Política
Palmeira deu quase 9 mil votos a Célia em 2010; oito anos depois, ela voltou e recebeu apenas 197
Eleitor palemeirense deu a Célia uma votação histórica para deputada federal, mas relação política não teve a continuidade esperada; oito anos depois, quando ela voltou a pedir votos, as urnas deram uma resposta contundente
Se os números de Alagoas mostram a perda de força eleitoral de Célia Rocha, é em Palmeira dos Índios que essa trajetória assume contornos ainda mais impressionantes.
Em 2010, Célia viveu no município uma verdadeira consagração eleitoral.
Candidata a deputada federal, recebeu quase 9 mil votos dos palmeirenses, uma votação extraordinária para os padrões da cidade naquele período. Foi a candidata a federal mais votada no município e alcançou um desempenho raramente registrado em Palmeira dos Índios por um candidato cuja principal base política estava em outra cidade.
Na prática, Palmeira tratou Célia como candidata da terra.
Milhares de eleitores confiaram nela e ajudaram decisivamente na construção dos mais de 124 mil votos que a levaram à Câmara dos Deputados.
A expectativa, naturalmente, era de reciprocidade política.
Ela não veio na proporção esperada.
Palmeira deu quase 9 mil votos; depois veio a frustração
Depois de eleita, Célia Rocha não manteve em Palmeira dos Índios uma presença política compatível com o tamanho da votação que havia recebido.
Entre eleitores e lideranças locais cresceu a percepção de que a cidade, apesar de ter contribuído de maneira extraordinária para sua eleição, deixou de ocupar espaço relevante em sua atuação política.
E o episódio que aprofundou essa frustração ocorreu apenas dois anos depois.
Em 2012, Célia voltou suas atenções novamente para Arapiraca e decidiu disputar a Prefeitura da cidade.
Venceu a eleição e, para assumir o cargo em janeiro de 2013, deixou o mandato de deputada federal conquistado com a ajuda de milhares de eleitores espalhados por Alagoas — entre eles, quase 9 mil palmeirenses.
A decisão era legítima do ponto de vista político.
Mas teve um preço.
Em Palmeira dos Índios, ficou a sensação de que a cidade havia ajudado a eleger uma deputada federal que, pouco tempo depois, abandonava Brasília para retornar ao projeto político de Arapiraca.
A relação que começou com uma votação histórica transformou-se em frustração.
Oito anos depois, apenas 197 votos
A dimensão dessa ruptura apareceu de maneira brutal quando Célia voltou às urnas.
Em 2018, candidata a deputada estadual, ela novamente pediu o voto dos palmeirenses.
A resposta foi de apenas 197 votos.
O contraste é devastador:
2010 — quase 9 mil votos.
2018 — 197 votos.
Em oito anos, Célia perdeu praticamente toda a votação que havia construído no município.
A queda foi superior a 97%.
Naturalmente, eleições diferentes possuem circunstâncias diferentes. Em 2018 havia novos candidatos, lideranças locais, outras alianças e uma conjuntura política completamente distinta.
Não é possível atribuir cada voto perdido exclusivamente ao afastamento de Célia em relação ao município.
Mas também não é possível apagar o que as urnas registraram.
A cidade que praticamente a consagrou em 2010 foi a mesma que, oito anos depois, lhe concedeu somente 197 votos.
Do encantamento à rejeição eleitoral
Poucos números conseguem traduzir tão claramente uma mudança de relação política.
Quase 9 mil votos significavam confiança.
197 votos significaram que aquela ligação eleitoral praticamente havia desaparecido.
Palmeira dos Índios não apenas reduziu a votação de Célia. Praticamente deixou de votar nela.
E existe um componente político importante nessa história: a eleição de 2018 foi justamente a última disputada por Célia Rocha antes do afastamento das urnas que duraria oito anos.
Depois daquele resultado, ela não disputou as eleições de 2020, 2022 ou 2024.
Agora, em 2026, Célia integra como vice a chapa de JHC ao Governo de Alagoas.
Para quem pretende apresentar seu nome como representação do Agreste, porém, o histórico de Palmeira dos Índios deixa uma pergunta inevitável:
qual é hoje a capacidade de Célia de mobilizar uma região onde já teve enorme votação, mas posteriormente perdeu quase todo o seu eleitorado?
Em Palmeira, pelo menos, o último teste foi inequívoco.
A cidade lhe deu quase 9 mil votos em 2010.
Quando Célia voltou a pedir seu voto, em 2018, recebeu 197.
Palmeira dos Índios primeiro consagrou Célia Rocha. Oito anos depois, as urnas mostraram que o encanto havia acabado.
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