Política

Eduardo Bolsonaro se considera dissidente e elogia exigência dos EUA

Posição se dá em contexto de eleições presidenciais de 2026

Estadao Conteudo 17/09/2026
Eduardo Bolsonaro se considera dissidente e elogia exigência dos EUA
Eduardo Bolsonaro - Foto: © AP Photo / Jose Luis Magana

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) elogiou a exigência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que "dissidentes políticos" no Brasil não fossem detidos, presos ou impedidos "arbitrariamente" de participar das eleições presidenciais de 2026.

"Os Estados Unidos são uma referência quando se fala em democracia e, em uma democracia, tem que haver ampla participação dos dissidentes", afirmou em entrevista a jornalistas em Washington. "E eu fico muito feliz de saber que os Estados Unidos têm se posicionado dessa maneira", concluiu.

Como mostrou o Estadão, a exigência foi feita pela gestão do republicano ao governo Luiz Inácio Lula da Silva durante negociações diplomáticas sigilosas após o tarifaço de 50% imposto ao País. Os Estados Unidos demandaram que o Brasil se comprometesse com a realização de eleições "livres e justas".

Eduardo chegou a ser questionado se ele se considerava um dissidente, mas foi interrompido pelo influenciador Paulo Figueiredo, que respondeu questionando os repórteres sobre o termo. O ex-deputado seguiu ao lado e manifestou concordar com o influenciador.

"Como é que se chama alguém que, ao criticar as autoridades de um país, tem que se exilar em outro? O termo é esse, dissidente. Não tem outro nome. A gente não precisa pedir para incluir, porque é a descrição dos fatos. Nós somos dissidentes políticos do governo brasileiro e é uma pena que o nosso país tenha chegado ao ponto onde dissidentes políticos tenham que se exilar", afirmou Figueiredo.

A demanda explícita sobre as condições de realização do processo eleitoral em curso no País consta em documento enviado pelos americanos aos negociadores brasileiros em outubro de 2025, obtido pelo Estadão, com 21 demandas. O teor da exigência, considerado uma intromissão por integrantes do governo brasileiro, era mantido em segredo pelos dois lados até agora.

Para integrantes do governo brasileiro ouvidos pela reportagem, o pedido dizia respeito à participação do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado no ano passado por tentativa de golpe, nas eleições deste ano.

Para Eduardo, a exigência reflete a preocupação do país norte-americano para evitar que, segundo o ex-deputado, o que aconteceu na Venezuela e em outros países da região se espalhasse. "O receio do americano é ver aquilo que estava acontecendo na Venezuela ser contaminado pelo resto da região", disse.

"Não existe interferência. Muito pelo contrário, eles trabalham para que não haja censura e haja sim um respeito à oposição durante esse processo eleitoral", acrescentou.

Procurado, o Itamaraty não quis comentar oficialmente o teor da proposta. O Departamento de Estado e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos não responderam aos pedidos da reportagem.