Política

Ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal, diz Lula

Presidente propõe reforma no Judiciário e critica vazamentos

Estadao Conteudo 04/09/2026
Ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula - Foto: © Foto / Ricardo Stuckert / Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (4) que deseja promover, no próximo ano, uma discussão profunda sobre a necessidade de uma reforma no Judiciário. Além disso, declarou que ninguém, em nome da democracia, pode utilizar seu cargo para benefício próprio.

"Tenho certeza que realizaremos uma ampla discussão sobre a necessidade de uma nova reforma no Poder Judiciário brasileiro para que o povo continue acreditando na Justiça. Porque ninguém, ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Ninguém", declarou.

O presidente também expressou uma preocupação quase que sobrenatural para que a sociedade não perca a esperança e a fé nas instituições. Após mencionar a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), Lula advertiu que, sem instituições sólidas, a democracia se torna vulnerável.

"Todos devem estar subordinados aos mesmos trâmites da legislação. Afinal, a legislação vale para todos. E eu disse ao meu amigo Fachin, a Suprema Corte e a Procuradoria Geral da República estão sob grande expectativa da sociedade brasileira. Porque quando os filhos estão em desordem, é quem manda na casa quem resolve. Então, meu caro, a responsabilidade de passar o mínimo de tranquilidade, sem tentar esconder absolutamente nada, está nas suas costas e nas costas do Paulo Gonet", completou.

Denuncismo e vazamentos

Lula também refletiu que o Brasil atravessa uma época perigosa e afirmou que "denuncismo, vazamentos e fake news não contribuem com a democracia". Recentemente, parte da investigação na Polícia Federal (PF) contra o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva - o Lulinha - foi vazada para a imprensa.

O ministro André Mendonça, relator da investigação sobre Lulinha no âmbito das fraudes no INSS, mandou a PF investigar a origem do vazamento dos dados. A determinação atendeu a um pedido da defesa do filho do presidente.

O presidente discursou durante cerimônia no Palácio do Planalto, ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ele sancionou projetos que criam fundos no sistema de Justiça.

A declaração acontece em meio a uma das mais graves crises no Supremo Tribunal Federal. Segundo Lula, o objetivo dessas novas leis é garantir que os pobres sejam tratados com dignidade pela Justiça.