Política
PF investiga operador financeiro de amiga de Lulinha por pagamentos em dinheiro vivo
Lobista é suspeita de tráfico de influência; defesa refuta relação com o filho do presidente Lula.
A investigação da Polícia Federal (PF) identificou um operador financeiro que era utilizado pela lobista Roberta Luchsinger para realizar saques em dinheiro vivo e pagamentos em espécie. Uma das suspeitas é que esse operador pagou passagens aéreas para Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Lula. Roberta e Lulinha estão sendo investigados por suspeitas de tráfico de influência no governo.
A PF encontrou diálogos de Roberta com esse operador no telefone celular dela. O homem, identificado como Ulisses Barbosa, também atuava como motorista. Com base nessas descobertas, a PF informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) em um dos inquéritos abertos sobre Roberta e Lulinha que ainda vai aprofundar a análise sobre esse operador financeiro, expressão usada pela própria corporação, que poderá resultar em suspeitas de lavagem de dinheiro.
Procurado, o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que a PF não possui comprovações de que esses saques em dinheiro vivo foram utilizados para pagar viagens de Lulinha e afirmou que ele não mantém relação com esse suposto operador. “Não dá para dizer que esses pagamentos da agência de viagens têm relação com o pagamento de viagens do Fábio”, declarou o advogado. A defesa de Roberta Luchsinger e do motorista não se manifestaram.
Em uma das conversas com o operador, transcrita pela PF, Roberta chegou a ordenar que ele fizesse um depósito para uma agência de viagens que era utilizada por ela e por Lulinha. “Deposita 50 mil nessa conta também”, escreveu ela em uma das mensagens obtidas pela PF.
Uma das suspeitas da investigação é que ela ordenava depósitos em dinheiro vivo para dificultar o rastreamento das despesas. A PF identificou que esse pagamento à agência de viagens coincidiu com uma viagem realizada por Roberta e Lulinha, por exemplo.
Como mostrou o Estadão em março, a PF já indicava, naquela época, suspeitas de que recursos de Roberta Luchsinger foram usados para pagar uma agência de viagens utilizada por Lulinha, com base em relatórios de inteligência financeira. As novas descobertas envolvendo o operador financeiro trazem novos elementos sobre isso.
A PF suspeita que a lobista gastava cerca de R$ 100 mil mensais para manter uma casa utilizada por Lulinha. Em um diálogo de 2025, transcrito pelos investigadores e obtido pelo Estadão, Roberta relatou ter conversado com Lulinha sobre as despesas da residência e mencionou a necessidade de cortar gastos de passagens aéreas diante da demora nos pagamentos de um empresário.
Conforme relato feito por Roberta ao empresário Cléber Ribas, ela disse a Lulinha: “Ó Fábio, agora acabou porque a casa por mês a gente gasta em torno de R$ 100 mil, então assim, não vai mais dar para ter essas passagens”. Ao reproduzir o diálogo, ela afirmou que Lulinha respondeu que pediria os pagamentos diretamente aos empresários.
No último domingo, 23, o presidente Lula comentou sobre as investigações envolvendo seu primogênito. Em entrevista à Record, Lula afirmou tratar com “muita seriedade” o caso envolvendo o filho. “Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigação é que se faz. ... Meu filho sabe, se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele”, disse.
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