Política

Influenciadora diz ter sido processada por Raquel Lyra e reage: ‘Agora vou fazer campanha para João Campos’; vídeo

Teresa Freitas, criadoracebeu seu primeiro processo após associar governadora ao bolsonarismo; em vídeo, desafia Raquel a negar o rótulo e diz que ação teve “efeito contrário”

Redação 27/08/2026
Influenciadora diz ter sido processada por Raquel Lyra e reage: ‘Agora vou fazer campanha para João Campos’; vídeo
Teresa Freitas

A disputa política em Pernambuco ganhou mais um capítulo nos tribunais e nas redes sociais. A jornalista e influenciadora Teresa Freitas, criadora da página “Eu Tô com Lula”, afirmou nesta quinta-feira (27) que foi processada pela governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) após publicações nas quais associa a chefe do Executivo pernambucano ao bolsonarismo.

A reação de Teresa veio em vídeo publicado nas redes sociais. Com quase 1 milhão de seguidores em sua página de conteúdo político, a pernambucana contou que esse seria o primeiro processo recebido desde que começou sua atuação digital, apesar de ter passado anos fazendo críticas a Jair Bolsonaro e à família do ex-presidente.

“Recebi meu primeiro processo, gente, depois de anos e anos criticando o governo Bolsonaro, criticando Bolsonaro, os filhos de Bolsonaro, a família Bolsonaro. Eu recebo meu primeiro processo. Logo de quem? Da governadora Raquel Lyra”, disse.

Segundo Teresa, a medida judicial questionaria conteúdos em que ela faz “propaganda negativa” contra a governadora ao vinculá-la politicamente ao bolsonarismo.

A influenciadora não recuou.

“Pra mim, ela é bolsonarista e vai continuar sendo bolsonarista até ela dizer que não é bolsonarista”, afirmou.

Raquel rejeitou o rótulo, mas não escolheu candidato a presidente


A declaração de Teresa acontece justamente um dia depois de Raquel Lyra ter sido questionada diretamente sobre o assunto.

Em sabatina promovida pelo Diario de Pernambuco nesta quarta-feira (26), a governadora rejeitou a tentativa de classificá-la como bolsonarista, mas novamente evitou declarar apoio a um candidato à Presidência da República.
“Eu sou pernambuquista. Vão querer me rotular”, respondeu Raquel.

A governadora adotou comportamento semelhante na eleição presidencial de 2022, quando decidiu não declarar voto nem em Lula nem em Jair Bolsonaro no segundo turno.

Isso não significa, por si só, que Raquel seja bolsonarista. Há, entretanto, um dado político que alimenta a associação feita por seus adversários: figuras conhecidas do campo bolsonarista em Pernambuco passaram a apoiar sua candidatura.
O ex-ministro de Jair Bolsonaro Gilson Machado, por exemplo, compareceu à abertura do comitê de Raquel no Recife e declarou publicamente que votará nela.

“A direita não trouxe um candidato ao governo de Pernambuco e eu escolho apoiar e votar em Raquel Lyra”, afirmou Gilson.

O ex-ministro e seu filho também estiveram na convenção da governadora, onde houve manifestações de apoio a Flávio Bolsonaro.

Outro nome da direita, Mendonça Filho (PL), candidato ao Senado, vem participando de atos da campanha de Raquel e também declarou voto na governadora.

É justamente essa aproximação que Teresa utiliza para sustentar politicamente sua opinião.

“Vai processar Gilson Machado também?”


No vídeo, a influenciadora questiona por que Raquel recorreria à Justiça contra perfis de redes sociais enquanto recebe apoio de políticos identificados com Bolsonaro.

“Está processando Gilson Machado também ou só está processando os influenciadores? A parte mais fraca?”, provocou.

Teresa foi além e lançou um desafio público à governadora.

“Grava um vídeo dizendo que não é bolsonarista. Grava, governadora”, disse.

O fato é que Raquel já rejeitou publicamente o rótulo, embora tenha preferido se definir como “pernambuquista” e continue sem anunciar uma posição na corrida presidencial de 2026.

Intimação chegou no momento do escândalo do “gabinete do ódio”


Outro ponto levantado pela influenciadora tornou o episódio politicamente ainda mais explosivo.

Teresa diz ter recebido a intimação justamente quando repercutia uma reportagem da Record sobre a existência de uma possível estrutura de páginas e perfis destinada a produzir ataques contra o candidato a governador João Campos (PSB).

A reportagem apontou relações entre operadores de páginas nas redes sociais, um servidor público cedido ao Governo do Estado e contratos de publicidade pagos por órgãos estaduais.

O servidor Amisadai Andrade da Silva, então superintendente de Operações da Arena Pernambuco, foi exonerado na quarta-feira (26), depois da veiculação da reportagem. Ele aparece no material da emissora falando sobre uma estratégia para tentar “desidratar” politicamente João Campos.

Raquel Lyra nega a existência de um gabinete do ódio sob seu comando e afirmou que não faz política dessa maneira. Sobre as declarações do ex-servidor, a governadora afirmou querer provas de qualquer ligação direta dela com a suposta operação.

Nesta quinta-feira (27), a coligação de João Campos anunciou que levará o episódio ao TRE-PE por meio de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por suposto abuso de poder político e econômico, uso indevido dos meios de comunicação e outras irregularidades. A acusação ainda será examinada pela Justiça Eleitoral.

Processo produziu efeito contrário


Se a intenção da medida judicial era fazer Teresa abandonar a associação entre Raquel e o bolsonarismo, o vídeo indica que ocorreu justamente o contrário.

A influenciadora afirmou que, até receber o processo, não fazia campanha para João Campos, não o conhecia pessoalmente e sequer o seguia nas redes sociais.

Agora, anunciou que passará a apoiá-lo.

“A partir de hoje, a minha página vai fazer campanha para João Campos. De graça”, afirmou.

No encerramento, Teresa endureceu ainda mais o discurso.

“Pode mandar processo. Eu não tenho medo da senhora”, declarou.

E prometeu continuar chamando Raquel de bolsonarista.

A manifestação coloca novamente no centro da campanha pernambucana uma questão que começa a ganhar espaço também em outros estados: até onde vai o direito de candidatos e autoridades recorrerem à Justiça contra críticas políticas feitas por jornalistas, influenciadores e cidadãos nas redes sociais?

Não há dúvida de que candidatos podem procurar o Judiciário diante de desinformação, calúnia ou propaganda eleitoral ilegal. Também é verdade, porém, que críticas, enquadramentos ideológicos e opiniões sobre pessoas que disputam cargos públicos ocupam espaço especialmente protegido no debate democrático, desde que não ultrapassem os limites estabelecidos pela legislação.

No caso de Teresa Freitas, o resultado político imediato da judicialização parece ter sido um efeito bumerangue: uma influenciadora que dizia não fazer campanha para João Campos anunciou, diante de seus quase 1 milhão de seguidores, que passará a fazê-la.

E tudo começou com um processo.

VEJA O VÍDEO ABAIXO

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