Política

Ruas (PL) defende teto de gastos e promete ação contra crime organizado no Rio

Candidato ao governo fluminense enfatiza cortes de despesas e criação de gabinete permanente de segurança.

Estadao Conteudo 11/09/2026
Ruas (PL) defende teto de gastos e promete ação contra crime organizado no Rio
Douglas Ruas - Foto: Reprodução / Instagram

Após o Estado do Rio de Janeiro aderir em junho ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e, com isso, deixar o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), no qual esteve desde 2022, o candidato ao governo fluminense pelo PL, Douglas Ruas, defendeu nesta sexta-feira, 11, um "considerável corte de gastos" na máquina pública.

Durante o evento "Rio de Futuro - discussões sobre o Rio que queremos", organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Ruas propôs a instituição de um teto de gastos para manter a situação fiscal equilibrada e abrir espaço para investimentos.

O candidato argumentou que, apesar de a receita do Estado ter aumentado 21% nos últimos cinco anos, as despesas cresceram em ritmo superior, resultando em déficit fiscal. "Quem gera emprego é o setor privado; o setor público deve focar em investimentos em segurança", disse. "Segurança é o eixo central do nosso plano de governo."

Sobre o enfrentamento ao crime organizado, que segundo a Firjan representa uma perda de R$ 31 bilhões por ano para as empresas, Ruas defendeu uma mudança na política pública. "Haverá a criação de um gabinete permanente, em colaboração com a União, a Polícia Federal e as Forças Armadas. É uma política de Estado, não de governo, para atuarmos de forma coordenada e impedir que armas e drogas cheguem às cidades fluminenses", garantiu.

Na avaliação de Ruas, nos últimos 17 anos, o Estado do Rio olhou "apenas para os sintomas da criminalidade", levando à expansão do domínio territorial de facções criminosas que exploram moradores e empresários. Ele ainda afirmou que nunca usará "bonezinho do CPX na cabeça", referindo-se à abreviação de "complexo" que identifica conjuntos de favelas.

A sigla ganhou notoriedade quando foi estampada em um boné usado pelo então candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante um ato de campanha no Complexo do Alemão, na zona norte da cidade, nas eleições de 2022.

Durante o encontro, o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, entregou ao candidato o documento "Propostas Firjan para um Rio de Futuro", que reúne 45 proposições para o desenvolvimento do Estado até 2030. "Temos entraves estruturais que custam quase R$ 275 bilhões por ano às empresas, o equivalente a 20% do PIB fluminense", destacou Caetano.

Entre as prioridades para os 100 primeiros dias do próximo governador, a Firjan defende a modernização do licenciamento ambiental, a concessão de rodovias estaduais, a recuperação dos distritos industriais e a solicitação de apoio do governo estadual ao governo federal para a licitação da EF-118. Esses pontos representam entraves de R$ 40 bilhões para o Estado.

Ruas comprometeu-se com a instalação de escritórios de desenvolvimento regional, criando um balcão único de serviços voltados ao empresariado. "Esse balcão terá autonomia para licenciar atividades de alto impacto. É inadmissível que quem mora no Sul Fluminense tenha que vir à capital até o Instituto Estadual do Ambiente (Inea)", afirmou.

Pesquisa da Quaest, divulgada na terça-feira, mostrou Eduardo Paes (PSD) com 39% das intenções de voto e Douglas Ruas com 18%. Na pesquisa espontânea, Paes aparece com 22% e Ruas com 9%.