Política

Tarcísio diz que disputa ao Planalto é 'projeto de Deus' após pastor citá-lo como presidente

Governador de SP destaca foco na reeleição e deixa futuro em mãos divinas

Estadao Conteudo 24/08/2026
Tarcísio diz que disputa ao Planalto é 'projeto de Deus' após pastor citá-lo como presidente
O governador Tarcísio de Freitas - Foto: Reprodução / Instagram

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a se manifestar sobre uma possível candidatura à presidência da República em 2030 nesta segunda-feira, 24. Após um pastor pedir para Deus abençoar o governador porque "em breve o Brasil será abençoado por sua liderança", Tarcísio afirmou que, neste momento, seu foco é vencer a reeleição e que ainda não é hora de pensar em outras eleições.

Tarcísio participou de um evento no Centro de São Paulo ao lado do prefeito Ricardo Nunes (MDB), onde recebeu apoio de comerciantes e donos de bares e restaurantes.

O pastor que mencionou a possibilidade de Tarcísio ser presidente da República no futuro foi Paulo Eduardo Gomes Vieira, da Primeira Igreja Batista de São Paulo. A menção ocorreu durante uma oração.

Ao ser questionado por jornalistas, o governador reiterou que seu foco é governar o Estado até 2030, cumprir as obras iniciadas no primeiro mandato e deixar "um legado".

"A gente quer agora ver essa nova etapa, também uma etapa de entrega, de legado, fazer um bom trabalho, que dê lá na frente para olhar para trás e dizer 'valeu a pena, estamos saindo com a cabeça erguida, com a missão cumprida'. É isso que importa. O resto, aí é o projeto de Deus, é o tempo vai dizer", declarou.

Este é o segundo momento em menos de uma semana que Tarcísio admite uma possível candidatura à Presidência da República no futuro. Anteriormente, ele costumava rechaçar tal ideia, limitando-se a afirmar que estava focado em São Paulo.

As declarações surgem após sinalizações do senador Flávio Bolsonaro (PL) de que pretende acabar com a reeleição caso seja eleito presidente. Segundo aliados do candidato do PL, a intenção é aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição entre o final da eleição e a posse em janeiro, com a medida valendo já para a eleição de 2030.

A PEC, protocolada pelo próprio Flávio em março, é vista no entorno do candidato como um gesto a Tarcísio e a todos os aliados do senador que desejam disputar a Presidência em 2030.

Em uma reunião com empresários na semana passada em São Paulo, Flávio disse a Tarcísio que deseja "entrar para a história, nem que seja como um presidente de transição".

O governador de São Paulo era cogitado como sucessor de Jair Bolsonaro (PL) nas urnas, mas o ex-presidente optou por lançar o filho.

Tarcísio e Flávio realizaram duas agendas eleitorais conjuntas em São Paulo até agora. Além do encontro na semana passada, estiveram juntos na Festa do Peão de Barretos (SP) no último sábado.

No entanto, o governador não acompanhou todos os compromissos de Flávio no Estado. Nesta segunda-feira, por exemplo, o candidato do PL estará à noite na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e em um evento promovido pela revista Veja, enquanto Tarcísio se reuniu com empresários e fez uma caminhada no Centro da capital paulista.

Questionado sobre a separação de agendas, Tarcísio disse que isso pode ser positivo. "Existe um planejamento e existem eventos que a gente tem que estar em conjunto", explicou.

"A divisão às vezes é boa. O cara está num lugar, o outro está no outro. Um está pedindo voto num lugar, o outro está pedindo voto no outro. Para quem teve Ribeirão Preto, viu o que eu falei ali sobre a necessidade do Flávio ganhar a eleição. Ele não estava comigo, mas eu estava pedindo voto pra ele", continuou o governador.

Como relatado pelo Estadão, a ordem na campanha de Tarcísio é deixar claro que seu candidato é Flávio e que o apoiará na eleição presidencial, até o limite em que isso não prejudique sua própria disputa em São Paulo.