Política

Instituto que aponta vantagem de JHC coleciona denúncias e já foi condenado por fraude em pesquisas

28/08/2026
Instituto que aponta vantagem de JHC coleciona denúncias e já foi condenado por fraude em pesquisas
Instituto que aponta vantagem de JHC coleciona denúncias e já foi condenado por fraude em pesquisas

O Instituto Ranking Brasil, que acaba de divulgar pesquisa eleitoral em Alagoas, favorecendo o candidato a govenador JHC, coleciona denúncias, processos e condenações na Justiça em vários estados, como Rio Grande do Norte, Maranhão e Mato Grosso do Sul, onde a empresa é sediada. As acusações apontam fraudes, com distorção grosseira da realidade, como a repetição de dados idênticos em pesquisas feitas em períodos distintos.

Foi o que ocorreu, por exemplo, no município de Jandaíra (RN) em 2024. A Justiça vetou a divulgação de dois levantamentos diante das evidências de erros nas informações registradas. Ao barrar a publicação, o juiz Rainel Batista Pereira escreveu que o volume de falhas “levanta grave suspeita de manipulação ou erro sistemático no processo de coleta e tabulação dos dados”.

Na eleição de 2022, o Tribunal Regional Eleitoral do MS impediu a divulgação de pesquisas do Instituto Ranking para os cargos de governador, deputado estadual, deputado federal e senador. Segundo a ação, não houve informações sobre o número exato de municípios visitados e nem os bairros e regiões das cidades informadas. Dados como gênero, escolaridade e renda também foram ignorados pelo instituto.

Em outro caso de 2024, o Ministério Público Eleitoral do MS pediu a condenação do instituto por causa de fraudes generalizadas nas pesquisas. Além da falsificação de dados, a empresa é acusada de ocultar a origem dos recursos que financiam o trabalho. Com isso, não se sabe quem pagou pelas pesquisas – o que é vedado pela Justiça Eleitoral.

Nesse sentido, na manifestação do MP, o procurador Anselmo Magalhães afirma que o Ranking agiu “com o claro intuito de ocultar a origem dos valores”, pois Antônio José Ueno, dono do instituto, “abriu duas empresas distintas e com elas realizou a contratação de diversas pesquisas” no Mato Grosso do Sul.

O empresário Antônio José Ueno, dono do Instituto Ranking, também acumula histórico de tentativa de censurar a imprensa para evitar notícias sobre as acusações pelas quais responde na Justiça. Num dos casos recentes, deste ano, a Justiça rejeitou a ofensiva do empresário contra o jornal Fato 67. Na sentença, a juíza Isabela Ferreira diz que “considera-se legítimo o exercício da liberdade de imprensa se o conteúdo da notícia for verdadeiro e sua divulgação for de interesse público”.

Disparidade de números


Os dados do Instituto Ranking divulgados agora sobre a eleição de Alagoas afrontam a pesquisa Quaest, que informou cenário de empate técnico entre Renan Filho e JHC, com vantagem numérica para o candidato do MDB sobre o adversário do PSDB. Pelos dados da Quaest – empresa de credibilidade reconhecida nacionalmente – o placar é de 42% a 40%. Já no Ranking, o ex-prefeito de Maceió venceria no primeiro turno se a eleição fosse hoje.