Política

PSD monta chapa pesada para federal e entra na disputa para eleger dois ou até três deputados em Alagoas

Ata confirma Luciano Amaral, Rui Palmeira, Davi Maia, Júlio Cezar e Rute Nezinho entre dez candidatos; partido fecha aliança com MDB e outras seis forças na coligação “Pra Alagoas Fazer História de Novo”

Redação 06/08/2026
PSD monta chapa pesada para federal e entra na disputa para eleger dois ou até três deputados em Alagoas
PSD tem o grupo mais forte de candidatos a deputado-federal

O PSD de Alagoas oficializou uma das chapas mais competitivas para a Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. A ata da convenção estadual, realizada no dia 5 de agosto e enviada à Justiça Eleitoral nesta quinta-feira (6), confirma dez candidatos a deputado federal, reunindo parlamentar com mandato, ex-prefeitos, ex-deputado estadual e lideranças com bases eleitorais espalhadas por diferentes regiões do Estado.

A nominata ajuda a explicar por que, desde o início de sua montagem, o PSD trabalha no ambiente político com a expectativa de conquistar duas cadeiras e, num cenário de desempenho elevado, até três vagas das nove destinadas a Alagoas na Câmara Federal.

Essa possibilidade já vinha sendo discutida publicamente desde março, quando a montagem da chapa ganhou corpo com a entrada de Davi Maia. À época, análises sobre a composição apontavam potencial para dois ou três federais.

O próprio presidente estadual do PSD e deputado federal Luciano Amaral já havia afirmado que esperava que a legenda conseguisse eleger pelo menos dois deputados federais

Agora, a convenção transforma aquela articulação numa chapa oficialmente escolhida pelo partido.

Luciano Amaral encabeça chapa de nomes conhecidos


O PSD homologou os seguintes candidatos à Câmara dos Deputados:

Davi Maia – 5500; Rute Nezinho – 5511; Rui Palmeira – 5522; Gaby Ronalsa – 5533; Samyra do Basto – 5544; Luciano Amaral – 5555; Júlio Cezar – 5566; Silvania Barbosa – 5577; Julia Nunes – 5588; e Thais Canuto – 5599.

O nome que parte com a vantagem de já ocupar uma cadeira em Brasília é Luciano Amaral.

Atual deputado federal por Alagoas, Amaral exerce mandato na legislatura 2023-2027 e passou a integrar o PSD em 2025, assumindo também o comando estadual da legenda.

Além de candidato, Luciano Amaral presidiu a própria convenção estadual que homologou a chapa.

Em uma eleição proporcional, sua votação poderá ter influência direta na quantidade de cadeiras conquistadas pela legenda, o que explica a estratégia de cercá-lo de vários candidatos com bases próprias.

Rui Palmeira leva peso eleitoral de Maceió


Outro dos nomes mais conhecidos é Rui Palmeira, número 5522.

Rui já foi deputado estadual, deputado federal e prefeito de Maceió por dois mandatos consecutivos. Atualmente exerce mandato de vereador na capital e decidiu retornar à disputa pela Câmara Federal.

Sua experiência em eleições majoritárias e proporcionais e a base construída na capital fazem dele um dos candidatos naturalmente colocados no primeiro grupo da disputa interna do PSD.

Análises publicadas ainda durante a pré-campanha já o apontavam como um dos nomes capazes de disputar uma segunda cadeira da legenda em Brasília.

Davi Maia entra para fortalecer nominata


Também aparece entre os candidatos mais competitivos o ex-deputado estadual Davi Maia, número 5500.

Davi exerceu mandato na Assembleia Legislativa entre 2019 e 2022 e vinha inicialmente construindo projeto para retornar à Casa de Tavares Bastos. A estratégia mudou e ele passou para a disputa federal, fortalecendo a chapa organizada pelo PSD.

Sua entrada foi um dos movimentos que levaram a legenda a trabalhar com uma projeção mais otimista de desempenho proporcional.

Rute Nezinho representa a força de Arapiraca


A chapa ainda conta com Rute Nezinho, número 5511, atual vice-prefeita de Arapiraca.

Ela pertence a um grupo político com presença consolidada no segundo maior colégio eleitoral de Alagoas e é irmã do deputado estadual Ricardo Nezinho e do vereador Rogério Nezinho.

Desde janeiro, sua entrada na disputa federal era apontada como um dos componentes importantes da estratégia do PSD para tentar ampliar sua bancada.

Assim, o PSD combina na mesma nominata nomes com forte presença em Maceió, Arapiraca, Palmeira dos Índios e outras regiões.

Essa distribuição territorial é uma das razões para a avaliação de que a legenda poderá brigar por mais de uma cadeira.

Júlio Cezar leva força de Palmeira dos Índios


No interior, o nome do ex-prefeito de Palmeira dos Índios, Júlio Cezar foi homologado com o número 5566. Seu nome consta formalmente na ata e no cadastro eleitoral produzido a partir da convenção.

Júlio Cezar entra na corrida com uma base eleitoral em Palmeira dos Índios e articulações construídas em municípios do Agreste, Sertão e outras regiões. Será seu teste de fogo. SE ganhar, vira fenômeno. Se perder, enterra a carreira político-eleitoral, que está desgastada perante o eleitorado.

Com Júlio, Palmeira dos Índios permanece com cinco nomes na corrida pela Câmara após a desistência de Sheila Duarte: além dele, Mosabelle Ribeiro, Helô Bezerra, Gervásio Neto e Bispo Filho.

Dez nomes e nenhuma chapa para estadual


A estratégia do PSD chama atenção também por outro detalhe.

A convenção decidiu que o partido não apresentará chapa própria para deputado estadual.

Toda a força proporcional formalizada nessa ata está, portanto, concentrada na disputa pela Câmara Federal.

A Executiva do partido, entretanto, recebeu poderes para fazer alterações posteriores na chapa, inclusive substituições e preenchimento de vagas remanescentes.

PSD fecha com MDB e Renan Filho


Na majoritária, o PSD definiu claramente de que lado estará.

A convenção aprovou a participação na coligação denominada “Pra Alagoas Fazer História de Novo”, formada por:

MDB, PSD, PSB, Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV), Federação Renovação Solidária (PRD/Solidariedade), Podemos, Agir e Avante.

É, portanto, um bloco composto por oito partidos ou federações partidárias.

A ata estabelece que o MDB indicará o candidato a governador e o candidato a vice, embora o vice possa ser filiado a qualquer uma das legendas integrantes da coligação.

Na prática política, trata-se da aliança construída em torno da candidatura de Renan Filho ao Governo de Alagoas.

MDB também fica com as duas indicações ao Senado


A convenção do PSD entregou ao MDB ainda outra prerrogativa importante.

Segundo a ata, os candidatos às duas vagas do Senado e seus respectivos suplentes serão indicados pelo MDB, embora os suplentes possam pertencer a qualquer partido da coligação.

Isso significa que o PSD não reivindicou na convenção uma vaga própria na chapa majoritária.

Sua grande aposta eleitoral está concentrada exatamente onde montou o time mais forte: a Câmara dos Deputados.

Coligação poderá crescer


A ata deixa ainda aberta a possibilidade de novos partidos ingressarem no grupo.

O documento afirma que poderão aderir outras agremiações comprometidas com as candidaturas majoritárias aprovadas. Também determina que, se algum integrante desistir ou ficar impossibilitado de participar, a coligação continuará existindo com os demais.

A Executiva do PSD recebeu poderes para admitir ou excluir partidos e federações, promover mudanças na composição e tratar de questões posteriores relativas às candidaturas.

Briga por duas — e quem sabe três — cadeiras


O ponto mais relevante da convenção, entretanto, está na proporcional.

São apenas dez candidatos, mas vários deles chegam à eleição carregando estrutura eleitoral própria.

Luciano Amaral busca a renovação do mandato. Rui Palmeira já foi prefeito da capital e deputado federal. Davi Maia já passou pela Assembleia Legislativa. Júlio Cezar governou Palmeira dos Índios por dois mandatos. Rute Nezinho ocupa a vice-prefeitura de Arapiraca e pertence a um dos grupos políticos tradicionais do Agreste.

Ao redor deles estão Gaby Ronalsa, Samyra do Basto, Silvania Barbosa, Julia Nunes e Thais Canuto, cujos votos também serão fundamentais para o cálculo do desempenho coletivo da legenda.

A eleição proporcional não permite antecipar quantos serão eleitos — isso dependerá da votação total do partido, dos votos individuais e dos quocientes eleitoral e partidário.

Mas a ambição do PSD está colocada.

A chapa foi montada desde o início com expectativa de eleger dois deputados federais e tentar chegar a três caso consiga uma votação global elevada.

E, depois da convenção, essa possibilidade deixa de ser apenas uma projeção sobre nomes que poderiam se filiar: os principais candidatos agora estão oficialmente reunidos na mesma nominata.

Com Luciano Amaral, Rui Palmeira, Davi Maia, Júlio Cezar e Rute Nezinho dividindo a mesma chapa, a disputa interna do PSD promete ser quase tão acirrada quanto a batalha da legenda contra os adversários pelas nove cadeiras de Alagoas em Brasília.