é destaque em análise nacional por avanços sociais
Em sabatina na TV, economista Marcos Lisboa aponta o equilíbrio das contas públicas alagoanas como modelo para o fortalecimento da saúde e educação
Alagoas voltou ao centro dos debates econômicos nacionais ao ser apontado como um dos principais modelos brasileiros de eficiência administrativa e responsabilidade fiscal. Em análise apresentada durante o programa WW, da CNN Brasil, o economista e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcos Lisboa, destacou a transformação das contas do estado e como o ajuste financeiro abriu espaço para um ciclo sem precedentes de investimentos sociais.
Ao comentar trajetórias estaduais que superaram cenários de forte crise, Lisboa citou a experiência alagoana durante a gestão de Renan Calheiros Filho ao lado de cases como o do Espírito Santo. De acordo com o especialista — que acumula passagens por Stanford, FGV e pela presidência do Insper —, a chave para o sucesso esteve na articulação política necessária para renegociar orçamentos com os demais poderes estaduais.
“Pega Alagoas. Olha a melhora dos indicadores sociais de Alagoas que teve na gestão do Renan Calheiros Filho, em saúde, educação... arrumaram as contas públicas. Eles construíram soluções, acertaram as contas e, com isso, tiveram grandes resultados na área social”, afirmou Lisboa na transmissão.
Solidez nas contas e salto nos investimentos
A análise do economista é sustentada por números oficiais que marcam uma virada histórica na saúde financeira de Alagoas. Vindo de um dos maiores déficits primários do país em 2014, o estado passou por um rigoroso saneamento e, já em 2016, alcançou o segundo lugar nacional em solidez fiscal no Ranking de Competitividade dos Estados, atingindo a nota 98 — muito acima da média nacional de 62,3.
Com a casa em ordem e o endividamento controlado — a Dívida Consolidada Líquida caiu para 58% da Receita Corrente Líquida em 2020 —, o governo ampliou drasticamente a capacidade de investimento próprio:
Injeção de recursos (2015–2021): O estado acumulou R$ 8,6 bilhões em investimentos públicos.
Marca histórica em 2021: Apenas em 2021, os investimentos somaram R$ 3,6 bilhões, o equivalente a 30,8% da Receita Corrente Líquida, tornando Alagoas o estado brasileiro que mais investiu recursos próprios proporcionalmente à sua receita.
Aporte no setor social: No mesmo ano, a saúde e a educação receberam juntas R$ 4,6 bilhões (43,56% da receita estadual), distribuídos em R$ 2,8 bilhões para a educação e R$ 1,8 bilhão para a saúde.
Equilíbrio fiscal como meio, não como fim
Para Marcos Lisboa, a lição deixada pelas gestões de Alagoas e de outros estados citados, como Ceará e Pernambuco em áreas específicas, é de que a responsabilidade fiscal não deve ser enxergada como um objetivo final, mas sim como a ferramenta essencial para transformar a vida da população.
“Acertando as contas públicas, isto abre um grande espaço para políticas com efeitos sociais relevantes e benéficos”, resumiu o economista. A trajetória alagoana demonstra que o rigor no balanço da Fazenda se reflete diretamente no fortalecimento dos serviços públicos na ponta.
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