Política
JHC perdeu foro que levou investigação do Iprev da 13ª Vara Federal para o STF
Condição de prefeito foi determinante para retirada do inquérito da primeira instância; agora ex-prefeito, JHC já não possui a mesma prerrogativa que fundamentou a mudança de competência
A condição de prefeito de Maceió foi determinante para uma mudança decisiva no caminho da investigação sobre os investimentos do Iprev no Banco Master: o inquérito que estava sob análise da 13ª Vara Federal em Alagoas deixou a primeira instância e foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) diante da questão envolvendo o foro por prerrogativa de função de João Henrique Caldas, JHC.
Agora, porém, há um fato novo: JHC não é mais prefeito de Maceió e, portanto, não detém atualmente a prerrogativa de foro decorrente daquele cargo.
A mudança de situação funcional lança uma nova questão jurídica sobre a investigação: qual deverá ser o foro competente para a continuidade da apuração, considerando que a condição que contribuiu para sua remessa ao Supremo deixou de existir?
O foro mudou o caminho do inquérito
Documentos constantes do inquérito que tramita no STF mostram que, durante a apuração das aplicações de recursos previdenciários no Banco Master, surgiu a questão do possível envolvimento de JHC.
Naquele momento, JHC exercia o mandato de prefeito de Maceió.
Diante da presença de autoridade detentora de prerrogativa de foro, o Ministério Público Federal requereu o declínio da competência da primeira instância.
A 13ª Vara Federal acolheu a manifestação e determinou a remessa imediata e integral do inquérito ao Supremo Tribunal Federal.
Na prática, a prerrogativa decorrente do cargo ocupado por JHC foi um dos elementos que impediram que aquela investigação continuasse sendo conduzida na 13ª Vara Federal em Alagoas.
O caso passou à esfera do STF.
JHC deixou a Prefeitura e perdeu a prerrogativa do cargo
O cenário hoje é diferente.
JHC deixou a Prefeitura de Maceió em abril deste ano para disputar as eleições de 2026. A partir do momento em que deixou o cargo, também deixou de possuir o foro por prerrogativa de função inerente ao exercício da Prefeitura.
Isso cria uma situação que merece atenção.
O inquérito saiu da primeira instância justamente quando a investigação alcançou uma questão relacionada a uma autoridade que, naquele momento, possuía prerrogativa de foro.
Agora, a autoridade que motivou essa discussão já não ocupa o cargo que lhe conferia aquela prerrogativa.
Perda do foro não significa retorno automático à 13ª Vara
Há, entretanto, uma distinção jurídica importante.
A perda do cargo de prefeito não significa que o inquérito necessariamente será devolvido, de maneira automática, à 13ª Vara Federal de Alagoas.
A definição da competência depende da análise do Supremo e das circunstâncias processuais do caso, inclusive da conexão do núcleo do Iprev com investigações mais amplas envolvendo o Banco Master.
A própria jurisprudência do STF estabelece critérios para definir quando a prerrogativa de foro permanece ou deixa de produzir efeitos depois do encerramento do mandato.
Portanto, o fato objetivo é: JHC perdeu o foro decorrente do cargo de prefeito.
A consequência processual dessa perda, porém, terá de ser definida judicialmente.
Investigação permanece no STF
Até que haja decisão em sentido diferente, a investigação continua no Supremo.
O STF, inclusive, autorizou em agosto diligências da Polícia Federal relacionadas às aplicações do Iprev. A operação avançou sobre os R$ 97 milhões aplicados pelo instituto em ativos ligados ao Banco Master durante a gestão de JHC.
O ponto central revelado pelos documentos é a trajetória processual da investigação.
Ela estava na Justiça Federal em Alagoas. O MPF identificou questão envolvendo autoridade com prerrogativa de foro. A 13ª Vara Federal acolheu a manifestação e remeteu integralmente o inquérito ao Supremo.
JHC, naquele momento, era prefeito. Hoje, não é mais.
E justamente a prerrogativa decorrente daquele cargo foi um dos fundamentos para retirar a investigação da primeira instância.
Uma nova questão para o Supremo
A perda do mandato coloca, portanto, uma nova pergunta sobre a mesa: a investigação do núcleo Iprev/Banco Master continuará no STF ou deverá retornar à primeira instância?
A resposta dependerá do Supremo.
O que mudou é a situação jurídica de JHC.
O ex-prefeito já não possui o foro que detinha quando a 13ª Vara Federal determinou a remessa do inquérito.
Isso não encerra a investigação nem determina automaticamente a mudança de competência. Mas elimina um dos elementos que estavam presentes quando o caso deixou a Justiça Federal em Alagoas e chegou ao STF.
A Tribuna do Sertão continuará analisando os documentos constantes do inquérito e revelando os fatos relacionados à investigação dos investimentos do Iprev de Maceió no Banco Master.
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