Política

Lula diz que 'caso Master' deve ser investigado 'doa a quem doer'

Presidente chamou escândalo de 'maior roubo da história do Brasil' e defendeu reformas

ANSA Brasil 04/09/2026
Lula diz que 'caso Master' deve ser investigado 'doa a quem doer'
Lula defendeu mudanças nas instituições - Foto: ANSA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na última quinta-feira (3), que o caso envolvendo o Banco Master deve ser investigado de forma ampla, "sem blindagem de ninguém" e "doa a quem doer".

Em vídeo divulgado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o presidente também classificou o episódio como o "maior roubo da história do Brasil", no qual milhões de pessoas de muitos estados e municípios teriam sido prejudicados pelo esquema.

Lula não citou nominalmente o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas afirmou que ele, apontado como líder do esquema, "tem relações com muita gente poderosa".

"O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro líder do esquema tem relações com muita gente poderosa e foi no meu governo que ele foi preso e o seu banco fechado", enfatizou.

O petista também mencionou suspeitas envolvendo políticos e agentes públicos e afirmou que "a democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos".

"É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade."

A manifestação ocorre em meio à crise provocada pelas revelações recentes sobre as relações de Vorcaro com integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os episódios que passaram a ser discutidos estão as mensagens trocadas entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes, além de um encontro do empresário com André Mendonça, em março de 2025.

O relatório da Polícia Federal que analisa as mensagens aponta que os diálogos incluem referências a operações policiais, reuniões e questões relacionadas a contratos do escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master.

Mendonça retirou o sigilo do relatório e, posteriormente, solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o documento. A PGR considerou o procedimento nulo e argumentou que uma investigação contra ministro do STF deve seguir regras específicas e passar pelo plenário da Corte.

Ontem (3), pouco antes da divulgação do vídeo de Lula, Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido para que Mendonça fosse investigado.

Na sequência, Fachin determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentem manifestações sobre os acontecimentos que provocaram a crise na corte em até cinco dias úteis.

Em seu pronunciamento, Lula afirmou que o momento exige uma resposta das instituições e defendeu que o presidente do STF e o procurador-geral da República conduzam um processo capaz de preservar a confiança da população nas investigações.

Além disso, o líder brasileiro defendeu mudanças nas instituições e disse ser necessário estabelecer um código de ética para o Judiciário.

"Fica claro que o nosso sistema político e Judiciário precisam de reformas profundas", concluiu. 

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