Política
STF solicita esclarecimentos a Soraya Thronicke e Lindbergh Farias sobre acusações contra vice de Flávio
Parlamentares alegam crimes graves; defesa de Gaspar pede exames para comprovar inocência.
O Supremo Tribunal Federal (STF) busca explicações adicionais da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) em relação às alegações contra o candidato à vice-presidência, Alfredo Gaspar (PL-AL).
Thronicke e Farias acusam o vice de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de estupro de vulnerável. O Estadão apurou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou à Polícia Federal (PF) diligências sobre o suposto crime.
Em nota enviada à imprensa, a dupla de parlamentares afirmou que prestará os esclarecimentos necessários. "O procedimento é regular e está previsto no curso da investigação", declarou a senadora.
A reportagem tentou entrar em contato com Alfredo Gaspar para um posicionamento sobre as acusações, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. Gaspar sempre negou as alegações.
A denúncia contra Alfredo Gaspar surgiu no dia 27 de março deste ano, quando o deputado federal foi chamado de "estuprador" por Lindbergh Farias durante a leitura do relatório final da CPMI do INSS. "Eu estuprei corruptos como vossa excelência", rebateu Gaspar na ocasião, gerando um intenso bate-boca na comissão.
Após a sessão, Lindbergh e Soraya Thronicke concederam uma coletiva de imprensa, na qual explicaram a acusação. Segundo o deputado petista, a ofensa ocorreu porque ele estava "entalado" com uma denúncia apresentada a ele e à senadora.
"Há uma criança de 8 anos e uma jovem de 21 anos, e as acusações são muito sérias, com diálogos e gravações. É uma história que agora será investigada pela Polícia Federal, mas trata-se de uma situação terrível de pedofilia, estupro de vulneráveis e até trabalho escravo", declarou Lindbergh à imprensa.
De acordo com os parlamentares, o caso teria ocorrido há oito anos em Alagoas, e a vítima teria gerado um filho do deputado Alfredo Gaspar após o crime.
Lindbergh e Soraya afirmam não ter fornecido mais detalhes para proteger a identidade das vítimas. Eles também afirmam possuir gravações que mostram a compra de silêncio, com valores entre R$ 70 mil e R$ 400 mil.
Os parlamentares registraram uma notícia-crime na PF com as evidências. Eles alegaram que um exame de DNA seria suficiente para refutar as acusações. Na coletiva, também criticaram o relatório final da CPMI do INSS.
Em resposta, Alfredo Gaspar acionou o STF e processou a dupla por calúnia e difamação. Na petição inicial, os advogados afirmam que o deputado "é casado há 36 anos com o único amor de sua vida, vivendo sob os preceitos dos ensinamentos e valores da fé cristã. Jamais cometeu a atrocidade criminosa sórdida".
A defesa de Gaspar ainda classificou a ação dos parlamentares como uma "trama sórdida e criminosa, destinada a intimidá-lo e obstruir as graves conclusões de seu relatório".
Em abril, o ministro Gilmar Mendes, que foi designado para conduzir o processo no STF, requisitou esclarecimentos de Soraya e Lindbergh em um prazo de 15 dias. Entretanto, a petição permanece sem movimentação.
Nesta quinta-feira, 6, a defesa do deputado solicitou à PGR a apuração imediata do caso, apresentando um perfil genético do deputado e disponibilizando Gaspar para um novo exame.
Ainda nesta quinta-feira, o deputado fez um apelo: "estou implorando, façam o exame de DNA, a prova científica".
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