Política

Renan cobra responsabilização de JHC por caso Iprev-Master e questiona: “É essa experiência que quer levar para Alagoas?”

Em entrevista durante ato de campanha, senador afirma que aplicação de R$ 97 milhões do fundo previdenciário ocorreu sob a gestão do ex-prefeito e cita operação da Polícia Federal e bloqueio de bens de envolvidos

Redação 07/09/2026
Renan cobra responsabilização de JHC por caso Iprev-Master e questiona: “É essa experiência que quer levar para Alagoas?”

O senador Renan Calheiros (MDB) voltou a cobrar explicações e responsabilização pelo investimento de R$ 97 milhões de recursos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em letras financeiras do Banco Master. Durante entrevista à imprensa em ato de campanha, Renan relacionou diretamente o episódio à administração do ex-prefeito de Maceió e atual candidato ao Governo de Alagoas, JHC.

Renan afirmou que Maceió realizou, com recursos destinados à previdência dos servidores municipais, uma das maiores operações entre regimes próprios de previdência municipais envolvendo o Banco Master e questionou os procedimentos adotados para autorizar os aportes.

“São R$ 97 milhões que foram aplicados em letras financeiras do Banco Master”, disse o senador, ao sustentar que faltaram mecanismos adequados de governança, análise de risco e deliberação dos órgãos internos do instituto.

A investigação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União apura justamente possíveis irregularidades no processo que levou o Iprev a aplicar R$ 97 milhões no Master. Segundo a PF, há indícios de falhas em etapas de governança, análise de risco e tomada de decisão. A corporação cumpriu oito mandados de busca e apreensão em agosto, inclusive na sede do instituto.

A apuração aponta que os investimentos ocorreram em duas etapas, durante a gestão JHC: R$ 80 milhões em dezembro de 2023 e outros R$ 17 milhões em maio de 2024. Investigadores apontaram, entre outros aspectos, ausência de estudos comparativos independentes e questionamentos sobre os procedimentos utilizados para justificar a escolha do banco.


Renan cita bloqueio de bens


Durante a entrevista, Renan lembrou ainda que pessoas ligadas à administração do Iprev à época dos investimentos foram alcançadas pelas medidas determinadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Entre os investigados estão o ex-presidente do Iprev Ronnie Reyner Teixeira Mota e João Felipe Alves Borges, secretário municipal da Fazenda e integrante do Conselho de Administração do instituto no período das aplicações. A decisão judicial autorizou buscas e determinou indisponibilidade de bens de investigados no caso.

“Precisamos cobrar responsabilidade”, afirmou Renan.

O senador disse ainda que ingressou na Justiça buscando ampliar a responsabilização patrimonial pelo episódio, defendendo que também sejam alcançados bens de JHC. A pretensão mencionada pelo parlamentar deverá ser examinada pelo Judiciário, não significando, até o momento, atribuição judicial de responsabilidade ao ex-prefeito.

“É essa experiência que quer levar para Alagoas?”


Renan utilizou o caso para fazer uma crítica direta ao discurso administrativo apresentado por JHC na campanha para governador.

Segundo ele, os problemas financeiros associados à previdência municipal acabam pressionando o caixa da Prefeitura e demonstrariam, em sua avaliação, problemas de gestão.

Ao final, lançou o questionamento que sintetizou o tom político da entrevista:

“Será que é essa experiência que ele quer levar para toda Alagoas?”

A declaração coloca novamente o caso Iprev-Banco Master no centro da campanha estadual, justamente quando JHC tenta apresentar sua passagem pela Prefeitura de Maceió como uma das principais credenciais para disputar o Governo.

JHC diz que não determinou investimentos


JHC se pronunciou recentemente sobre o caso e rejeitou responsabilidade pessoal pelas aplicações. Em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que o Iprev possui autonomia administrativa e financeira e que não cabia a ele determinar onde os recursos deveriam ser investidos.

“Eu não sou investigado”, afirmou o ex-prefeito, acrescentando que os pagamentos dos aposentados e pensionistas estão garantidos e classificando Maceió como vítima do Banco Master.

A Polícia Federal, até agora, investiga os procedimentos e pessoas diretamente relacionadas às decisões sobre os aportes. As apurações prosseguem e ainda não representam condenação dos investigados.Eu destacaria especialmente como título de capa/portal “Renan cobra responsabilização de JHC por caso Iprev-Master e dispara: ‘É essa experiência que quer levar para Alagoas?’”. Ele une o fato novo da entrevista, o Banco Master e a provocação eleitoral sem atribuir como fato consumado uma responsabilidade que ainda está sendo discutida.