Política

Lula: 'Se a gente pega uma obra dessa e não termina, qualquer um que entrar pode parar'

Presidente critica interrupção de obras por sucessores e menciona 'denuncismo'

Estadao Conteudo 11/09/2026
Lula: 'Se a gente pega uma obra dessa e não termina, qualquer um que entrar pode parar'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: © telegram SputnikBrasil

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que é um "eterno cobrador" e que é preciso concluir as obras iniciadas em um governo para evitar que sejam interrompidas pelos sucessores. Ele expressou preocupação com o receio de servidores públicos em assinar a liberação de obras e recursos devido ao "denuncismo".

“Se a gente pega uma obra dessa e não termina, qualquer um que entrar pode parar. É a coisa mais rotineira no Brasil um presidente, governador e prefeito parar a obra do seu antecessor”, destacou o presidente, durante reunião sobre o Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos, em Canoas (RS).

Lula também criticou a falta de recursos, o Tribunal de Contas da União (TCU), a Caixa e as denúncias relacionadas às obras. “Uma vez falta dinheiro, outra é o TCU, outra é uma denúncia qualquer, outra é a Caixa exigindo coisa que não precisava. Para um cara assinar um projeto hoje na máquina pública, é muito complicado. Todo mundo tem medo com o denuncismo que tem. Para assinar, tem que quase ser benzido”, declarou.

O presidente mencionou que o governo criou um "padrão gaúcho" sobre como o governo federal lida com desastres naturais a partir dos repasses feitos ao Rio Grande do Sul após as enchentes em 2024.

Lula demonstrou irritação, na sexta-feira, 11, durante a reunião, cobrando sua equipe sobre a demora na liberação de recursos ao Estado para a recuperação das fortes chuvas que afetaram a região em 2024.

Após a fala de sua ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o presidente afirmou: "não podemos querer que o povo entenda" a razão pela qual o dinheiro não foi repassado como deveria.

“Não podemos querer que o povo entenda. Como você anuncia que vai colocar R$ 6,5 bilhões para atender de forma mais rápida os problemas causados por aquela chuva e, dois anos depois, só estamos liberando R$ 1,5 bilhão. Quero saber se a culpa é da Caixa, se é nossa, do Ministério das Cidades, do governo do Estado, do prefeito...”, desabafou o presidente.

“É para explicar para o povo por que não ocorreu com a rapidez que desejávamos. Todos queriam que fosse rápido. E não aconteceu. Eu fico inquieto. Não é a primeira vez. Chego em cidades onde depositamos R$ 2 bilhões ou R$ 3 bilhões para fazer determinada obra e, depois de três anos, não aconteceu nada. E começam as desculpas: 'Ah, mas não tinha projeto...' Quando você deposita o dinheiro, você não pode fazer mais nada, esperando que ele seja utilizado”, completou.

A irritação quanto à demora na liberação dos recursos ocorre em um momento de queda na popularidade do presidente da República.

Pesquisas de intenção de voto revelam um cenário cada vez mais acirrado entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro figurando à frente na simulação de segundo turno em alguns levantamentos.