Política
Augusto Cury pretende reajustar salário mínimo pela inflação e mais 1% ao ano
Candidato à Presidência enfatiza valorização do salário mínimo e propõe mudanças no SUS.
O candidato à Presidência pelo partido Avante, Augusto Cury, afirmou que pretende reajustar o salário mínimo pela inflação e mais 1% ao ano, caso seja eleito. A declaração foi feita durante sabatina promovida pela TV Globo na noite deste sábado, 29.
Cury destacou que a política de valorização do salário mínimo é necessária para fortalecer a classe média. Segundo ele, o ganho real poderia resultar em uma alta acumulada de 50% a 60% ao longo de quatro anos.
"Se controlarmos as contas públicas e formos mais responsáveis, certamente haverá espaço para ter, pelo menos, 1% ao ano a mais do que a inflação", disse. Nos próximos oito a dez anos, o candidato enxerga que o salário mínimo brasileiro pode alcançar US$ 300.
Sobre ligação com empresa de telemedicina
Augusto Cury negou ter vínculo atual com uma empresa de telemedicina da qual já foi sócio. Durante a sabatina, ele afirmou não ser mais embaixador do programa da companhia. Questionado sobre um eventual conflito de interesse ao propor a ampliação da telemedicina no Sistema Único de Saúde (SUS), Cury disse que sua experiência com a empresa lhe permite afirmar que o modelo pode ser aplicado de forma "barata" e "eficiente".
Cury afirmou que uma telemedicina estruturada pelo governo poderia resolver 80% dos casos de atendimento no SUS. Segundo ele, o serviço teria médicos disponíveis 24 horas por dia e utilizaria inteligência artificial. Questionado sobre a compatibilidade da proposta com as regras do Conselho Federal de Medicina (CFM), que preservam a assistência presencial, Cury argumentou que o órgão "precisa ser atualizado" diante do avanço tecnológico.
Na educação, Cury negou a intenção de comercializar para escolas públicas os programas de ensino e desenvolvimento emocional que criou. Ele afirmou que ofereceria gratuitamente às escolas um programa baseado nos métodos que desenvolveu, mas ressaltou que não está propondo a adoção obrigatória de seu modelo. Segundo o candidato, eventuais mudanças deveriam envolver a revisão da Base Nacional Curricular e a participação de especialistas e do Conselho Nacional de Educação.
Previdência
Augusto Cury declarou que não é favorável a uma nova Reforma da Previdência "em hipótese alguma". Para enfrentar o déficit previdenciário, ele defendeu o aumento da produtividade das empresas, com o uso de inteligência artificial e robótica, além do estímulo ao empreendedorismo. Durante a sabatina, o candidato apontou que uma nova reforma penalizaria pessoas próximas da aposentadoria.
Cury também explicou que dividiria o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em duas instituições: uma voltada a grandes empresas e outra para microempresas. A proposta, segundo ele, ajudaria a financiar 10 milhões de microempresas no país.
Na política externa, Cury afirmou que o Itamaraty é especializado em pacificação, mas deveria desenvolver maior capacidade de promover comercialmente o Brasil no exterior. "Nós somos peritos em pacificação, mas precisamos ser peritos em vender o Brasil lá fora de maneira adequada e inteligente", afirmou.
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