Política

Republicanos expulsa prefeito tiktoker Manga por infidelidade partidária em votação unânime

Decisão ocorreu após apoio do prefeito à esposa candidata

Estadao Conteudo 19/08/2026
Republicanos expulsa prefeito tiktoker Manga por infidelidade partidária em votação unânime
Rodrigo Manga

O Republicanos decidiu expulsar o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, por infidelidade partidária, após ele fazer campanha e pedir votos para a esposa, Sirlange Maganhato, que é candidata a deputada federal pelo União Brasil.

A decisão foi tomada pelo Conselho de Ética nacional da sigla por cinco votos a zero no último dia 6 de agosto. O caso foi relatado pelo vereador de São Paulo, André Santos (Republicanos), que recomendou a expulsão após o próprio Manga reconhecer no processo que apoiará a candidatura da esposa.

Procurados, Manga e o Republicanos não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem. O prefeito estava com a filiação suspensa desde 15 de julho, quando foi aberto o procedimento disciplinar.

A punição foi motivada por um vídeo publicado por Manga nas redes sociais em que ele aparece na sede do União Brasil em Sorocaba e declara apoio à candidatura da esposa. O prédio do partido está decorado com fotos de Manga e de Sirlange.

Em sua defesa no processo, o prefeito de Sorocaba reconheceu o direito do Republicanos de examinar o caso, mas reafirmou "o apoio total e irrestrito" à candidatura de Sirlange pelo União Brasil.

Para o relator, o prefeito confessou o descumprimento do estatuto partidário do Republicanos.

O documento prevê as penalidades de advertência, suspensão ou expulsão para os filiados que possuírem mandato eletivo e "manifestarem, formal e informalmente, apoio político a candidato, governo ou personalidade pública" que contrarie os interesses da sigla.

Conhecido como prefeito tiktoker, Manga tem 3,4 milhões de seguidores na plataforma e outros 4 milhões no Instagram.

Ele foi reeleito prefeito de Sorocaba, em 2024, com 73% dos votos. A Justiça o afastou do cargo em novembro de 2025 de forma cautelar, sob o argumento de que ele poderia atrapalhar investigações sobre supostos desvios na área da saúde do município.

Em março de 2026, uma liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nunes Marques reconduziu Manga ao cargo. A decisão foi confirmada posteriormente pela Segunda Turma da Corte.

O caso ainda está aberto. Manga foi denunciado pela Procuradoria Regional da República por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, peculato, contratação ilegal e fraude em licitações. A denúncia é baseada na Operação Copia e Cola da Polícia Federal. A defesa dele refuta as acusações.