Política
Renan Filho lança “silenciômetro” e questiona JHC: “Por que esse silêncio gigante?”
Candidato relaciona ausência de explicações sobre os R$ 97 milhões do Iprev investidos no Banco Master à falta de JHC em sabatina da TV Gazeta e pergunta: “Você fugiu para não falar sobre o Master?”
O candidato ao Governo de Alagoas Renan Filho (MDB) elevou o tom das cobranças contra JHC (PSDB) e lançou nas redes sociais o que chamou de “silenciômetro”, uma provocação destinada a medir, segundo ele, o silêncio do adversário diante do escândalo envolvendo os R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) aplicados no Banco Master.
No vídeo, Renan constrói uma sequência cronológica de cobranças e termina relacionando o episódio à ausência de JHC na sabatina que abriria, nesta terça-feira (1º), a série de entrevistas da TV Gazeta com os candidatos ao Governo.
“JHC, por que esse silêncio gigante?”, pergunta Renan Filho logo no início.
A partir daí, o candidato relembra que Ronnie Mota presidiu o Iprev durante a gestão de JHC na Prefeitura de Maceió e estava no comando do instituto no período em que foram realizadas as aplicações que hoje são investigadas pela Polícia Federal.
Ronnie Mota foi nomeado para a presidência do Iprev em maio de 2023, durante a administração de JHC. As operações investigadas ocorreram em 2023 e 2024.
R$ 97 milhões sob investigação
A parte central do vídeo trata do dinheiro dos servidores municipais investido no Banco Master.
Renan afirma:
“Quando JHC era prefeito de Maceió, colocou Rony Mota como presidente do Iprev. Rony Mota colocou R$ 97 milhões do dinheiro dos aposentados de Maceió no banco de Daniel Vorcaro, no Banco Master.”
Oficialmente, a Polícia Federal confirma que sua investigação tem como objeto duas aplicações realizadas pelo regime próprio de previdência de Maceió nos anos de 2023 e 2024, que somaram R$ 97 milhões.
Foram R$ 80 milhões aplicados em dezembro de 2023 e outros R$ 17 milhões em 2024.
A PF apura as circunstâncias envolvendo credenciamento, cotação, análise de risco, governança e tomada de decisão que antecederam os investimentos e investiga possível prática de gestão fraudulenta, além de eventuais delitos conexos.
Isso não significa que JHC seja considerado responsável criminalmente pelas operações. A apuração busca justamente identificar responsabilidades dentro da cadeia de decisões que resultou nos investimentos.
É sobre a responsabilidade política da gestão municipal, entretanto, que Renan concentra o ataque.
“Maceió virou escândalo nacional”
Renan também recorda a dimensão nacional alcançada pelo episódio.
“Maceió virou escândalo nacional. Aconteceu uma megaoperação da Polícia Federal. JHC ficou em silêncio. O Brasil assistiu atônito a isso no Jornal Nacional. JHC ficou em silêncio”, diz.
A Operação Compliance 82 foi deflagrada pela Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União, em 10 de agosto. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Alagoas e São Paulo, por determinação do Supremo Tribunal Federal.
O caso efetivamente chegou ao Jornal Nacional, que exibiu reportagem sobre a investigação das aplicações milionárias do Iprev de Maceió no Banco Master. A repercussão da reportagem nas redes sociais também provocou uma série de comentários cobrando manifestação de JHC sobre o caso.
No vídeo, Renan insiste nesse ponto.
“Aposentados e pensionistas pediram explicações. JHC, mais uma vez, em silêncio. JHC, que indicou Rony Mota. JHC em silêncio gigante.”
Documentos ampliaram questionamentos
As cobranças sobre o papel da antiga gestão municipal aumentaram nas últimas semanas depois que o vereador Rui Palmeira apresentou documentos relativos às aplicações.
Entre o material divulgado estão registros de negociações realizadas pelo então presidente do Iprev, Ronnie Mota, além de documentação relacionada às operações financeiras.
Reportagem da Gazeta de Alagoas registrou que, após ser procurada para comentar as declarações e documentos apresentados por Rui Palmeira, a assessoria de JHC informou que ele não comentaria as acusações feitas pelo vereador.
O próprio Rui ressalvou que documentos nos quais JHC aparece como representante do ente municipal não provam, isoladamente, que o então prefeito tenha autorizado pessoalmente a aplicação. A discussão levantada por ele é sobre a cadeia de decisões e a responsabilidade política da administração.
É exatamente nessa zona ainda dependente das investigações que Renan Filho procura pressionar o adversário a falar.
E o “silenciômetro” chega à TV Gazeta
No final do vídeo, Renan Filho conecta o caso Banco Master a outro episódio que marcou a campanha nesta terça-feira.
JHC deveria abrir a série de entrevistas da Organização Arnon de Mello com os candidatos ao Governo de Alagoas, no programa Bom Dia Alagoas.
Não compareceu.
Segundo a GazetaWeb, o candidato seria entrevistado ao vivo por 30 minutos. Sua assessoria comunicou apenas na noite anterior que ele não poderia estar presente no horário e na data previamente estabelecidos.
Foi aí que Renan encerrou o “silenciômetro” com a pergunta mais dura do vídeo:
“Você fugiu da sabatina de hoje na TV Gazeta para não falar sobre o Banco Master?”
A frase é uma provocação eleitoral de Renan Filho. Não há evidência apresentada até agora de que a ausência de JHC na entrevista tenha ocorrido especificamente para evitar perguntas sobre o Iprev ou o Banco Master.
Mas a pergunta encontra terreno político justamente porque o assunto permanece cercado de questionamentos e porque a entrevista seria uma oportunidade para JHC apresentar publicamente sua versão.
A cadeira vazia aumenta a pressão
A estratégia de Renan é clara: transformar a ausência de respostas sobre o Iprev em um problema político para o adversário.
O “silenciômetro” reúne três acontecimentos que, isoladamente, já traziam desgaste potencial: uma investigação da Polícia Federal sobre R$ 97 milhões pertencentes ao sistema previdenciário municipal; a cobrança pública de explicações sobre decisões tomadas durante a gestão de JHC; e agora a ausência em uma entrevista ao vivo na qual essas perguntas poderiam ser feitas.
Ao unir os episódios num único vídeo, Renan tenta consolidar uma narrativa simples: quanto maior a cobrança, maior seria o silêncio do adversário.
O ataque também explora uma vulnerabilidade própria das campanhas fortemente baseadas em redes sociais. Em vídeos produzidos pela própria equipe, candidatos escolhem assunto, cenário, duração e mensagem. Numa sabatina jornalística, não escolhem as perguntas.
E o caso do Banco Master reúne justamente as perguntas que Renan quer ver JHC responder.
Quem decidiu aplicar os recursos?
Que informações chegaram ao então prefeito?
Qual era o acompanhamento da administração municipal sobre o Iprev?
Que providências foram tomadas depois que surgiram os questionamentos?
E qual é hoje a posição de JHC sobre os R$ 97 milhões investigados pela Polícia Federal?
Do silêncio, Renan tenta criar um símbolo da campanha
O lançamento do “silenciômetro” mostra que a disputa pelo Governo de Alagoas entrou numa fase em que cada ausência e cada resposta passam a integrar a batalha pela percepção do eleitor.
Renan Filho encontrou no caso Iprev/Master um tema que pretende manter sobre a mesa.
E a ausência de JHC na TV Gazeta ofereceu ao emedebista um novo elemento para a cobrança.
A pergunta lançada no encerramento do vídeo — “Você fugiu da sabatina para não falar sobre o Banco Master?” — é politicamente pesada, mas ainda é uma pergunta que somente JHC pode responder.
Enquanto não responde, Renan tenta fazer do silêncio a própria resposta.
A Tribuna do Sertão mantém espaço aberto para manifestação de JHC sobre as declarações de Renan Filho e sobre os questionamentos relacionados ao caso Iprev/Banco Master.
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