Política

Analista que acertou 100 prefeitos desenha os 9 de Alagoas na Câmara: União Progressista pode fazer 4, MDB 2 e PSD até 3

Marcelo Bastos crava Álvaro Lira e Fábio Costa, vê Marx Beltrão praticamente dentro, aponta Isnaldo Bulhões e Rafael Brito no MDB e diz que Luciano Amaral está “garantidíssimo”; duas ou três cadeiras ainda dependem da briga interna das chapas

Redação 26/08/2026
Analista que acertou 100 prefeitos desenha os 9 de Alagoas na Câmara: União Progressista pode fazer 4, MDB 2 e PSD até 3
Analista político crava em podcast os possíveis eleitos em outubro para a Câmara Federal

A disputa pelas nove cadeiras de Alagoas na Câmara dos Deputados começa a ganhar um desenho mais claro na avaliação de um dos analistas eleitorais com melhor retrospecto recente no estado. Marcelo Bastos, analista político, professor, escritor e criador do Instituto MB Pesquisas, fez no TribunaPod, podcast da Tribuna Independente, uma espécie de radiografia das chapas e apontou quem, neste momento, está mais perto de chegar a Brasília.
A projeção é especialmente relevante pelo histórico de Bastos. Na entrevista, ele lembrou que, em 2024, publicou uma semana antes da eleição municipal seus prognósticos para os 102 municípios de Alagoas e acertou 100 prefeitos. Também afirmou que, na eleição geral anterior, acertou os nove deputados federais eleitos e 26 dos 27 estaduais. A Tribuna Independente igualmente registra que Bastos acertou 100 dos 102 resultados municipais em 2024.
Agora ele volta a colocar o prognóstico à prova.
E, na conta apresentada por Bastos, a eleição federal deverá ficar fortemente concentrada em três grandes chapas: União Progressista, MDB e PSD.
A União Progressista pode fazer quatro deputados; o MDB, dois; e o PSD tem duas vagas consideradas muito possíveis, podendo alcançar uma terceira. Se esse cenário máximo se confirmar, as três forças ocupariam, sozinhas, as nove cadeiras destinadas a Alagoas.
União Progressista larga na frente e pode levar quatro
Para Marcelo Bastos, a chapa mais poderosa da eleição proporcional é a União Progressista, federação formada por PP e União Brasil e articulada politicamente pelo grupo do deputado Arthur Lira.
A avaliação do analista é de que a federação tem três cadeiras praticamente asseguradas e força suficiente para buscar a quarta. Em uma combinação ainda mais favorável, poderia até avançar além disso.
Dois nomes foram tratados por Bastos de maneira particularmente enfática.
O primeiro é Álvaro Lira, filho de Arthur Lira.
“Eu cravaria logo de cara o Álvaro Lira.”
O segundo é o deputado Fábio Costa.
“E o outro, de cara, sem medo de errar, é o Fábio Costa.”
Bastos avalia que Álvaro deverá herdar parcela significativa da estrutura eleitoral construída por Arthur Lira. No caso de Fábio Costa, acredita que a ausência de Alfredo Gaspar da disputa proporcional abre um espaço importante no eleitorado conservador.
O terceiro nome colocado em posição privilegiada é Marx Beltrão. Mesmo reconhecendo que o deputado perdeu bases em alguns municípios, Bastos considera que a reunificação política da família Beltrão compensa parte dessas perdas.
“Eu acho que o Marx também emplaca uma terceira vaga.”
A própria reportagem da Tribuna Independente sobre a entrevista resumiu o desenho da União Progressista da mesma forma: Álvaro Lira, Fábio Costa e Marx Beltrão aparecem como os três nomes mais fortes, com a quarta vaga sendo disputada principalmente por outros integrantes da federação.

A quarta cadeira vira guerra entre Daniel, Nivaldo e Gunnar


É na eventual quarta vaga da União Progressista que começa uma das grandes disputas internas da eleição.
Marcelo Bastos colocou na briga Daniel Barbosa, Nivaldo Albuquerque e Gunnar Nunes.
Daniel chega à eleição com votação anterior expressiva e forte ligação política com Arapiraca. Bastos, porém, chama atenção para a concorrência que ele terá em seu principal reduto e para a necessidade de compensar eventuais perdas buscando novas bases.
Nivaldo Albuquerque também foi apontado como um candidato de peso. Já Gunnar Nunes aparece fortalecido pela vinculação ao segmento evangélico e à Assembleia de Deus.
Bastos resumiu a situação da federação de forma categórica: três eleitos são, para ele, uma projeção muito segura; o quarto é perfeitamente possível.

MDB: Isnaldo e Rafael Brito


No MDB, Marcelo Bastos foi ainda mais objetivo.
“O MDB faz dois. Eu não tenho nenhuma dúvida.”
Os nomes apontados são Isnaldo Bulhões e Rafael Brito.
Isnaldo, atual deputado federal e liderança nacional da legenda na Câmara, foi tratado como nome consolidado. Rafael Brito aparece logo depois na projeção.
“Aí, na chapa do MDB, dois.”
Bastos considera remota, neste momento, a possibilidade de uma terceira cadeira para o partido.
Com isso, na matemática do analista, cinco das nove vagas já aparecem muito encaminhadas apenas somando os três principais nomes da União Progressista e os dois do MDB.

Luciano Amaral está “garantidíssimo”


No PSD, Marcelo Bastos utilizou uma das expressões mais fortes de toda a entrevista para definir a situação de Luciano Amaral.
Questionado se o parlamentar estaria com a cadeira garantida, respondeu:
“Garantidíssima.”
E foi além. Para Bastos, Luciano poderá terminar a eleição entre os candidatos mais votados de Alagoas, com possibilidade de alcançar algo próximo de 150 mil votos ou até ultrapassar essa marca.
O analista atribui boa parte da estrutura de Luciano à articulação política em torno do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor, um dos principais operadores políticos da chapa do PSD.
A projeção é que a votação de Luciano ajude a legenda a conquistar uma segunda cadeira.

Rui Palmeira e Samyra aparecem com força pela segunda vaga


É na definição do segundo nome do PSD que o cenário fica mais aberto.
Na análise individual dos candidatos, Bastos destacou Rui Palmeira como alguém com “grande possibilidade” dentro da chapa. O ex-prefeito de Maceió, segundo ele, aparece bem em levantamentos internos realizados na capital e carrega ainda o peso eleitoral de uma família tradicional da política alagoana.
Outro nome que mereceu atenção especial foi Samyra do Basto.
Embora ainda seja pouco conhecida por parte do eleitorado estadual, Bastos chamou atenção para a estrutura existente por trás da candidatura e fez uma projeção ousada:
“Ela vai para mais de 50 mil votos.”
E completou:
“Ela é forte candidata.”
Samyra é candidata oficial do PSD à Câmara Federal.
Também entram nessa disputa nomes como Rute Nezinho e Davi Maia. Davi, que já exerceu mandato de deputado estadual, foi citado como alguém que pode entrar seriamente na briga caso consiga ampliar sua estrutura.
Já Júlia Nunes foi apontada por Bastos como possível “sensação” da eleição: talvez não consiga uma cadeira, mas, segundo ele, pode produzir votação expressiva e fazer “muito barulho”.
A chapa oficial do PSD reúne, entre outros, Luciano Amaral, Rui Palmeira, Davi Maia, Júlio Cezar, Rute Nezinho, Samyra do Basto, Júlia Nunes e Silvania Barbosa.

Júlio Cezar fica fora da conta


Foi exatamente nesse ponto da análise que surgiu o recorte envolvendo o ex-prefeito de Palmeira dos Índios Júlio Cezar.
Bastos não o colocou entre os nomes que acredita capazes de chegar à Câmara.
“O ex-prefeito de Palmeira, eu não acredito que ele chegue. Vai ter uma votação localizada lá em Palmeira, mas acredito que não chega para se eleger.”
Para o analista, portanto, o chamado “Imperador” poderá obter votos em seu reduto, mas não demonstra, neste momento, capilaridade estadual suficiente para entrar no grupo dos favoritos.
PSD pode fazer dois - e sonha com três
Ao terminar a leitura da chapa, Bastos fez a conta:
“Aqui faz dois, de certeza, com a possibilidade de um terceiro.”
Isso significa que Luciano Amaral aparece como o nome mais consolidado, enquanto candidatos como Rui Palmeira, Samyra do Basto, Rute Nezinho e Davi Maia disputariam o espaço seguinte.
Uma eventual terceira cadeira dependerá não apenas da votação do PSD, mas também do desempenho das outras chapas.
A própria Tribuna Independente registrou que Bastos considera Luciano praticamente eleito e vê os demais nomes disputando a segunda vaga da legenda.
E onde ficam as nove vagas?
A fotografia traçada por Marcelo Bastos não é uma lista fechada com nove nomes imutáveis. Ele é mais categórico com alguns candidatos e deixa outras cadeiras sujeitas ao desempenho das chapas e às sobras eleitorais.
Hoje, os nomes colocados por ele no patamar mais elevado são:
Álvaro Lira, Fábio Costa e Marx Beltrão, pela União Progressista; Isnaldo Bulhões e Rafael Brito, pelo MDB; e Luciano Amaral, pelo PSD.
São seis nomes que aparecem à frente na análise.
Para completar a bancada de nove, Bastos enxerga a quarta vaga da União Progressista sendo disputada principalmente por Daniel Barbosa, Nivaldo Albuquerque e Gunnar Nunes; e mais uma ou até duas cadeiras do PSD, onde Rui Palmeira e Samyra do Basto receberam avaliações particularmente positivas, além de outros candidatos competitivos.
É justamente aí que está o principal ingrediente da eleição proporcional de outubro: Bastos praticamente desenha a distribuição das nove cadeiras, mas mantém abertas algumas das disputas individuais mais importantes.
PSDB corre risco de não eleger ninguém
Outra conclusão forte da entrevista envolve o PSDB.
Marcelo Bastos considera que a chapa tucana perdeu musculatura e poderá terminar a eleição sem deputado federal eleito, a depender do desempenho de seus principais candidatos e das sobras.
A avaliação é semelhante para a federação formada por PT, PCdoB e PV. Na conta de Bastos, ela terá dificuldade para atingir diretamente a votação necessária para uma cadeira, deixando Paulão dependente de uma disputa por sobra eleitoral.
O analista explicou durante o programa que, em seus cálculos, uma legenda ou federação precisaria de aproximadamente 180 mil votos para produzir diretamente uma cadeira. Caso não alcance esse patamar, teria de cumprir os requisitos necessários para participar da distribuição das sobras.
Por isso, mais do que as votações individuais, a capacidade de cada chapa de acumular votos poderá decidir quem estará em Brasília a partir de fevereiro.

Histórico aumenta expectativa sobre prognóstico


Marcelo Bastos deixou claro que o estudo ainda está sendo atualizado e que pretende acompanhar a evolução da campanha até próximo da eleição.
Mas há um dado que inevitavelmente aumenta a expectativa em torno de suas previsões.
Na entrevista, ele recordou que, na eleição anterior para deputado federal, acertou os nove nomes que acabaram eleitos por Alagoas. Para deputado estadual, afirmou ter acertado 26 dos 27.
E em 2024, no desafio muito maior de projetar 102 eleições municipais diferentes, chegou a 100 acertos.
É esse retrospecto que transforma sua leitura da atual corrida pela Câmara em mais do que um simples palpite.
A menos de dois meses das urnas, a projeção de Marcelo Bastos coloca a União Progressista na pole position, MDB e PSD logo atrás e deixa um recado aos demais partidos: na matemática eleitoral que ele enxerga hoje, as nove cadeiras de Alagoas já estão sendo disputadas em um funil cada vez mais estreito — e boa parte dos favoritos já tem nome e sobrenome.