Política
JHC só apareceu no debate porque Renan Filho virou a eleição, afirma Renan Calheiros
Senador diz que o avanço do candidato do MDB obrigou o ex-prefeito de Maceió, ausente em sabatinas, a aceitar o confronto direto na TV Gazeta
O senador Renan Calheiros (MDB) afirmou, nesta sexta-feira (11), durante entrevista à rádio CBN Maceió, que a candidatura de Renan Filho ao Governo de Alagoas já virou o cenário eleitoral. Para o parlamentar, o comparecimento de João Henrique Caldas, o JHC, ao debate promovido pela TV Gazeta seria um sinal de que o candidato do PSDB percebeu o avanço do adversário e precisou mudar sua estratégia.
“Ontem, o ex-prefeito de Maceió resolveu ir ao debate. Por quê? Porque nós já viramos a eleição”, declarou Renan Calheiros.
O senador lembrou que JHC vinha sendo criticado por não comparecer a sabatinas e entrevistas promovidas por veículos de comunicação. Na avaliação do emedebista, o tucano decidiu participar do debate ao perceber que já não poderia permanecer distante de um confronto direto com Renan Filho.
“Ele, que não estava comparecendo nem à sabatina, resolveu ir ao debate, se expor à confrontação e à afirmação dos atributos do candidato do MDB”, acrescentou.
Renan diz que comparação favorece candidato do MDB
Na entrevista, Renan Calheiros afirmou que o confronto direto permitiu ao eleitor comparar a experiência, o preparo e as propostas dos dois principais candidatos ao governo. Para o senador, essa exposição favorece Renan Filho.
Segundo ele, o candidato do MDB demonstrou ser “seguramente muito melhor” quando colocado frente a frente com JHC.
A declaração reforça a estratégia da campanha emedebista de apresentar Renan Filho como um candidato mais experiente, com passagem pelo Governo de Alagoas e pelo Ministério dos Transportes, além do conhecimento da administração estadual.
JHC, por sua vez, chegou ao debate pressionado pelas ausências em compromissos anteriores com a imprensa. Ao participar do encontro da TV Gazeta, ficou exposto a questionamentos diretos sobre temas sensíveis de sua administração em Maceió, entre eles os investimentos do Iprev no Banco Master, a saúde pública municipal e o funcionamento do PAM Salgadinho.
Comparecimento seria sinal de mudança de estratégia
Na leitura de Renan Calheiros, a presença de JHC não representou apenas uma decisão de agenda. Teria sido uma reação política ao crescimento de Renan Filho e ao aumento da pressão para que o candidato do PSDB aceitasse o confronto público.
Até então, JHC vinha priorizando eventos próprios, propaganda eleitoral e manifestações nas redes sociais, ambientes nos quais sua campanha mantém maior controle sobre a exposição do candidato. No debate, entretanto, precisou responder diretamente ao adversário e aos jornalistas, sem a mesma possibilidade de controlar previamente os temas abordados.
Para o senador, ao aceitar o confronto, JHC reconheceu que a disputa mudou de direção e que não poderia continuar ausente sem pagar um preço eleitoral.
Pesquisas mostram eleição aberta
A afirmação de Renan Calheiros representa uma avaliação política da campanha. Os levantamentos disponíveis mostram uma disputa apertada e ainda indefinida.
A pesquisa Quaest divulgada no final de agosto apontou Renan Filho numericamente à frente, com 42%, contra 40% de JHC. Os dois estavam tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de três pontos percentuais. O levantamento foi registrado no TSE sob o número AL-05503/2026.
Já a pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta quinta-feira (10), mostrou JHC com 49,3% e Renan Filho com 46,4%. A diferença de 2,9 pontos também configura empate técnico dentro da margem de erro de três pontos percentuais. O levantamento foi registrado sob o número AL-00447/2026. Os números foram divulgados pela Veja.
Os resultados em sentidos diferentes confirmam um cenário de equilíbrio. É nesse ambiente de acirramento que Renan Calheiros sustenta que o MDB ganhou terreno e obrigou JHC a sair de uma posição protegida para enfrentar Renan Filho diante das câmeras.
A presença do candidato do PSDB no debate, portanto, foi interpretada pelo senador como o primeiro efeito visível da virada que ele afirma já estar acontecendo nas ruas de Alagoas.
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