Política
Vereadora denuncia negociação de propina com a PM de SP em 2021
Amanda Vettorazzo revela propostas de suborno em depoimento à Polícia Civil.
Ao denunciar uma proposta de propina na noite de terça-feira, 25, a vereadora Amanda Vettorazzo (Missão) declarou à Polícia Civil de São Paulo que o responsável pela oferta se apresentou como representante do Oakmont Group, empresa responsável pelos negócios no Brasil da Axon, que fornece câmeras corporais à Polícia Militar de São Paulo. No depoimento, a vereadora afirmou que a empresa também teria negociado propina ao fechar o contrato com o governo paulista para os equipamentos usados pelos policiais militares.
A Axon manteve um contrato de fornecimento de equipamentos com o governo de São Paulo de 2021 até 2025, quando a gestão estadual realizou uma nova licitação e passou a adquirir as câmeras da Motorola. A empresa chegou a receber até R$ 83,6 milhões por ano para fornecer 10.125 câmeras à PM paulista.
O Oakmont Group emitiu uma nota na qual revelou estar surpreso com as alegações da vereadora e que iniciou verificações internas para esclarecer a situação. A empresa afirmou que o homem detido na terça-feira nunca foi seu funcionário e se colocou à disposição dos investigadores. Confira a íntegra da nota ao fim deste texto.
Questionada pela reportagem, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) não respondeu até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
O autor da suposta oferta de propina é Diego Fernando Oporto Soliz, preso em flagrante por corrupção ativa. Segundo Amanda Vettorazzo, que é coordenadora de campanha do candidato à Presidência Renan Santos (Missão), o objetivo da proposta seria a obtenção de um contrato de R$ 60 milhões com a Guarda Civil Metropolitana de São Paulo para o fornecimento de câmeras corporais. Na condição de ajudar a empresa, a parlamentar, membro da Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal, receberia 5% do valor.
Em um vídeo divulgado pela vereadora, Diego menciona um adiantamento de R$ 200 mil. "A proposta é 5% daquele projeto de 60 milhões. ... O incentivo inicialmente poderia ser de 200, só para dar um sinal", disse Diego Fernando Oporto Soliz. Ao ser questionado se sabia que aquilo era corrupção, ele respondeu "sim".
Na gravação, Diego afirmou que um homem chamado Wilson, que seria representante do Oakmont Group, teria sido o responsável pela oferta de propina. No depoimento prestado à Polícia Civil, Vettorazzo comentou que, segundo Oporto Soliz, foi Wilson quem negociou a porcentagem de propina durante a contratação das câmeras corporais pela Polícia Militar. Na nota enviada à reportagem, o Oakmont Group não menciona quem seria este homem que teria negociado a propina com o governo paulista em 2021.
Aproximação com a vereadora começou em grupo de Igreja
Amanda Vettorazzo relatou que Diego Fernando Oporto Soliz se aproximou via WhatsApp, por meio de um grupo de igreja. Inicialmente, ele mencionou o desenvolvimento de um aplicativo bíblico. Em janeiro, enquanto estava em Medellín, na Colômbia, a parlamentar foi contatada por ele para uma reunião, ocasião em que disse ser representante de projetos na área de segurança pública.
Após o encontro, um assessor de Vettorazzo se reuniu com outros indivíduos identificados como representantes do Oakmont Group para apresentação de soluções tecnológicas, como tasers, drones com fio e sistemas de gestão de dados.
Em junho, a vereadora apresentou na Comissão de Segurança Pública um requerimento para convidar o Oakmont Group a participar de uma sessão no colegiado, que ocorreu no dia 16 daquele mês. Estiveram presentes, além do próprio Oporto Soliz, Marcio Caggiano e Marcelo Raza, focando a apresentação nos modelos de câmera Axon Body 3 e Axon Body 4.
Conforme Vettorazzo, apesar do interesse dos representantes em iniciar tratativas sobre uma possível contratação, ela deixou claro que não tinha interesse em apresentar um projeto nesse sentido. Semanas depois, conforme relato da vereadora, teria ocorrido a primeira oferta de propina, 5% dos R$ 60 milhões que seriam acordados com a gestão municipal. Nesta terça-feira, quando Oporto Soliz voltou a procurá-la, ela decidiu gravar o encontro e registrou em vídeo a proposta sendo verbalizada novamente.
Leia a nota da Oakmont Group na íntegra
A Oakmont Group recebeu com surpresa as alegações recentemente divulgadas na imprensa envolvendo o nome da empresa e, assim que tomou conhecimento dos fatos, iniciou verificações internas necessárias para compreender e esclarecer as circunstâncias mencionadas.
A empresa esclarece que, em seu quadro de funcionários ou representantes, nunca empregou a pessoa Diego Fernando. Até o momento, também não foi identificada qualquer autorização, determinação ou orientação institucional relacionada às condutas relatadas.
Desde que tomou conhecimento do caso, a Oakmont Group tem adotado todas as medidas ao seu alcance para contribuir com o esclarecimento dos fatos e coloca-se integralmente à disposição das autoridades competentes, inclusive para fornecer informações e documentos que possam auxiliar nas investigações.
A Oakmont Group repudia qualquer prática que viole a legislação ou seus princípios de ética e integridade. Com anos de atuação no mercado, a empresa mantém seu compromisso com a ética, a transparência, a governança e o cumprimento da legislação.
A Oakmont Group confia no trabalho das autoridades e considera fundamental que as investigações avancem para o completo esclarecimento dos fatos e a adequada apuração de eventuais responsabilidades, sem conclusões antecipadas.
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